25/09/13

A PARÁBOLA DO RICO E LÁZARO

1. Hoje responderemos a uma questão levantada pelos imortalistas: Se os adventistas não crêem que os justos vão para o Céu e os ímpios vão para o Inferno, logo após a morte, como podem explicar a história do Rico e Lázaro, narrada pelo próprio Cristo? Se o relato não ensina que o homem vai ou para o Céu ou para o Inferno, então, o que ensina a história?

2. Começaremos dizendo que realmente NÃO CREMOS que os justos vão para o Céu e os ímpios para o inferno logo após a morte. Este não é o ensino da Bíblia. A Bíblia ensina que os mortos tanto justos como injustos vão todos para a sepultura e aguardam a ressurreição e o Juízo, e só depois serão destinados para diferentes lugares, conforme os resultados do Juízo.

3. Mas, então, COMO ENTENDER a História do Rico e Lázaro?

Luc 16:19-31:
"19  Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.
20  Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;
21  e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.
22  Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.
23  No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
24  Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25  Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26  E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
27  Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
28  porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.
29  Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30  Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
31  Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."

I – JESUS CONTOU UMA PARÁBOLA

[1] Jesus contou uma "estória". Vamos assentar em primeiro lugar que Ele não contou uma história verídica. Ele contou uma estória imaginária, tirada das crenças populares. Ele contou simplesmente uma parábola.

Alguns insistem dizendo que Jesus contou não uma parábola, mas uma história verdadeira, uma história real pelo modo como se iniciou: "Ora, certo homem, ..." (16:19). Isto não é uma forma de se contar uma história?

Resposta: Jesus contou as 2 parábolas anteriores, iniciando com as mesmas palavras. (Lc 15:11; 16:1). Portanto, não há nenhum problema em começar uma parábola desta forma, iniciando como se fosse contar uma história qualquer.

[2] o que é uma parábola?

Parábola é uma história imaginada, tendo o objetivo de ensinar algumas lições, sem a preocupação de que os pormenores sejam verdadeiros. Uma parábola, embora tenha mais de uma lição, sempre tem uma lição principal.

Mas por que nós insistimos em dizer que isto é uma parábola? Ora, se é apenas uma parábola, [a] Não é verdadeira, nunca aconteceu, nem acontecerá. [b] Se é apenas uma parábola, deve possuir uma lição principal, e isto é o que é importante, e não o enredo ou os pormenores. [b] Se é uma parábola, não serve para ensinar doutrina, conforme a regra.

[3] Qual é a 1ª REGRA DE INTERPRETAÇÃO das parábolas?

[a] A grande regra de interpretação das parábolas é a seguinte: "Não podemos tirar uma DOUTRINA de qualquer parábola, quando essa doutrina entra em choque com as outras passagens mais claras da Escritura."

[b] O Dr. William Smith, em seu Dicionário da Bíblia, vol. 2, p. 1.038: "É impossível firmar a prova de uma importante doutrina teológica numa passagem que reconhecidamente é abundante em metáforas judaicas."

[c] o Dr. Edershein, em seu livro sobre a Vida de Jesus [Life and Times of Jesus], afirma categoricamente: "A doutrina da vida após à morte não pode ser extraída desta parábola."

II - INCOERÊNCIAS NA PARÁBOLA

Há alguns pontos de incoerências que não podem ser aceitos em uma história verídica. Vamos apresentar 4 deles.

[1] Os Personagens não eram Almas (v. 23, 24).

Eles têm olhos, e portanto: rosto, cabeça, pescoço. Têm dedos: mão, braço, antebraço, tronco. Têm língua: boca, aparelho digestivo. Ora, uma alma, conforme a crença popular, (1) não tem funções físicas da matéria, (2) não precisa de água, e (3) não pode ser queimada no fogo.

