22/07/08

ESPÍRITOS EM PRISÃO

INTRODUÇÃO
1ª Pedro 3:19,20 - No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão. Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água.
"ESPÍRITOS EM PRISÃO". Esta frase tem confundido a muitos, porque têm a ideia de que um espírito seja um homem ´desencarnada' , existente algures numa região inferior. Daí dizerem que, entre a crucifixão e a ressurreição, Jesus foi a esse lugar, seleccionou os espíritos dos antediluvianos dos dias de Noé, e pregou, concedendo-lhes segunda oportunidade de salvação. Isto envolve os erros da consciência na morte; da existência de um lugar, como seja o purgatório; da possibilidade de uma segunda oportunidade; da descida de Cristo ao inferno, suposto local dos espíritos desencarnados.

"Nos dias de Noé". Aqui está a chave para se descobrir a época da pregação. Noé foi o instrumento usado por Cristo e pelo Espírito, e por ele a mensagem do arrependimento foi pregada, antes do Dilúvio: "O Apóstolo Pedro passa do exemplo de Cristo ao do mundo antigo, e apresenta aos judeus, a quem escrevia, o acontecimento referente aos que creram na pregação de Cristo por intermédio de Noé, e obedeceram - atitude bem diversa daquela dos que continuaram desobedientes e descrentes - dando a entender aos judeus que eles se encontravam sob sentença semelhante. Deus não iria suportar por muito mais tempo". - Mathew Henry.

Noé foi um "pregador da justiça" (2ª Pedro 2:5) e de Génesis 6:3 ressalta bem claro que o Espírito de Deus estava com ele.

Se compararmos Lucas 4:18-21; Isaías 42:7 e 61:1 veremos que Jesus compreendia que a obra que deveria realizar era a "abertura da prisão aos presos". Achavam-se ligados em pecado, e Cristo devia fazer essa obra, porquanto sobre Ele estava "o Espírito de Jeová". O que Jesus fez durante o Seu ministério, foi feito por Noé na sua época.

Adam Clarke, concluíndo pela impossibilidade de se tratar de "espíritos desencarnados", diz que a frase "os espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hebreus 12:23) "certamente se refere a homens justos, e homens que estão na igreja militante; e o Pai dos ´espíritos´(Hebreus 12:9) é uma referência a homens ainda no corpo; e o ´Deus dos espíritos de toda a carne´(Números 16:22 e 27:16) significa homens, não em estado desencarnados".

O Dr. Pearson, da Ingreja Anglicana, diz: "É certo, pois, que Cristo pregou àquelas pessoas que nos dias de Noé era desobedientes, em todo o tempo em que a ´longanimidade de Deus esperava´e, consequentemente, enquanto era oferecido o arrependimento, e é igualmente certo que Ele nunca lhes pregou depois de terem morrido".

Vemos assim que mesmo eminentes teólogos, que acreditam na imortalidade da alma, admitem que essa passagem não ensina a doutrina da alma imortal. (Revista Adventistas, Março de 1963, ps. 31,32.

Quem eram esses "espíritos em prisão" e como Cristo lhes pregou é correctamente explicado por João Wesley: " Por meio de que Espírito pregou Ele? - Através do ministério de Noé, aos espíritos em prisão - os homens perversos antes do Dilúvio. ... Quando a longanimidade de Deus esperava? - Durante cento e vinte anos, por todo o tempo em que estava a ser preparada a Arca; quando então Noé os admoestava a que fugissem da ira futura." - Explanatory Notes Upon the New Testament, p. 615.

03/07/08

A PARÁBOLA DO RICO E LÁZARO

INTRODUÇÃO: Prova esta parábola a imortalidade da alma? Como entender este assunto, que nos deixa perplexos?
Ver Lucas 16:19-31.


