05/08/13

A Revelação de Deus é Progressiva



Deus é amor! Amor maravilhosamente revelado e transmitido. Amor nem sempre compreendido pelos seres humanos em face de tanta desgraça e destruição. Amor tão infinito que moveu Deus a dar “Seu filho unigénito para que todo aquele que n´Ele crê não pereça mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Necessitamos conhecer esse amor, conhecer esse Deus. Para isso, precisamos saber como Deus se revela e o que Ele tem revelado à humanidade. O grande propósito dessa revelação é demonstrar com clareza quem é Deus, Seu caráter, Sua pessoa, Seus planos. Quando conhecemos isto então poderemos aceitar o convite para sermos Seus amigos. Ele diz: “Com amor eterno te amei, por isso com bondade te atraí” (Jeremias 31:3). Deus deseja nos atrair para Ele pela força de Seu grande amor.
Mas, como podemos conhecer a Deus? Uma das maneiras de conhecermos a Deus é através da Natureza. Davi, o grande salmista, disse: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos” (Salmo 19:1).
Podemos ver Deus na Natureza. Ele é retratado no lindo pôr-do-sol, no grandioso oceano, na calma de um riacho, no vôo tranqüilo dos passarinhos.
Podemos pensar nEle ao contemplarmos o céu pontilhado de estrelas, os campos verdejantes e as lindas flores. Através da Natureza podemos aprender muito sobre o amor de Deus.
A revelação que a Natureza nos dá de Deus é muito importante. Suas obras maravilhosas nos fazem lembrar do amor e cuidado que Ele tem por todas as criaturas. E, mais: nos lembra também o fato de que Ele é o Criador e nós somos Seus filhos.
No entanto, a revelação da natureza não é completa. Há em toda parte evidências dos efeitos do mal. As flores secam, o calor excessivo maltrata, o rigor do inverno castiga, os animais sofrem e até nos cenários mais perfeitos vemos sinais de destruição. Mas, mesmo assim, podemos reconhecer a existência de um Deus que criou todas as coisas.
Deus também é revelado em Sua Palavra, a Bíblia. Através das Escrituras Sagradas podemos conhecer o caráter de um Deus que é misericórdia, bondade, justiça, paciência. Nas páginas do Livro de Deus vemos Sua vontade expressa em palavras e o desejo que Ele tem de que todos sejamos salvos.
Todavia, com nossa mente limitada, é possível que na própria Bíblia não consigamos obter uma completa compreensão de Deus, Seu caráter, e de como realmente Ele é. Mas, há uma revelação perfeita e completa. Jesus Cristo é essa revelação!
Os discípulos não compreendiam bem a Deus e nem O conheciam direito. Porém, queriam conhecer. Então se aproximaram de Jesus e Felipe, um dos doze, disse: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.” E, Jesus, respondeu dizendo: “Felipe, há tanto tempo estou convosco e não Me tendes conhecido? Quem vê a Mim, vê o Pai” (João 14:8 e 9).
A missão de Jesus foi vir e demonstrar como o Pai é realmente e estabelecer a comunhão da humanidade com a divindade. Portanto, o melhor meio de conhecer a Deus é conhecer a Jesus. Ele disse: “Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a Meu Pai” (João 14:7).
Muitos pintam a Deus num quadro de severidade, como um juiz tirano pronto a castigar e praticar vingança. E a Jesus enquadram numa tela que retrata mansidão, bondade, misericórdia. Mas nosso Senhor demonstrou que essa é uma teoria falha. Ele deixou claro que na tarefa de “buscar e salvar o que se havia perdido” não estava sozinho. Nesta missão, tudo o que Ele fez e falou, foi em harmonia e em conjunto com o Pai. O próprio Cristo afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai, porque tudo o que Este fizer, o Filho também semelhantemente o faz” (João 5:19). Logo, por conseqüência, essa diferença entre Deus e Jesus não existe.
O fato é que, no coração, tanto de Deus como de Jesus, a misericórdia é igual à justiça. Na cruz nós vemos e compreendemos perfeitamente a união desses dois atributos divinos. O apóstolo Paulo complementa dizendo que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (II Coríntios 5:19).
Sim, amigo, Jesus é a revelação completa e perfeita de Deus pois Ele mesmo é plenamente Deus e, por isso, o Único que pode apresentar-nos ao Pai como realmente Ele é.
Diante de tudo isso, cabe a pergunta: precisamos realmente conhecer a Deus e o que Ele tem revelado de Si mesmo? Essa é uma pergunta importante. Jesus disse que “vida eterna é conhecer a Deus e a Cristo” (João 17:3).
Se realmente algumas pessoas pensam que tudo nesta vida acaba por aqui mesmo, talvez rejeitem qualquer conhecimento de Deus e de Jesus. Tenho certeza de que você não pensa assim. Sei que lá no fundo do coração, você sente que o homem foi feito para uma vida superior e que tudo não termina num buraco frio e escuro de qualquer cemitério, então você e eu precisamos conhecer a Deus e a Jesus.
Este conhecimento é a diferença entre a vida e a morte. E Deus quer que tenhamos vida e vida em abundância. Deus não tem prazer na morte de ímpios e pecadores, antes quer que todos cheguem ao arrependimento; por isso veio Jesus, a revelação perfeita, demonstrar em palavras e atos este desejo do Pai celestial que tudo ama e cuida de Seus filhos. Aceitaremos seu convite para conhecermos Sua revelação? Meu é que você possa compreender o grande valor desta oferta de amor e que possa aceitá-la para conhecer a Deus e Seu grande amor por todos nós.

