09/09/12

Como Compreender Lucas 16:16, "A lei e os profetas duraram até João"?

Lucas 16:16 assim descreve que “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele”. É necessário entender 3 questões importantes a este respeito, sendo:

1º A lei que durou até João não são os dez mandamentos, mas as leis cerimoniais do santuário que envolvia festas solenes, luas novas e sábados festivos que aconteciam anualmente, mensalmente e semanalmente, que apontavam para a vinda do Messias (Ef 2:15; Cl 2:14-16 – Lc 23). Todas estas leis eram mensagens em forma de simbolismos que representavam e anunciavam a vinda do verdadeiro cordeiro que tiraria o pecado do mundo (Jo 1:29). Além do mais, Jesus está fazendo uma referência a toda a escritura do Antigo Testamento que apresentava a verdade messiânica através de ritos, símbolos e mensagens proferidas pelos profetas (Jo 1:45).

2º Os profetas, juntamente com estas leis, também duraram até João - Bom, assim como as leis, Jesus está descrevendo as mensagens proferidas por estes profetas que prediziam a vinda do Messias. Todos os profetas que profetizaram a respeito da vinda do Messias seriam até João Batista que foi o último profeta que pré-anunciou e preparou o caminho de Jesus.

3º A palavra "duraram" não condiz com a realidade textual do verso. Tanto é verdade que o verso seguinte (17) afirma de forma incisiva que "é mais fácil passar o céu e a terra, que cair um til sequer da lei". Não há contradição, pois o verso 16 apenas descreve que, o que durou ou vigorou até João Batista foram as predições a respeito do Messias que estavam inseridos nas leis ritualísticas e nas mensagens dos profetas. Depois de João Batista nenhum profeta mais anunciaria a primeira vinda de Cristo porque o Cristo predito já estava entre os homens conforme a lei e os profetas predisseram.

De forma objetiva, a lei e os profetas, ou seja, Antigo Testamento, com suas mensagens que clarificaram a promessa de Deus de enviar o Messias, anunciaram sobre esta promessa até João Batista. Qualquer bom comentário bíblico adventista ou não adventista entra em pleno consenso a este respeito. O próprio João Batista foi contundente em apresentar este fato ao afirmar, "arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus" (Mt 3:2), ou seja, ele era o último profeta que desempenharia o papel de proclamador da vinda do Messias.

Observações para refletir:

1º Se a lei durou até João, porque muitos evangélicos, embora não guardem o sábado, respeitam e observam os demais 9 mandamentos?
2º Se os profetas duraram até João, como explicar as revelações do livro do apocalipse que foi escrito depois de João Batista, por volta do ano 90 d.C.?
3º Se não existem mais profetas, por terem durado até João, porque os evangélicos contemporâneos insistem na ideia de suposta revelação, papel exclusivo de profetas?
4º Se a lei terminou até João, por que Jesus disse que quem O ama guardaria seus mandamentos? (Jo 14:15, 21)
5º Se a lei terminou em João, porque Paulo citou alguns dos mandamentos de Êxodo 20 como representação clara de amor ao próximo?
6º Se a lei terminou em João, como entender as mulheres e sua mãe na carne que conheciam muito bem os ensinamentos de Jesus, por terem convivido com ele por anos e anos, e mesmo assim guardaram o sábado segundo o mandamento? (Lc 23:53-56).
7º Se a lei terminou em João, como entender os evangélicos que ensinam com insistência que o sábado foi mudado para o domingo, sugerindo a permanência da lei de um dia santo semanal?
8º Se a lei terminou em João, como entender 1º João 3:4 que diz categoricamente que pecado é a transgressão da lei? Se não existe lei, logo não existe pecado.
9º Se a lei terminou em João Batista, como entender João, o profeta, afirmar que quando recebeu as primeiras revelações deste livro era o dia do Senhor, ou seja, o dia sagrado do mandamento? (Ap 1:10)
10º Se os profetas duraram até João, como entender que nos últimos dias haveria o dom da profecia? (At 2:17 e 18).
11º Se a lei terminou em João, como entender.... etc, etc, etc, etc,

Parece que o problema não está com a lei, mas com as pessoas que interpretam equivocadamente o papel da lei. O que é importante não é a letra da lei em si, mas os princípios que estão por detrás dela. Por este motivo é que também é chamado de lei do amor (Rm 13:10; Jo 14:15), ou lei espiritual (Rm 7:14).