A parábola do rico e Lázaro representa os mortos como indo para um estado intermediário, onde os justos são tratados amorosamente por Abraão, num lugar chamado ´seio de Abraão´; e os ímpios, num outro lugar, mantidos numa condição de tormento. Ambos estão em tal situação que se podem ver, até manter uma conversa, embora separados por um grande abismo ao qual ninguém pode atravessar.
O que se revela interessante nesta parábola é o facto de ser a única relatada deste género. É o único lugar nas Escrituras onde se menciona um tal lugar como o ´seio de Abraão´, ou onde os ímpios são descritos como sofrendo agora em tormentos por causa dos seus pecados, ou onde os mortos são representados como num contínuo estada de consciência.
Em primeiro lugar, devemos ter consciência que esta história é uma parábola. Este facto é revelado pelo próprio contexto bíblico que apresenta uma série de cinco parábolas em Lucas 15 e 16. Este relato do rico e Lázaro é reconhecido como uma parábola por estudiosos da Bíblia e é assim apresentada na relação de parábolas bíblicas constante nos livros de Estudos Bíblicos, Comentários, etc.
É óbvio que uma doutrina não pode ser estabelecida com base numa parábola. Os detalhes desta parábola não provam a condição dos mortos assim como a parábola das dez virgens não provam que os membros da igreja se dividirão exactamente num proporção de metade salvos e metade perdidos.
Ao examinarmos as condições declaradas nesta alegoria, encontraremos provas adicionais de que esta parábola não representa as condições da morte.
Estão os ímpios mortos a sofrer actualmente? Descobrimos que não estão, pois estão reservados ´para o dia do juízo´(2ª Pedro 2:9). Se estão reservados para serem punidos, então é porque não o estão a ser agora. Nem mesmo os demónios estão a ser punidos presentemente. Eles também estão ´reservados…para o juízo do grande dia´(Judas 6). Os demónios disseram mesmo a Jesus: ´Viestes aqui atormentar-nos antes do tempo?´ (Mateus 8:29). Chegará o dia em que todos os transgressores serão punidos, contudo sabemos que este tempo ainda não é chegado.
Estão os mortos conscientes? Esta parábola representa os mortos como estando num estado de consciência e tendo a possibilidade de falar, de ouvir, sede e sentimentos, bem como manifestam interesse por aqueles que ainda estão vivos. Todas estas coisas, a Bíblia declara que os mortos não podem fazer.
´O seio de Abraão´. Sabemos que não existe um lugar literal com esse nome como prova disso apresentamos os seguintes exemplos:
1- As Escrituras dizem claramente que os mortos não sabem coisa nenhuma; que eles não amam, nem estão conscientes sobre o que se passa com os vivos. Não podem manter vias as suas próprias almas, de modo que almas mortas saga significa (Ezequiel 18:20; Tiago 5:20).
2- Só na Segunda Vinda de Jesus os ´bons” e os ´maus´ serão separados. É nessa ocasião, disse Jesus, que Ele separará as ovelhas dos bodes – os justos dos ímpios – e convidará os justos a tomarem posse da sua recompensa (Mateus 25:31-34).
3- Abraão, representado como aquele que tem a responsabilidade desse local e como o que fala das necessidades e condições daqueles que ainda vivem, nada sabe a nosso respeito. A Bíblia diz que Deus é nosso Pai, ´ainda que Abraão não nos conhece´ (Isaías 63:16). Ele não nos conhece porque todos os mortos estão inconscientes do que se passa entre os vivos: ´Os mortos não sabem coisa alguma´. Eclesiastes 9:5.
Os homens morrem e vão para a sepultura. Dormem no pó da terra até ao dia da Ressurreição, ocasião em que serão chamados dos sepulcros. Esta verdade, não deixa lugar para a existência de um local intermediário tal como descrito nesta parábola. Assim, precisamos de a compreender como uma alegoria apresentada por Jesus para ensinar uma lição importante.
Para que propósito foi dada esta parábola do rico e de Lázaro? A resposta é evidente. De uma forma vívida revela como termina o tempo de graça para o homem com a morte. Após a morte não há segunda oportunidade. Esta parábola serve para demonstrar o desespero futuro dos infiéis.
Que o homem tem todas as evidências da verdade necessárias nesta vida é evidenciado na parábola: ´Eles têm Moisés e os profetas (as Escrituras)…Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos´.
Os homens determinam o seu destino para sempre nesta vida. Esse destino estabelecido é representado pelo ´grande abismo´ da parábola. Tal abismo não pode ser ultrapassado por qualquer mortal após ter passado o tempo de graça que lhe é assegurado nesta vida.
Que há um fim ao tempo de graça concedido por Deus é evidente pelo facto de que os anjos caídos deixaram de estar sob a graça, mas reservam-se para o juízo, quando serão punidos. Deus é um Deus de justiça e de misericórdia, e para aqueles que pecaram e persistem no pecado, recusando a concedida misericórdia, o juízo ser-lhes-á aplicado. Esse facto é realçado na parábola.