02/08/13

Qual a Relação entre o Anticristo e a Nova Era

 “A Nova Era” é um termo usado para descrever um coquetel de práticas, filosofias e crenças fundamentadas no espiritualismo moderno, no humanismo secular e nas religiões místicas, vindas do Oriente.
Embora entrelaçada em todos os campos da atividade humana – literatura, música, teatro, filmes, novelas, terapias alternativas, educação, história em quadradinhos, horóscopo, cristais, pirâmides, ecologia e alimentação – a Nova Era é um movimento difícil de ser identificado. Isso porque não tem um corpo organizado, nem uma estrutura religiosa, nem princípios doutrinários escritos e nem segue um líder visível. No entanto, está em todas as partes, conquistando homens, mulheres, crianças, ateus, racionalistas, religiosos, donas de casa, empresários e profissionais liberais. A Nova Era tem atividades para todos os gostos e preferências.

24/07/13

Permitiu Deus que Raabe Mentisse?

Como explicar o fato da prostituta Raabe ter escondido os espias de Josué, e ter mentido a esse respeito (Jos 2), e Deus ainda usar de misericórdia para com ela e seus familiares? (Jos 6:22-25)
Somos propensos, muitas vezes, a pensar que Deus, para ser justo, deve restringir a Sua oferta de salvação apenas às pessoas moralmente dignas. Mas a mensagem bíblica, revelada tanto no Antigo Testamento como no Novo, é que a oferta de salvação é extensiva a todos os pecadores.
São de Cristo as palavras: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Luc 5:31 e 32). Em Isaías 1:18 é apresentado o convite: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.”
A experiência da prostituta Raabe é uma das mais belas histórias de salvação pela graça “mediante a fé” (Ef 2:8) encontradas nas páginas

16/07/13

Jogos electrónicos X Comportamento infantil

“Em Sua sabedoria o Senhor determinou que a família seja a maior dentre todos os fatores educativos. É no lar que a educação da criança deve iniciar-se. Ali está a sua primeira escola. Ali, tendo seus pais como instrutores, terá a criança de aprender as lições que a devem guiar por toda a vida - lições de respeito, obediência, reverência, domínio próprio. As influências educativas do lar são uma força decidida para o bem ou para o mal. São, em muitos sentidos, silenciosas e graduais, mas, sendo exercidas na direção devida, tornam-se fator de grande alcance em prol da verdade e justiça. Se a criança não é instruída corretamente ali, Satanás a educará por meio de fatores de sua escolha. Quão importante, pois, é a escola do lar!” Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, pág. 107.
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Hoje em dia muitos pais recorrem aos consultórios de psicologia em busca de ajuda sobre o comportamento dos seus filhos. Dizem: “O meu filho é hiperactivo; é agressivo na escola; não consegue concentrar-se; tem deficit de atenção; tem dificuldade de aprendizagem…” enfim as reclamações são muitas e estão aumentando cada vez mais à medida que os anos passam.
Será que podemos afirmar que o comportamento destas crianças pode estar relacionado com o que vêem e/ou jogam? A resposta é SIM! Os jogos electrónicos muitas vezes consomem uma quantidade considerável de tempo de uma criança e produzem efeitos negativos. Vejamos alguns deles:
Isolamento social: de acordo com o National Institute on Media e da Família, crianças que gastam uma quantidade de tempo jogando videogames podem tornar-se socialmente isoladas. Muitas vezes, elas acabam gastando a maioria de seu tempo na frente do computador ou jogo e tornam-se menos envolvidos em relacionamentos reais.
Violência: apesar da violência nos jogos de vídeo ser uma preocupação entre alguns pais e a sociedade, sua quantidade não tem abrandado, pelo contrário tem sido cada vez mais real. Esta repetida visualização de atos violentos cometidos pelo jogador, bem como as recompensas dadas para cometer estes atos, pode dessensibilizar as crianças a este comportamento inaceitável no mundo real.
Problemas de concentração e irritabilidade: segundo o professor de neurologia (Akio Mori) da Universidade