Mas na parábola, o castigo do Inferno é no corpo e não na alma. Isso contradiz a crença popular de que ao morrer, a alma do rico é que foi para o Inferno. Quando Cristo falou do Inferno, Ele disse: "Convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno." (Mt 5:30). Cristo ensinou que o castigo será no corpo, e não na alma desencarnada.

Entretanto, uma alma, como geralmente é descrita, sendo imaterial, incorpórea, imponderável, invisível, de forma simples, etérea como um espírito intangível – sendo tudo isso [embora nunca jamais alguém tenha visto semelhante coisa para afirmar com certeza] – essa alma/espírito não pode sentir a ação do fogo porque o fogo só queima coisas materiais. Portanto, se o rico está no Inferno em tormentos, não podia estar a sua alma, porque o tormento do fogo só é sentido no corpo, e não na alma.

[2] O Inferno está próximo do Céu

Como pode o Céu estar tão próximo do Inferno, de tal modo que é possível a comunicação de justos com injustos?

Será isso possível? Se isso fosse possível, imagine o desespero, a aflição e a angústia de uma mãe cujos filhos se perderam e se encontram nas chamas crepitantes do Inferno, e podendo vê-los e se comunicar com eles, e eles rogando misericórdia e ela sem poder fazer nada para aliviar o seu sofrimento que se estenderá por toda a eternidade! Certamente, o Céu para essa mãe seria um outro Inferno! Como poderia ela ser feliz?

A Bíblia não contém a doutrina do Céu próximo do Inferno de modo que os justos que estão no Céu podem ver os perdidos, a tal ponto que podem contemplar o seu sofrimento e falar com eles! Deus é muito sábio para cometer esse erro! Ele é muito justo para praticar esta injustiça! Ele é muito amorável para permitir que os salvos sofram ainda as consequências do pecado por toda a eternidade!

[3] Há um grande abismo entre justos e ímpios (26)

Se havia um grande abismo, como o rico não viu isso? Se havia um grande abismo, como podiam falar entre si? Se o Céu está tão próximo do Inferno, de tal modo que podem falar entre si, como há um grande abismo?

Se havia um grande abismo, como poderia Lázaro estender a ponta do dedo até a boca do rico? O seu braço não alcançaria tamanho abismo. E como poderia uma simples gota de água ser suficiente para refrescar a língua de alguém que está num lago de fogo? Certamente, antes de chegar a gota, haveria de evaporar-se.

[4] Abraão chama ao rico de "Filho"! (25)

Mas quem são os filhos de Abraão? "Os da fé é que são filhos de Abraão!" disse o apóstolo Paulo (Gál 3:7). A parábola não disse que ele era um homem de fé. Pelo contrário, ele não tinha ligação com Deus. Não era um homem religioso. Nem tampouco o pobre mendigo para que fosse para o Céu. Portanto, nenhum deles era filho de Abraão.

Estas são incoerências que não podem ser admitidas em uma história verdadeira.

III – OITO ENGANOS TEOLÓGICOS

Por que essa parábola não pode ser uma história verídica? Por que não podemos retirar dela uma doutrina dos mortos?

Há Oito Enganos, há OITO EQUÍVOCOS TEOLÓGICOS na parábola que estão em CONTRADIÇÃO com as demais doutrinas da Bíblia. Isso não pode acontecer.

1º Engano: Existe Vida Após a Morte

A estória diz que o rico e o pobre morreram e foram ambos levados pelos anjos para viver em diferentes lugares. Eles morreram. Mas eis que estão vivos! Abraão, o rico e Lázaro morreram, mas aparecem vivos na parábola. 

Mas o que é morte? Morte é cessação da vida. Morte é o contrário da vida. Depois da morte, não há vida. Notem o que disse o patriarca Jó inspirado por Deus: Jó 14:10, 11-12, 14: "O homem, ... morre e fica prostrado; expira o homem e onde está?" Onde está o homem que morre? A pergunta é retórica e contém uma resposta evidente: "Ele não está mais presente! Ele está morto!" Mas Jó ainda continua: "Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono." (vs. 11-12). Como um rio seca, assim o homem morre e não se levanta, não tem vida, não pode se mexer. Está seco, vira pó. Não está vivo.