27/06/08

QUANDO RECEBEMOS A VIDA ETERNA?

Filipenses 1:20 a 24 – Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne.

Ao ler este texto, ficamos com a impressão que o Apóstolo Paulo ensina que o crente vai para o Céu assim que morre. Como compreender esta passagem bíblica?

A carta escrita à Igreja de Filipos, durante a prisão de Paulo em Roma. Paulo tinha estado preso pelo Evangelho em Jerusalém, perseguido em diferentes lugares e não tinha cessado de anunciar as Boas Novas. Anos se tinham passado, os crentes de Filipos e de outras igrejas fundadas pelo Apóstolo estavam muito preocupados com aquele que lhes tinha levado a esperança e o consolo da vida eterna em Jesus.
Por esta razão Paulo afirma: Filipenses 1:12 – ´E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho.´ É neste contexto, que o Apóstolo escreve (vs. 20 a 24). A sua vida está completamente centrada em Cristo, ele está disposto a fazer o que for melhor para magnificar a Cristo, continuar os seus labores com o seu Senhor ou morrer. Para ele o viver é Cristo. A morte, se Cristo assim o permitir, é ganho, não somente para ele pessoalmente, mas também para o Evangelho.
Se ele tivesse que fazer a escolha da vida ou da morte, não saberia qual escolher. ´Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.´
Este versículo é o que faz surgir a pergunta: Ao morrer une-se o crente a Cristo? Por outras palavras, vai para o Céu quando morrer?
Muitos cristãos, baseados nesta passagem, conluiem uma resposta afirmativa. Verificando atentamente a afirmação de Paulo, não é claro que seja isto que ele quis dizer. Há duas coisas que o Apóstolo deseja: 1) partir, isto é, morrer, e 2) estar com Cristo. Não está a dizer que o primeiro desejo se cumpra ao mesmo tempo que o primeiro. Não é este o ponto da sua apresentação.
Encontramos noutras epístolas em que ele tratou este assunto, como por exemplo, em: 1ª Tessalonicenses 4:15 a 18 – ´Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.´
É claramente afirmado, que a reunião de todos os crentes fiéis se dará por ocasião da gloriosa vinda de Cristo. É sabido que uma passagem bíblica, deve ser comparada com outras (hermenêutica) e Jesus consola os discípulos, quando estes tomam consciência que em breve ficariam sem o Senhor: João 14:1 a 3 – ´NÃO se turve o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.´ Cristo afirma ´virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também.´
Assim, disse-lhes que a reunião teria lugar na Sua segunda Vinda. Se a reunião acontecesse no momento da morte, Jesus teria dito: ´Já não falta muito para estarmos juntos para sempre, em breve alguns serão mortos por causa da vossa fé, outros morrerão de morte natural, e no momento da morte por qualquer causa que ocorra, vos reunireis comigo.´ Mas não foi isto que Jesus disse.
Paulo na passagem que estamos a apreciar não se pode contradizer, menos ainda, contradizer o que disse o Senhor Jesus, devemos concluir que ele esperava que o seu desejo de ´estar com Cristo” se cumprisse por ocasião da 2ª Vinda.
É importante acrescentar o seguinte: Quando os que dormem em Cristo – mortos que aceitaram a Jesus como Salvador pessoal – ressuscitarem, terão a sensação que tem uma pessoa que foi anestesiada para ser operada, a consciência que o tempo parou. Na morte não há consciência da passagem do tempo.
Ellen White afirma: ´Bendito descanso para o justo cansado! Seja longo ou breve o tempo, não é para eles senão um momento. Dormem, e são despertados pela trombeta para uma imortalidade gloriosa.´ O Conflito dos Séculos, p. 595.