03/07/13

Jesus é o Cordeiro de Deus


Quando Jesus é chamado de Cordeiro de Deus em João 1:29 e João 1:36, é uma referência ao fato de que Ele é o sacrifício perfeito e definitivo pelo pecado. Para podermos compreender quem Cristo era e o que Ele fez, precisamos começar no Velho Testamento, onde encontramos as profecias sobre a vinda de Cristo como “expiação do pecado” (Isaías 53:10). Na verdade, o sistema de sacrifícios estabelecido por Deus no Velho Testamento preparou o terreno para a vinda de Jesus Cristo – o perfeito sacrifício que Deus providenciou como expiação pelos pecados de Seu povo (Romanos 8:3; Hebreus 10).
O sacrifício de cordeiros fez um papel muito importante na vida religiosa dos judeus e no seu sistema de sacrifícios. Quando João Batista se referiu a Jesus como o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (João 1:29), os judeus que o escutaram provavelmente pensaram imediatamente em um dos vários sacrifícios importantes. Com a época da páscoa judaica se aproximando, o primeiro pensamento pode ter sido o sacrifício do cordeiro da páscoa. A festa da páscoa era uma das mais importantes festas judaicas e uma celebração em memória de quando Deus livrou os israelitas da escravidão no Egito. Na verdade, o sacrifício do cordeiro da páscoa e o processo de marcar com sangue as ombreiras e as vergas da porta das casas para o anjo da morte passar pelas pessoas que estavam “cobertas pelo sangue” (Êxodo 12:11-13) é um lindo retrato do trabalho expiatório de Cristo na cruz.
Um outro sacrifício importante que envolvia cordeiros era os sacrifícios diários no Templo de Jerusalém. Todas as manhãs e tardes, um cordeiro era sacrificado no Templo pelos pecados do povo (Êxodo 29:38-42). Esses sacrifícios diários, como todos os outros, tinham como propósito apenas direcionar as pessoas para o sacrifício perfeito de Cristo na cruz. Na verdade, a hora da morte de Jesus na cruz corresponde à hora do sacrifício noturno que estaria sendo realizado no Templo. Os judeus daquele tempo também teriam conhecimento dos profetas do Velho Testamento como Jeremias e Isaías, cujas profecias previram a vinda daquele que seria como “cordeiro levado ao matadouro” (Jeremias 11:19; Isaías 53:7) e cujo sofrimento e sacrifício providenciariam a redenção para Israel. Naturalmente, a pessoa que foi profetizada pelos profetas do Velho Testamento era Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus”.
Enquanto a ideia de um sistema de sacrifícios pode nos parecer estranha nos dias de hoje, o conceito de pagamento ou restituição ainda é um que podemos facilmente entender. Sabemos que o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23) e que nossos pecados nos separam de Deus. Também sabemos que a Bíblia ensina que somos todos pecadores e que nenhum de nós é justo diante de Deus (Romanos 3:23). Por causa de nosso pecado, somos separados de Deus, e permanecemos culpados diante d´Ele; portanto, a única esperança que podemos ter é se Deus vai providenciar um caminho para nos reconciliar a Ele e foi isso o que Ele fez ao mandar Seu Filho Jesus Cristo para morrer na cruz. Cristo morreu para fazer expiação pelo pecado e para pagar pela penalidade dos pecados daqueles que têm colocado sua fé n´Ele.
É através de Sua morte na cruz como o sacrifício perfeito de Deus pelo pecado e pela Sua ressurreição três dias depois que agora podemos ter vida eterna se acreditarmos nEle. O fato de que Deus mesmo tem providenciado o sacrifício que expia (paga) pelo nosso pecado é parte da gloriosa boa notícia do Evangelho que é tão claramente descrita em 1 Pedro 1:18-21: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.”