A doutrina de muitos hoje é que o homem morre e continua vivo, em algum lugar. Mas a Bíblia diz que a morte é a cessação da vida. "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" (v. 14). A resposta dada pelo mesmo Jó é um categórico "Não!". A vida do homem morto depende da ressurreição. Antes disso, ele continuará morto, aguardando a manhã da ressurreição, quando então, acordará de seu sono profundo e imperturbável.

E quanto a Abraão? Não estaria no Céu o pai da fé?  Não. A Bíblia diz que ele ainda não foi ressuscitado (Hb 11:8,13,16,39). Abraão não pode estar no Paraíso, porque ele ainda não obteve a concretização da promessa.

2º Engano: A Recompensa Será Depois da Morte

Lázaro recebeu a sua recompensa logo após a sua morte. Foi para o seio de Abraão, entrou na bemaventurança eterna. Mas isso contradiz a própria doutrina que Jesus Cristo nos deixou. Ele disse em Luc 14:14: "A tua recompensa, ... tu a receberás na ressurreição dos justos." A recompensa dos justos será dada apenas no dia da Ressurreição. Portanto, não devemos esperar que os mortos antes da ressurreição sejam galardoados. Você receberá a sua recompensa só na ressurreição, não antes. A parábola não está de acordo com as próprias palavras de Cristo, ao ensinar a doutrina escatológica.

A recompensa não será após a morte, mas após a Ressurreição. Ora, se a parábola entra em choque com a doutrina de  Cristo, é evidente que Ele não desejava ensinar a doutrina que a parábola sugere.

3º Engano: Os Mortos Vão para Lugares Diferentes

O rico foi para o inferno; e Lázaro foi para o seio de Abraão. Ambos foram para lugares diferentes, após a sua morte. Será que isso é verdade? Não. O que a Bíblia ensina sobre ricos e pobres, após à morte? Para onde vão os ricos e para onde vão os pobres? E por analogia, para onde vão os animais, logo que morrem?

Lemos em Ecl 3:19-20: "O que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade.   Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão." O profeta não está falando do corpo dos mortos, mas das pessoas mortas. Ricos e pobres vão para o mesmo lugar. Justos e ímpios vão para o mesmo lugar. Todos são iguais diante de Deus. O destino do homem não será diferente no momento da morte. Todos vão para a sepultura. Assim também ocorre com os animais.

4º Engano: Os Mortos Estão Conscientes

O rico está conversando com Abraão, e suplicando misericórdia, e portanto, estão conscientes depois da sua morte. É possível isso? Não de acordo com o ensino da Bíblia. A Palavra de Deus ensina que os mortos estão inconscientes.

Disse mais o sábio Salomão em Ecl 9:5-6: "Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol"

Os mortos estão em completa inconsciência, eles não podem se comunicar com os vivos, eles não sabem o que se passa com os vivos, eles não se falam entre si mesmos, eles não podem se comunicar com os anjos, eles não podem adorar nem louvar a Deus, porque eles estão inconscientes num sono sem sonhos e sem pesadelos. De fato, eles estão mortos e completamente mortos, e isso significa que não participam de nenhuma espécie de vida.   

O próprio Cristo falou de Lázaro, o seu amigo, quando ele morreu, que ele estava dormindo o sono da morte (Jo 11:11-14). Mas uma pessoa que está dormindo está em completa inconsciência. E não era só o corpo de Lázaro que dormia. Era ele mesmo quem dormia inconsciente. Cristo não poderia se contradizer. Na parábola, Ele está ilustrando outra coisa. Não a doutrina dos mortos.  E Ele nunca Se contradiz.