SILÊNCIO NO CÉU

Apocalipse 8:1 – E, HAVENDO aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.

Nesta passagem refere um silêncio no Céu durante meia hora. Estando esta passagem num contexto profético (dia-ano) dá uma semana, ou sete dias. No livro Primeiros Escritos, p. 16, diz que os remidos levam sete dias na ascensão ao Céu. Cristo, com as hostes angelicais, ao descer deve também demorar sete dias. Neste caso, serão, 14 dias, contando-se a descida e a subida. Não há aqui uma contradição?

Não há nenhuma contradição. O raciocínio apresentado a isso leva: a de que o tempo que Cristo e os anjos durará sete dias na 2ª Vinda. A velocidade de Cristo e da Sua corte angelical não será igual à dos remidos glorificados. ´Assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim será a vido do Filho do Homem´. Rápida como um relâmpago.
Cristo é Deus e tem a faculdade de superar o tempo e o espaço. E os anjos? Lemos: Daniel 9:21 – ´Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde.´
Ora se no inicio de uma oração, o anjo recebe a ordem para sair do Céu e ir em auxílio de Daniel. A oração encontra-se em Daniel 9:4-19 e, no hebraico esta oração teria demorado cerca de 8 minutos.
Daniel ainda falava, quando o anjo Gabriel chegou. O mesmo acontecerá com os ´dez milhares´ de anjos que, segundo Primeiros Escritos, p. 16, descerão com Cristo. Assim, só nos resta o tempo da ascensão que, de facto, será de sete dias.

16/06/08

UMA VEZ SALVO, PARA SEMPRE SALVO?

Questão: Será que o pecador que aceita a Jesus, uma vez salvo, não se poderá nunca mais perder?
TEXTO BÍBLICO: João 10:27-29 - As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

COMENTÁRIO: Esta declaração de Jesus significa que as Suas ovelhas não estão livres de perigo do inimigo, ninguém as poderá arrebatar das Suas mãos. Cristo tem poder para as guardar na medida que as suas vidas estejam dedicadas ao Senhor.

Todos corcodarão em que Deus concede ao pecador liberdade para escolher se aceitará ou rejeitará a salvação. Após ter aceite a Jesus como Salvador e ter sido perdoado dos pecados, Deus não suprimirá a liberdade da pessoa escolher o estilo de vida que deseje viver. A pessoa justificada poderá escolher permanecer salvo ou retornar à condição que tinha antes de ser salvo.

O tema da salvação, é apresentadao nas Sagradas Escrituras em três tempos verbais diferentes:
1- Passado - justificação obtida: Tito 3:5 - ´Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.´ Esta passagem, claramente indica que a pessoas é salva da penalidade do pecado.
2- Presente - justificação em operação: 1ª Corintios 1:18 - ´Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos (estamos sendo) salvos, é o poder de Deus.´ A pessoa está a passar por um processo de salvação, sendo liberta do poder do pecado.
3- Futuro - glofificação final: (1ª Pedro 1:5 - ´Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo.´ A pessoa será libertada total e definitivamente da própria presença do pecado.

A doutrina de que um cristão não poder perder a vida eterna tende a inspirar um sentimento de falsa segurança que poderá levar ao desastre. O Apóstolo Paulo admoestou contra esta situação ao dizer: 1ª Corintios 10:12 - ´Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.´ No contexto imediato ele lembra o exemplo da apostasia de muitos em Israel, mostrando que ´tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso.´ v. 11.
Ainda e à luz do triste exemplo de Israel, o próprio Apóstolo refere a possibilidade da su própria rejeição: 1ª Corintios 9:27 - ´Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado

Neste contexto ler: 1ª Coríntios 9:23 a 10:14.