JESUS, O CORDEIRO DE DEUS.

30/06/13

Jesus Cristo: O único que pode oferecer liberdade

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanece, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão (Gl.5.1)

Escrevemos esse artigo para celebrar nossa salvação, lembrando da cerimônia memorial de sua morte, a ceia. Nela, estamos em comunhão com nossos irmãos, relembrarmos o sacrifício de Cristo, de reavaliarmos nossas vidas, de nos arrependermos por nossa intensa maldade que não apenas nos assedia como nos seduz a abandonarmos as instruções do nosso Deus. É por isso que escrevemos esse post para celebrar nossa liberdade em Cristo Jesus, nosso acesso direto e pessoal a Deus. Hoje estamos aqui para nos colocarmos em sua presença em gratidão por tudo que ele já fez por nós, pelo que tem feito, e pela esperança que temos de que, conforme sua vontade ele continuará a fazer em nós e por nós.

Por isso, gostaria de convidar a você a celebrar nossa liberdade em Cristo, pois foi para a liberdade que Cristo nos libertou“.

A. Libertos da escravidão

A situação dos gálatas a quem Paulo escreve era bem perigosa, pois estavam se deixando levar (5.7, 8 ) por algum tipo de teologia (1.9) que acaba por corromper a vida do cristão liberto por Cristo (5.1, 13). Seja o retorno a submissão à lei (5.3) seja pela vida licenciosa (5.13, 16), Cristo nos chamou para liberdade. Não importa onde você estava antes de conhecer a Cristo, você foi convidado para a liberdade.

28/06/13

Jesus Cristo: O único que pode oferecer liberdade

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanece, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão (Gl.5.1)

Escrevemos esse artigo para celebrar nossa salvação, lembrando da cerimônia memorial de sua morte, a ceia. Nela, estamos em comunhão com nossos irmãos, relembrarmos o sacrifício de Cristo, de reavaliarmos nossas vidas, de nos arrependermos por nossa intensa maldade que não apenas nos assedia como nos seduz a abandonarmos as instruções do nosso Deus. É por isso que escrevemos esse post para celebrar nossa liberdade em Cristo Jesus, nosso acesso direto e pessoal a Deus. Hoje estamos aqui para nos colocarmos em sua presença em gratidão por tudo que ele já fez por nós, pelo que tem feito, e pela esperança que temos de que, conforme sua vontade ele continuará a fazer em nós e por nós.

Por isso, gostaria de convidar a você a celebrar nossa liberdade em Cristo, pois foi para a liberdade que Cristo nos libertou“.