O tal resumo da lei que alguns evangélicos sugerem relaciona-se com Mateus 22:34-40. No entanto, distorcem afirmando que não há mais leis e que todas as leis agora são apenas duas, amar o próximo e a Deus. Na verdade, Jesus, nestes versos, não efetuou um novo resumo da lei, mas, citando um resumo que Moisés já tinha feito no Antigo Testamento. Observe Deuteronómio 6:5 “Amar a Deus acima de todas as coisas”, e Levítico 19:18 “amar ao próximo como a ti mesmo”. Como visto, este resumo já era bem antigo e Jesus apenas fez referência a uma citação já existente desde os tempos antigos. O fato revelado aqui é que toda a lei, ou todos os mandamentos, devem ter como base a essência do amor (Rm 13:10), por se tratar de relacionamento e obediência a Deus e relacionamento com o próximo.

O grande problema é que alguns entendem que a lei de Deus foi dada para salvar e isto é um erro grotesco. Salvação é um dom que advém somente pelo sacrifício de Cristo, Sua graça eterna (Ef 2:8). A lei não foi dada para salvar, mas para nos proteger colocando-nos distante dos limites do pecado, pois, segundo as Escrituras, o pecado é a transgressão da lei (1 Jo 3:4). Por este motivo é que Paulo afirmou que se não há lei, também não há pecado, ironizando a questão (Rm 4:15).

Bom, mas a lei de Deus é como uma lei de trânsito, lei do casamento, lei da saúde, lei da gravidade, lei da química, lei da física, que favorecem a segurança e manutenção da vida, e no caso da lei de Deus, ela existe para nos conduzir os passos nos aspectos morais. Aquele que seguir sua guia, além de demonstrar claramente submissão a Deus em atos, também será beneficiado por viver longe dos limites do pecado e consequentemente longe das consequências.

Como ressaltado, o grande problema é a maneira equivocada como ensinam a lei. Ela deve ser obedecida, mas por amor e submissão a Deus, por termos sido salvos, e não para sermos salvos. Por este motivo é que Paulo afirmou em 1 Timóteo 1:8 que “Sabemos porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo”. Se a utilizarmos de forma legítima, ou correta, com certeza ela será prazerosa (Rm 7:22; Sl 1:2; 119:174), restaurará completamente a alma e dará sabedoria (Sl 19:7; 23:3), além de ser santa, justa e boa (Rm 7:12), serão bem-aventurados os que andam nela (Sl 119:1).

E por último, há uma regra valiosa para testarmos os pregadores de nosso tempo que falam em nome de Jesus, descrita por João, afirmando que, “Aquele que diz que o conhece, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso e nele não está a verdade” (1 Jo 3:4). Qualquer um que pretenda transgredir a lei de Deus e ensinar os outros a se distanciarem desta verdade deve ser considerado um legítimo mentiroso.
Vale lembra também que o Salmista já dizia que os mandamentos de Deus duraria para sempre (Sl 11:7-8) e que jamais faria mudança alguma em Sua palavra (Sl 89:34; Ml 3:6; Tg 1:17; Mt 5:17; Lc 16:17), e que Satanás, o dragão, teria uma ira especial contra os que guardassem os mandamentos de Deus (Ap 12:17).

Bom, há muitas outras evidências que confirmam esta verdade, mas creio ser suficiente... Por demais, Deus lhe abençoe...

Ass. Gilberto Theiss

07/09/12

Como Superar um Vício?