Com efeito, toda a Bíblia ensina que os mortos estão inconscientes, no pó da terra, dormindo o sono da morte, aguardando a ressurreição. E nenhuma parábola pode desfazer a verdade dessa doutrina firmemente estabelecida na Bíblia.

5º Engano: Pedir a Intercessão dos Santos Mortos

O rico pede a intercessão do pai Abraão (Lc 16:24). Hoje muitas pessoas estão fazendo a mesma coisa e cometendo o mesmo erro, pedindo a intercessão dos santos que já morreram. Eles pensam que os santos que estão no Céu podem falar a Deus e convencê-lO a nos ajudar mais prontamente do que nós que estamos tão longe.

O apóstolo Paulo no entanto, afirmou que só há um Intercessor. Em 1Tim 2:5-6: "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a Si mesmo se deu em resgate por todos" A Bíblia ensina que temos um único Advogado e Intercessor, que é Jesus Cristo o nosso Senhor, que morreu por nós na Cruz. Ninguém mais é chamado a interceder por nós diante de Deus, além de Jesus.

6º Engano: O Paraíso dos Justos é o Seio de Abraão

O Céu é pintado com anjos e o pai Abraão, em cujo seio o mendigo foi abrigado. Esse paraíso é muito estranho. Não se compara com o verdadeiro Paraíso que Deus está preparando para os justos.

Qual é o verdadeiro Cenário do Céu? Qual é o Paraíso da habitação de Deus? Isaías contemplou a Deus no seu alto e sublime trono, cercado de anjos serafins, louvando a Trindade e cantando: "Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos" (Isa 6:1-3). Estêvão teve uma visão na qual ele contemplou a Deus no Seu trono e a Jesus em pé à Sua direita (Atos 7:56).

João contemplou o Céu e viu um Santuário, com os dois compartimentos, no qual Cristo administra, e intercede por nós.  Ele viu o trono de Deus, no qual está assentado o Pai, e o Seu Filho, Jesus Cristo, e ao Seu redor bilhões de anjos que louvam a Trindade, cantando: "Santo, Santo, Santo é o Senhor".  Este é o cenário do Céu. Além disso, Ele viu Novos Céus e Nova Terra, onde habitarão os justos. Ele viu a nova Jerusalém descendo do Céu. O pai Abraão, abrigando mendigos, nem é mencionado, e nem foi encontrado, embora estará também entre os salvos.

7º Engano: O Inferno já Existe Presentemente

A parábola diz: "No inferno, estando em tormentos..." (v. 23). Dizem os imortalistas que a parábola ensina o tormento eterno. Porém, o relato, embora fale em tormento infernal, não diz que ele será eterno.

O que é o Inferno? A Bíblia fala nos informa que o Inferno é um lugar de tormentos destinado a Satanás e os seus anjos que com ele entraram em rebelião contra Deus. E todos os ímpios que se identificam com o Diabo e escolhem o pecado e a rebeldia, também sofrerão o castigo no mesmo lugar (Mt 25:41).

Mas, será que o Inferno já existe? A parábola diz que o rico morreu e foi direto para o Inferno. Mas o que diz a Bíblia sobre a época do castigo? O tempo do castigo é no presente ou no futuro? Será que o castigo dos ímpios no Inferno é aplicado logo após a morte?  

A Bíblia ensina sobre o tempo em que acontecerá o Inferno: Apo 20:7, 15: "Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão... E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo." Quando será o Inferno? No final do Milênio, e só então, ocorrerá o Juízo Executivo, o Lago de Fogo, quando os ímpios receberão o castigo de suas obras. Nesse tempo, o fogo que castiga os ímpios também os destrói, porque o Lago de fogo é chamado "a segunda morte", e morte significa cessação de vida.

Portanto, o Inferno não existe agora, presentemente. Não existe agora um lugar de tormento. Os imortalistas não precisam se preocupar, porque os seus parentes mortos que não se salvaram não estão queimando agora, e não serão atormentados para sempre.