A. Libertos da escravidão

A situação dos gálatas a quem Paulo escreve era bem perigosa, pois estavam se deixando levar (5.7, 8 ) por algum tipo de teologia (1.9) que acaba por corromper a vida do cristão liberto por Cristo (5.1, 13). Seja o retorno a submissão à lei (5.3) seja pela vida licenciosa (5.13, 16), Cristo nos chamou para liberdade. Não importa onde você estava antes de conhecer a Cristo, você foi convidado para a liberdade.
No primeiro verso do quinto capítulo da sua carta aos gálatas, Paulo diz: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão“. A princípio, o que nos chama a atenção nesse verso é a aparente redundância que existe na frase: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou“. Mas, na verdade a linguagem aqui precisava ser forte, até mesmo repetitiva, pois Paulo intencionava ressaltar quão tolo seria ser liberto e voltar a submeter-se a uma nova espécie de escravidão. Guthrie chega a sugerir que, ser liberto e não desfrutar da liberdade oferecida seria uma ofensa Àquele que o teria liberto[1].
Evidentemente, era vontade de Deus que desfrutássemos de verdadeira liberdade com Ele, visto que teria enviado Seu Filho para oferecer completa liberdade aos que crêem Nele como o Salvador do Mundo (Jo.4.41-42).
É por essa razão que Paulo acresce: “Permanecei, pois firmes e não vos submetais novamente a jugo de escravidão“. A idéia é que os cristãos deveriam apegar-se à decisão de desfrutar dessa liberdade com intensidade, visto que, caso contrário, estariam deixando de continuar a obedecer à verdade (Gl.5.7). Talvez essa ordem fosse uma necessidade visto que falsos mestres estavam a assolar essa comunidade.
Mas, a que poderia o apóstolo referir-se ao “jugo de escravidão“? Pelo contexto, podemos perceber que isso faz referência à instrução deixada pelos judaizantes que procuravam justificar-se na lei (Gl.5.4). Ao que tudo indica, Paulo exorta seus leitores a rejeitar essa idéia e a desfrutarem da liberdade oferecida por Cristo (Gl.2.4), pela imposição da completa obediência do cerimonial judaico, o que de certa feita inclui a Lei.
Isso nos faz pensar que a Lei é má? De modo algum. Paulo mesmo já teria nos ensinado: “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa” (Rm.7.16). Tiago também nos lembra que a lei é perfeita e que ela concede liberdade (Tg.1.25). O que então Paulo esta a ensinar?
Que aqueles que se justificam diante de Deus pelas obras da lei, decaíram da graça, de Cristo foram desligados (Gl.5.4), transformaram Jesus em algo desnecessário (Gl.5.2) e estão obrigados a cumpri-la por inteiro (Gl.5.3).
Essa conclusão é importante, visto que até mesmo os que são judeus por natureza precisam ser justificados pela fé, visto que ninguém será salvo por obras da lei (Gl.2.14, 15; cf. Rm.3.20, 28)

B. Libertos da licenciosidade

Pouco à frente, Paulo reforça: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor“. A forma como Paulo escreve (verbo no passado – aoristo grego) sugere que os gálatas não apenas conheciam essa tal liberdade, como dela já haviam desfrutado. Isso ainda reforça um pouco da mentalidade de Paulo sobre o posicionamento ilógico que os gálatas tinham tomado diante da situação.
Mas, Paulo relembra que liberdade e licenciosidade não são a mesma coisa: “porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne“. A impressão que alguém poderia ter ao ouvir da não necessidade de salvar-se diante de Deus por meio das obras da lei, ou da obediência irrestrita é que a vida poderia ser lavada de qualquer forma uma vez que o que se requer para ter vida com Deus é fé.
Nada mais longe da verdade! Paulo quer relembrar ao seus leitores que, muito embora a vida eterna não seja conquista por boas obras (Ef.2.8-9), ou por obras da lei (Rm.3.20), isso não significa que o cristão deve desobedecer as instruções morais de Deus. Muito pelo contrário, o desenvolvimento do relacionamento do cristão com Deus, depende do seu desenvolvimento espiritual e moral, sendo que um não vem sem o outro.
Na verdade é válido lembrar que antes de Cristo é que éramos licenciosos: “…entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais“. A licenciosidade na verdade é uma marca daqueles que ainda não conheceram a Cristo (Ef.4.17-19).
Por isso é que Paulo é enfático ao dizer fomos chamados para liberdade, o que inclui a vida moral acertada diante de Deus, pois não temos mais necessidade de vivermos entregues à devassidão.

C. Libertos para servir

Da mesma forma que fomos libertos do jugo da escravidão e da licenciosidade, fomos feitos homens livres para servirmos os nossos irmãos: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl.5.13).
Aqui temos um daqueles paradoxos interessantes: Como alguém que é liberto é convidado a agir como servo de alguém? Isso eventualmente não soa como algo aprazível nem desejável. Entretanto, o que percebemos aqui é que a atitude daquele que é salvo, não é mais buscar satisfazer-se, mas que agora, ele está liberto do seu egoísmo e pode de modo espontâneo prestar serviço aos seus irmãos em Cristo.
O cristão deve fazer isso por intermédio do amor de Deus que flui em sua vida. Ou seja, reflexo do seu serviço é o seu amor.

[1] GUTHRIE, Donald, Gálatas: Introdução e Comentário, pp.163