Mesmo sabendo que nada substitui o tratamento especializado que uma pessoa dependente deve receber, existem alguns conselhos que podem parecer úteis. Os doutores W. Dryden y W. Matweychuk, no livro que escreveram em 2003, apresentam algumas sugestões ou receitas que podem auxiliar a quem é vencido por um vício. São as seguintes:

1. Concentre-se no que ganhará se superar o seu vício. Muitos pensam que vão sair perdendo se deixam de usar droga, fumar ou tomar bebidas alcoólicas. É muito melhor ver o ponto de vista positivo, O fumante que tem problemas respiratórios, que tem uma mucosa permanente e que não sente gosto na comida, vai descobrir que uma salada pode ter um sabor incrível e que agora pode encher seus pulmões de oxigénio. Da mesma forma, um alcoólatra que teve um acidente, vai ver que quando sóbrio, pode dirigir com mais segurança e que sem drogas no sistema, o organismo rende melhor na escola e no trabalho. As vitórias de quem está livre dos narcóticos são tremendas, e um incentivo poderoso para conquistar novamente a alegria de viver.

2. Estabeleça objetivos: Abstinência contra o consumo controlado das substâncias. O caminho mais seguro é sempre a abstinência. Alguns especialistas sugerem o método progressivo de cortara droga. Quem fumava um maço por dia, pode fumar dois cigarros menos a cada dia, até chegar a abstinência total. Esse método funciona para algumas pessoas, mas não para todos. Essa pessoas decidem terminar tudo numa pancada só, como quando se corta o rabo de um cachorro. Mas o ponto principal é, acima do longo ou curto prazo, alcançar a abstinência definitiva. Essa é a meta que se tem que lutar sem parar., “sem pressa mas sem parar”, até que se tenha um novo estilo de vida saudável.

3. Descubra a função do seu vício pra você. “Por que bebe, fuma ou consome drogas? Quando o faz? Ao se sentir triste? É para esquecer alguma tristeza ou preocupação? O desejo é maior quando está triste, enjoado ou frustrado? Um paciente me comentou que ia ao bar quando a esposa dava bronca nele. Um jovem se trancava para não consumir mas via os amigos” e saía para drogar-se. Um estudante recorria as anfetaminas para melhorar seu rendimento nos estudos. “O que o vício está trazendo para sua vida?” Reconhecer essa razão o ajuda a encontrar a verdadeira solução, da mesma forma que ajudou a resolver os conflitos do casal do primeiro caso, ter amigos abstémios, como no segundo caso, e estudar mais, sem a ajuda de estimulantes que trazem, no longo prazo, mais contras do que prós.

4. Reconheça o papel importante que a atitute e as desculpas tem para determinar a sua emoção e vencer o consumo de substâncias. “De qualquer maneira iremos todos morrer” dizia um viciado ao explicar-me o risco que sua vida corria com o consumo. “Eu sou forte. Não me vai fazer nada”, acrescentou outro viciado, menosprezando os efeitos letais da cocaína. “Eu posso dirigir/conduzir com os olhos fechados”, argumentava um homem alcoolizado, ou ser advertido sobre o perigo de dirigir embriagado. Há desculpas racionais e irracionais. As primeiras estão de acordo com a realidade e são baseadas no comportamento são e moral. Os exemplos mencionados são expressões de desculpas irracionais que destorcem a imagem de si próprio e a realidade externa. Nunca se deve minimizar os efeitos altamente destrutivos das substâncias nem sobrestimar a própria capacidade de poder controlá-las.

5. Mantenha o controlo na frente da tentação. A tentação é repetitiva e viciante. Quando você cede, entra numa teia de aranha onde é difícil de escapar. Se você está dirigindo numa rodovia que tem um abismo ao lado, o melhor a fazer é dirigir o mais longe possível do abismo pra não cair. Para estar seguro, o melhor é ficar o mais longe possível do perigo, sem brincar e nem se expor aos seus riscos.