8º Engano: A Salvação Vem Pelo Mérito da Pobreza

Por que o rico se perdeu? E por que Lázaro se salvou? O rico se perdeu porque era rico, e Lázaro se salvou porque era pobre. Ainda mais: o rico não era mau, não era ímpio, nem Lázaro era bom, e muito menos religioso. Mas Lázaro se salvou pelo mérito da pobreza e miséria em que se encontrava na terra.  

Certa vez um cristão se aproximou de um mendigo que lhe pediu uma esmola. Então, ele lhe passou uma esmola, e querendo ajudar mais com a mensagem do Evangelho, disse ao mendigo, que também era paralítico: "Você já aceitou a Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal?" O mendigo lhe falou: "Por quê?" "Ora", disse o cristão "porque Cristo pode curar a você, você será salvo e perdoado dos seus pecados, e levado para o Céu, e viverá eternamente!" "Mas, por que você acha que eu estou sofrendo tudo isso? Eu suporto a fome, o desprezo dos outros, eu sou paralítico! Quando eu morrer eu vou direto para o Céu, porque Deus vai me dar a recompensa, porque eu já paguei todos os meus pecados! Por isso eu estou sofrendo aqui na terra. E todos os ricos vão pagar no fogo do Inferno!" Ledo engano. Tudo errado.

Quais são as condições da salvação? O apóstolo Paulo ensina que tanto ricos como pobres são salvos pela graça de Deus pela fé que resulta em boas obras (Efé 2:8-10). A Bíblia fala que muitos ricos hão de se salvar, como Jó, Davi, Salomão, Nicodemos, Zaqueu. Mas também fala que muitos pobres vão se perder, junto com os ricos, e os grandes deste mundo (Apo 6:15-17).

Tudo indica que a Parábola do Rico e Lázaro não passa de uma alegoria, uma estória, uma simples parábola. Encontramos em Isaías uma estória semelhante, a Alegoria da Queda de Babilônia, em que os reis mortos falam entre si na sepultura a respeito do rei de Babilônia, que também foi morto e sepultado entre eles (Is 14:9-10). Também encontramos no livro de Juízes o Diálogo das Árvores em que elas falavam com outras 4 árvores pedindo-lhes que reinassem sobre elas (Jz 9:8-15). Esses são exemplos de alegorias e não podem ser tomadas ao pé da letra.  

Portanto, a estória do Rico e o Mendigo não é verdadeira, é uma estória imaginada da época conforme as ideias populares. E Jesus usou essas crendices e montou a parábola, a fim de advertir ao povo em seus próprios termos e em suas próprias estórias.

IV - LIÇÃO PRINCIPAL

Toda parábola tem uma lição principal, que serve de base e objetivo por que a parábola foi contada. E aqui temos a lição principal: Busque a Deus, enquanto você tem vida aqui nesta terra, porque depois da morte, não haverá mais oportunidade de salvação.

De que modo devemos buscar a Deus?

1. Devemos buscar a Deus prioritariamente.

Cristo contou essa parábola para os fariseus. O que acontecia com eles? Luc 16:14: Os fariseus "eram avarentos." As suas prioridades estavam nos bens materiais. A sua confiança estava no dinheiro e só se preparavam para as coisas desta vida, não para o futuro. Eles não estavam buscando a Deus; antes, buscavam as riquezas, e serviam a Mamon. Disse Cristo portanto: Preparai-vos para o amanhã de Deus. "Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Lc 16:13). "Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mt 6:33).