Desta maneira, convém lembrar as palavras de Paulo dirigidas ao gálatas: Gálatas 5:4 - ´Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caístes.´ Os que cairam da graça é porque, anteriormente, estavam nela firmados.

Finalmente, como confirmação de qua a Bíblia aponta a possiblidade de uma pessoa genuínamente salva se poder perder no que diz respeito à salvação, é a constante exortação a perseverar na fé, examinemos as seguintes passagens:

Lucas 9:26 - Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.

Mateus 24:13 - Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

Colossenses 1:21-23 - A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou. No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis. Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.

1ª Timóteo 1:19 - Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.

2ª Pedro 2:20-22 - Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama.

1ª Corintios 15:1 - TAMBÉM vos notifico, irmãos, o Evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.



12/06/08

TEM A PESSOA O DESTINO MARCADO?

Muitas pessoas acreditam no destino e dizem que quando acontece alguma coisa de extraordinário, já estava destinado. Será que uma criança quando nasce, Deus já lhe traçou o que lhe vai acontecer?

Não há dúvida, antes mesmo do nascimento de qualquer pessoa, Deus já sabe como será essa pessoa e quais os episódios que irão ser marcantes na sua vida. A questão é; acontece porque Deus determinou que assim fosse ou pelo uso que a pessoa fizer do livre arbítrio?

O Senhor tem um propósito geral para o Universo e para cada pessoa, mas Ele não estabelece o destino da pessoa, nem força a vontade humana, tanto no que diz respeito aos interesses eternos como em relação aos interesses temporais. Propomos a leitura de alguns textos bíblicos:
Josué 24:15 – Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.

Isaías 55:1 – Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.

João 1:12 – Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.

João 7:37 – E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.

Apocalipse 22:17 – E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.

O propósito de Deus para todas as pessoas é que todos cheguem ao conhecimento da verdade e tenham uma vida feliz. Ver:

2ª Pedro 3:9 – O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para connosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

João 10:10 – O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

3ª João 1:2 – Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.

Contudo, o Senhor não interfere na vontade individual, e cada pessoa colherá as consequências da maneira como emprega o livre arbítrio.

Naturalmente, os acontecimentos da vida estão sob o domínio de Deus, e Ele faz com que todas as coisas cooperem “para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”. Romanos 8:28, também sucede que quando alguém se endurece no mal, o Senhor retira a Sua protecção dessa pessoa, e ela fica entregue ao domínio de Satanás. Não esqueçamos, porém, que em tudo isso a livre escolha da pessoa desempenha uma parte preponderante.

Para confirmar o que expomos vejamos estes três textos bíblicos:
Eclesiastes 9:11 – Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Ezequiel 18:26 – Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo iniquidade, morrerá por ela; na iniquidade, que cometeu, morrerá.
Ezequiel 18:27 – Mas, convertendo-se o ímpio da impiedade que cometeu, e procedendo com rectidão e justiça, conservará este a sua alma em vida.
Todo o capítulo 28 de Deuteronómio constitui cabal demonstração de que é atitude e a vontade da pessoa que influem grandemente no seu bem-estar futuro, tanto nas questões materiais como espirituais.

“A cada nação, a cada indivíduo de hoje, tem Deus designado um lugar no Seu grande plano. …Todos estão pela sua própria escola decidindo o seu destino, e Deus governa acima de tudo para o cumprimento do Seu propósito.” Educação, p. 178 – Ellen G. White

“Ver um acontecimento no futuro não faz com que o mesmo ocorra, assim como ver um acontecimento no passado tão pouco o leva a ocorrer. Quanto aos eventos futuros, podemos dizer com Whedon: ´O conhecimento apanha-os, mas não os origina´” – Strong, Systhmatic Theology, p. 286.

PREDESTINAÇÃO, SIM OU NÃO?