6. Aumente o seu nível de tolerância com respeito a frustração. Algumas pessoas não são capazes de tolerar o mínimo dos incómodos, contratempo ou a demora de satisfazer todos os seus desejos; não suportam nenhum sentimento ou situação desagradável. Não toleram a frustração. Nas crianças isso é um comportamento normal. Pro bebés, há que satisfazer-lhes suas necessidades de forma imediata, mas a medida que se cresce, é necessário aprender a controlar os seus impulsos e elevar o nível de tolerância. Isso é sinónimo de estar maduro e de ter se desenvolvido. A droga leva as pessoas ao estado do bebé. É necessário recuperar o controlo e a maturidade.

7. Desenvolva uma auto-aceitação incondicional. Um dos pensamentos de derrotados mais comuns é a convicção de que uma pessoa não é capaz de conseguir nada bom. Essa auto-avaliação negativa é extremamente prejudicial. A melhor forma de combater é aceitando-se a si mesmo e perdoar-se os erros. A auto-aceitação incondicional alimenta a confissão honesta e o leva a adquirir uma responsabilidade maior para o futuro. Dessa maneira, aumentam suas oportunidades para mudar essa dura realidade.

8. Conserve uma mentalidade sã com respeito a vida. Para manter uma abstinência e nao ter uma recaída ao consumo, é importante firmar os valores da vida e desenvolver uma mentalidade sã, vital e um sentimento importante da vida. Quando se entende que Deus dirige a sua vida, e que todos fomos chamados por Ele para levar adiante uma missão útil e valiosa, se fortalecem os valores superiores e se acabam com os impulsos autodestrutivos. Então a vida tem um novo significado, mais pleno e feliz.

Dryden W. y Matweychuk W. Cómo superar las adicciones. (Editorial Hispano Europea, S.A., Barcelona, España. 2003).

Por Mario Pereyra

Mario es doctor en Psicología, psicólogo clínico, terapeuta de familia, investigador y escritor. Actualmente es catedrático de la Universidad de Montemorelos, Nuevo León, México.
Revista El Centinela
Blog Sétimo Dia

31/08/12

São os Adventistas: um “grupo aberrante”?

Muitas perguntas me chamaram a atenção. Nossos irmãos de todas as denominações religiosas fizeram o programa acontecer – com cada pergunta… Uma melhor que a outra! Entretanto, o que mais me fez refletir foi aquela questão em que indagaram se a Igreja Adventista é ou não uma “seita”.

As acusações contra o adventismo são muitas. Poderia transcrever uma lista de “adjetivos” que são direcionados à fé adventista. Mas, para você ter uma ideia do que tem sido dito por aí, deixo-lhe a opinião de Norman Geisler e Ron Rhodes, apresentada no livro “Resposta às Seitas” (Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2008), p. 159. Ao falar de seitas que ensinam dietas alimentares e comemorações de festas religiosas, os autores não perderam tempo:

“Outros grupos aberrantes, como os Adventistas do Sétimo Dia, também acreditam que os cristãos ainda permanecem sob a lei mosaica”. (Grifos meus).

Há justificativa para tamanho preconceito? Pelo que estudamos ontem a respeito das 28 doutrinas fundamentais adventistas, a resposta é um NÃO. No momento em que Tito Rocha recebia as perguntas de nosso público, ele enquadrava-as em alguma de nossas doutrinas fundamentais. E, ao analisarmos cada uma delas, pôde-se perceber que, mesmo possuindo crenças distintivas (crença no dom profético dado a Ellen White, na doutrina do santuário e do juízo investigativo, bem como na reforma de saúde), os Adventistas do Sétimo Dia em seus seis grandes blocos de doutrinas demonstram ser praticamente iguais aos demais cristãos.

Ninguém é obrigado a gostar do adventismo. Mas se for um seguidor de Jesus, precisa gostar dos adventistas e crer como eles sobre os seis grandes blocos doutrinários que englobam suas 28 doutrinas. Quem ler o livro “Nisto Cremos” (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008) verá que a Doutrina de Deus, a Doutrina do Homem, a Doutrina da Salvação, a Doutrina da Igreja, a Doutrina da Vida Cristã e a Doutrina dos Últimos eventos (Escatologia) em essência estão em harmonia com o cristianismo ortodoxo, que preserva as doutrinas fundamentais das Escrituras.

Por isso, me pergunto: será que se alguém ler sobre as crenças adventistas no livro “Nisto Cremos” – ao invés de se ater a fontes secundárias escritas por gente que acha saber alguma coisa – não chegaria à conclusão que, no sentido pejorativo do termo (seita) os adventistas não se enquadram? Sinceramente, creio que quem nos acusa de sermos uma “seita” está “mais por fora que arco de barril”.

Gostaria de fazer um convite a você, amado (a) leitor. Procure ler o livros como “Nisto Cremos” e/ou “Questões Sobre Doutrina” (Casa, 2010) antes de formar uma opinião definitiva sobre os adventistas. Mantendo contato com nossa literatura oficial (fontes primárias) você terá uma surpresa agradável: saberá que os adventistas são filhos de Deus, que creem na salvação pela fé em Cristo (Ef 2:8, 9) e aceitam o poder transformador do Espírito Santo que atua no íntimo (Hb 8:10) para os colocar em harmonia com a vontade de Deus (Fp 2:10).

Como diz o amigo Tito: “não tenha preconceito”. Estude, analise e, com nossas crenças em mãos, questione seu líder religioso para que ele tenha a oportunidade de saber mais sobre o assunto. Vocês poderão não aceitar todas as doutrinas nais quais acreditamos, mas, com certeza aprenderão a respeitá-las. Isso fará com que o adventismo seja visto com bons olhos e, assim, cada um de nós, mesmo discordando em algums pontos, trabalhará unido pelo mesmo motivo: o avanço do reino de Deus.

Após a leitura de um dos livros indicados, gostaria que respondesse à seguinte pergunta: “em qual dos 6 grandes blocos doutrinários ensinados pelo adventismo se vê a característica de um movimento sectário?”. Aguardarei com respeito suas considerações e despeço-me com um texto bíblico que li ontem, para nossa reflexão:

“Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (At 24:14)

Um abraço,

Leandro Quadros

www.novotempo.com/namiradaverdade

NOTA: será que após a leitura de Atos 24:14 Norman Geisler e Ron Rhodes teriam a coragem de afirmar que Paulo fazia parte de um “grupo aberrante”, por ele aceitar a lei mosaica? O que os autores diriam das palavras de Jesus em João 5:46, 47?

Quando Ocorre o Batismo do Espírito Santo?



28/08/12

PODEM OS CULTOS TORNAREM-SE O “ÓPIO DO POVO”?


Karl Marx sempre disse que a religião é o ópio do povo, mas sua afirmação era baseada na política, não em fatos científicos. Porém, um estudo divulgado pela Universidade de Washington sugere que participar de cultos em megaigrejas pode desencadear sentimentos de transcendência e gerar mudanças na química do cérebro.


Esse sentimento de“euforia” espiritual faz os fiéis voltarem para receber mais. “Nós vemos essa experiência de pura alegria ser comum nas megaigrejas. Por isso digo que é como uma droga”, explica James Wellman, professor de religião e co-autor do estudo. O estudo “God is like a drug: Explaining Interaction Ritual Chains in American Megachurches” [Deus é como uma droga: Explicando cadeias de interação ritual em megaigrejas] foi apresentado na reunião anual da Associação Americana de Sociologia, em Denver. Além de Wellman, Katie E. Corcoran e Kate Stockly-Meyerdirk, estudantes da pós-graduação em sociologia e religião comparada na Universidade de Washington estiveram envolvidos na pesquisa com dados reunidosos desde 2008.

Grandes reuniões de experiências compartilhadas, como shows e eventos esportivos, também desencadeiam sentimentos de euforia, disse a doutoranda Katie Corcoran, co-autora da pesquisa. Segundo ela, “as igrejas parecem ser algo único, onde esses sentimentos não são apenas experimentados como euforia, mas sim como algo transcendente ou divino”.