Ao ler atentamente Romanos 8:28-30, parece fundamentar a crença na eleição bíblica. Ou seja, certas pessoas estão predeterminadas para a salvação e outras para a condenação eterna. Leiamos os textos bíblicos e analisemos este delicado assunto.

Romanos 8:28-30 – E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

HÁ textos que realmente parecem apoiar a doutrina Calvinista dos decretos irreversíveis de Deus. no entanto, o assunto poderá ser melhor entendido partindo desta premissa: Deus predestina carácter, e não pessoas. Carácter que Deus possa usar e desenvolver dentro do Seu plano.

Cada nome escrito no livro da vida do Cordeiro (Apocalipse 13:8 - E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.) é o nome de um carácter. Desses vários caracteres Deus tem os seus filhos. Essas pessoas viveram e vivem nesta terra sob aceitando a graça de Deus.

O carácter está no livro da vida desde o princípio. De um desses caracteres inscritos no livro da vida Deus chamou Caim, por exemplo. Caim, contudo, fracassou, e alguém foi chamado para tomar o seu lugar. Isto está claro em (Apocalipse 3:11 - Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa). Esse “tomar” significa substituição. Certamente Deus não nos admoestaria dessa forma, a menos que estivéssemos em perigo.

Tendo em mente esta verdade, isto é, que Deus elege caracteres e não pessoas, não é difícil entender-se os textos (aparentemente) difíceis como (Romanos 9:18-23 - Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição. Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou). Onde Paulo fala de ´vasos de ira, preparados para a perdição´ em contraste a ´vasos de misericórdia, para a glória que preparou de antemão´. Ambos os tipos de vasos foram eleitos, como caracteres, mas os de ira não permaneceram na condição de graça para que se desenvolvessem dentro do plano divino.

Nestes textos apresenta-se o soberano poder de Deus, o Seu direito de agir, a Sua longanimidade, a Sua bondade. Poderíamos exemplificar com o caso de Faraó. Ele não nasceu predeterminado para a destruir os israelitas, mas Deus consentiu que subisse ao trono para Ele (Deus) pudesse demonstrar o Seu poder e a Sua glória através de Faraó. Faraó teve o privilégio de presenciar o poder e a glória de Deus. Poderiam tais prodígios ter tocado o coração deste homem e levá-lo à obediência a Deus como o fez Nabucodonosor. Infelizmente assim não foi!

Outro ponto a considerar: que o destino de cada pessoa não é pré-determinado evidencia-se claramente em (II Pedro 1:10) - Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis,). Se o destino eterno de uma alma fosse fixado irrevogavelmente, como poderia ela ser exortada a tornar firme o seu destino? Ou como entenderíamos (Hebreus 3:14 - Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.) Ou ainda (Mateus 24:13 - Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo)?

Ainda sobre o carácter, assiste-nos a faculdade de escolher o carácter que quisermos, e todos são convidados a escolher o que é recto, para a nossa salvação. (João 3:16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.) e (Apocalipse 22:17 - E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida). Sem dúvida, sendo Deus Omnisciente, Ele sabe de antecedência que será salvo e quem se perderá. Para estudo a aprofundar, deixamos os seguintes textos:
Êxodo 20:6; Isaías 55:7; Ezequiel 33:11; 2ª Pedro 3:9.

Não nos estenderemos mais, convidamos a ler o seguinte pensamento: “A formação de um carácter nobre é obra de uma vida inteira, e deve ser o resultado de um esforço diligente e perseverante. Deus dá as oportunidade; o êxito depende do aproveitamento das mesmas.” Ellen G. White, Patriarcas e Profetas , p. 454.

Conclusão: Em Romanos 8:28-30 ensina o seguinte: que Deus pode conduzir aos Seus legítimos fins, às Suas verdadeiras metas todos aqueles que se Lhe submetem e aceitam os Seus planos e caminhos. Considerada no seu sentido correcto, a eleição bíblica ou predestinação é um assunto deveras confortador; considerada de maneira incorrecta, é desanimadora para a vida cristã.