Os autores teorizam que esse sentimento de “chapação” espiritual é interpretado pelo cérebro como um “coquetel de oxitocina”. Essa experiência transcendente libera a oxitocina, uma substância química que estimula a interação social. Já ficou comprovado que emoção e experiências em grupo aumentam os níveis de oxitocina.

Muitos participantes usaram a palavra “contagioso” para descrever o sentimento de participar de um desses cultos, onde os membros chegam conforme de experiências e acreditam sair do ambiente “energizados”. Um dos fiéis entrevistados relata que “o amor de Deus se torna [...] uma droga que você não pode esperar para vir buscar depois. [...] Você não pode esperar para receber essa ‘dose’ que vem de Deus.” Outro disse: “Você pode olhar para cima e ver o Espírito Santo passar por cima da multidão como uma ‘ola’ em um jogo de futebol”, relata Corcoran.

As megaigrejas conseguem gerar esse estímulo elevado por causa de seu estilo de culto. Os pesquisadores acreditam que elas usam tecnologia e apelos emocionais para criar uma experiência compartilhada por congregações com milhares de pessoas em cada culto. “A música moderna com letras otimistas, câmeras que mostram no telão uma audiência sempre sorridente, dançando, cantando ou chorando, além de um líder extremamente carismático cujos sermões deixam as pessoas sensíveis ao toque do ponto de vista emocional [...] servem para criar essas fortes experiências emocionais positivas”, resume a doutoranda.

O pastor [é] um “gerador de energia”, que se comunica com a congregação através de um sermão fácil, informal e emocional. Ao invés de ser analítico ou teológico, suas mensagens querem que as pessoas presentes apenas “sintam-se bem” ou “compreendam tudo”, ressalta Wellman.

Essa mensagem reconfortante também é uma das chaves para o sucesso das megaigrejas. Afinal, “como você pode atrair tanta gente? Você oferece uma forma genérica de cristianismo que é otimista, emocionante e inspiradora”, diz Wellman, que acrescenta: “Isso não é como os avivamentos antigos. É uma forma nova e híbrida de cristianismo, que é mutante e separada de todas as instituições tradicionais com as quais o cristianismo sempre se identificou.” [...]


Nota Criacionismo: Se o culto provoca apenas euforia, amortece a razão e leva ao êxtase, fenômeno típico de igrejas pentecostais e neopentecostais. Nesse caso, por mais sincero que seja o adorador, ele deve se questionar se seu desejo de ir ao culto (e nessas igrejas há cultos praticamente todos dias, geralmente com “casa cheia”) tem que ver com a vontade de encontrar Deus, louvá-Lo e ouvir Sua Palavra ou se essa motivação está mais para satisfação de um desejo emocional, um “vício”. O verdadeiro culto, segundo o apóstolo Paulo, deve ser racional (Rm 12:1) e tudo o que se faz para Deus deve ser feito com decência e ordem (1Co 14:40). No culto, o adorador deve ser elevado à atmosfera do Céu, deve sentir contrição e desejo de renovação espiritual. Como resultado do perdão e da aceitação de Deus, o adorador manifesta um louvor alegre, porém reverente, pois sabe que está na presença do Criador do Universo. Isso é culto, o resto é show dopamínico.[MB]

Via criacionismohttp://www.criacionismo.com.br/

14/08/12

A Dança na Bíblia

Os adventistas e outros cristãos conservadores têm, em geral, se oposto à dança social, tão popularizada nos nossos dias. Contudo, o salmista, por duas vezes, convida os fiéis a louvarem a Deus “com dança” (Salmo 149:3; 150:4). Isso significa que a dança é apropriada para os cristãos hoje, dentro da igreja, mas imprópria fora?

Muitos vêem nessas referências dos salmos um favorecimento à dança religiosa na igreja, e à dança social fora dos átrios sagrados. Raciocinam que se a dança na Bíblia é um componente de culto, então deve ser uma forma legítima de entretenimento social. Essa suposição é baseada na leitura superficial dos dois textos acima, e numa compreensão errónea da natureza da dança social na Bíblia.

Os eruditos discutem a tradução correta do termo hebraico machowl, vertendo-o como “dançar”, no Salmo 149:3, e como “dança” no Salmo 150:4., machowl é derivado de chuwl, que significa “fazer uma abertura”1, numa possível alusão a um instrumento musical como a flauta. Em ambas as passagens, machowl ocorre no contexto de uma lista de instrumentos usados para louvar o Senhor. Como o salmista está a mencionar todos os instrumentos usados no louvor, é razoável supor que machowl seja também um instrumento musical. O paralelismo da expressão, tão típico da poesia hebraica, também apoia essa conclusão.

Ademais, a linguagem figurativa desses dois salmos não permite uma interpretação literal de dançar. O salmo 149 encoraja o povo a louvar o Senhor nos “leitos” e com “uma espada de dois gumes na mão”, que são, obviamente, expressões figurativas. O mesmo se pode dizer do salmo 150. O propósito dessas passagens não é de especificar o local ou os instrumentos usados para louvar a Deus durante o culto divino, nem é sua intenção conceder licença de dança em homenagem ao Senhor na igreja. Antes, o propósito é um convite ao louvor.

David fundou o ministério musical no templo. Ele instituiu não somente o tempo, o lugar e as palavras para o coral levítico, como também “fez” os instrumentos musicais a serem usados no seu ministério (I Crón. 23:5; II Crón. 7:6).

Os dois instrumentos que acompanhavam o coral levítico eram a lira e a harpa, chamados de “instrumentos de música” (II Crón. 5:13) ou “instrumentos para os cânticos de Deus” (I Crón. 16:42). Sua função era acompanhar os cânticos de louvor e de gratidão ao Senhor (I Crón. 23:5; II Crón. 5:13).

Gaten Wolf disse: “Os instrumentos de corda eram usados extensivamente para acompanhar o cântico, uma vez que não encobriam a voz da `Palavra de Jeová’, que estava a ser cantada”.2

A Bíblia fala sobre dança 28 vezes. Cada referência é uma celebração social de acontecimentos especiais, tais como uma vitória militar, um festival religioso ou uma reunião de família. As danças eram processionais, envolventes ou extasiantes, e praticadas principalmente por mulheres e crianças, que dançavam separadamente.

As Escrituras não indicam que homens e mulheres dançavam juntos, romanticamente, ao modo dos casais de hoje. Como H. M. Wolf observa: “Como o modo da dança não seja conhecido detalhadamente, é claro que homens e mulheres não dançavam juntos em geral, e não há evidência real de que jamais o fizessem”.3

Aqueles que apelam para as referências bíblicas à dança a fim de justificar a dança romântica moderna, dentro ou fora da igreja, ignoram a vasta diferença entre ambas. Aplicar a noção bíblica de dança ao bailado hodierno é um engano, para dizer o mínimo.
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Samuele Bacchiocchi (Ph.D., Pontifícia Universidade do Vaticano), autor de muitos livros, ensinou teologia e história da igreja na Andrews University. O artigo aqui publicado está baseado no capítulo 7 de seu livro The Christian and Rock Music (Berrien Springs, Mich.: Biblical Perspectives, 2000). Endereço: 4990 Appian Way; Berrien Springs, Michigan 49104; EUA.E-mail: sbacchiocchi@qtm.net Site na Web: http://www.biblicalperspectives.com

Notas e referências:
1. Ver, por exemplo, Adam Clarke, Clarke’s Commentary (Nashville, Tenn.: Abingdon, n. d.) 3:688.
2. Garen L. Wolf, Music of the Bible in Christian Perspective (Salem, Ohio: Schmul Publ. Co., 1996), pág. 287.
3. H. M. Wolf, “Dancing,” The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible, Merrill C. Tenney, ed. (Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1976), 2:12.