2. Devemos buscar a Deus reverentemente.

Luc 16:14: "Os fariseus ouviam tudo isso e O ridicularizavam". Não manifestavam reverência para com Cristo que lhes dizia a verdade. E Ele era Deus. Hoje muitas pessoas têm esta mesma atitude: Eles ouvem a verdade de Cristo, mas como não estão dispostos a abandonar os seus pecados, ridicularizam-nO, debocham dEle, e O rejeitam. Mas, a semelhança do rico da parábola, podem se perder para sempre. Esta é uma advertência para todos os que tratam as coisas de Deus levianamente, de modo debochado, ridicularizado. Mas Ele com infinito amor ainda estende o Seu convite: "Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei." (Mt 11:28).

3. Devemos buscar a Deus presentemente. 

Busque a Deus hoje, agora, antes que seja tarde demais. Para o rico, foi tarde demais. Os fariseus consideravam que uma pessoa rica era abençoada por Deus e já era por isso um candidato certo para a salvação eterna. Mas Cristo ensinou que isso era um engano. Ricos e pobres têm que buscar a Deus hoje porque depois da morte não haverá mais oportunidade de nos prepararmos para a eternidade. Hoje é o dia da salvação. Preparai-vos hoje para o amanhã de Deus.

CONCLUSÃO

1. Portanto, aqui temos não uma história verídica, mas uma parábola que não pode nos ensinar sobre o estado dos mortos, que jazem nas sepulturas, aguardando a ressurreição.

2. Mas a parábola tem uma lição principal como todas as parábolas: Busque a Deus antes que seja tarde demais.

3. Portanto, busquemos a Deus em primeiro lugar, busquemos a Deus prioritária, reverente, e presentemente.

4. Somente assim você poderá evitar o Inferno e alcançar o Céu.

PR. ROBERTO BIAGINI

16/09/13

Será que Deus existe?

Deus talvez não possa ser provado através de fórmulas matemáticas ou propriedades físicas, mas vivemos em uma era em que as provas de Deus estão ao nosso redor. Basta olhar através do telescópio Hubble e dar uma olhada no vasto cosmos. Veja o monitor de um microscópio electrónico de varredura e mergulhe no complexo mundo de uma célula orgânica. Sente-se e leia uma biblioteca inteira de informações que revela a complexidade do código digital que transforma o óvulo fertilizado em um ser humano. Estude os princípios da mecânica quântica e investigue o mundo extradimensional. Revise a natureza de sua consciência, subconsciência, padrões de moralidade, os pensamentos da religião. Então, tente conciliar todas estas realidades com uma teoria básica de aleatoriedade. Não acreditar em Deus é muito mais um "salto de fé" do que nunca.

Deus - Um breve resumo dos argumentos principais:
•Ordem. Deus fornece a melhor explicação para as noções abstratas, tais como números, fórmulas e propriedades.
•Causalidade. Deus fornece a melhor explicação para a existência do universo e tudo o que nele existe.
•Design. Deus fornece a melhor explicação para a ordem complexa nas entidades cosmológica e biológica.
• Moralidade. Deus fornece a melhor explicação para a existência dos valores morais/éticos e objetivos no mundo. Em Romanos 5:12, lemos que "como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram."

Deus: Se existe, como é Ele?
 Deus tem sido descrito de todas as formas, de uma impessoal "força da vida" a um Criador pessoal, da Mãe Natureza ao Senhor Todo-Poderoso. Embora a humanidade tenha criado várias descrições para Deus ao longo do tempo, devemos na verdade avaliar os padrões eternos da verdade já entregues na Bíblia.

 É claro que é preciso estabelecer a credibilidade e a confiabilidade da Bíblia antes de tentar definir Deus através dela. Bem, como em nenhum outro momento da história, temos estabelecido a verdade do registro bíblico. Basta explorar os tesouros arqueológicos que estabelecem a veracidade dos acontecimentos bíblicos. Reveja os manuscritos recentemente descobertos, como os Manuscritos do Mar Morto, os quais comprovam a confiabilidade dos textos bíblicos. Estude as mais de 600 profecias cumpridas nas escrituras bíblicas, incluindo o cumprimento da profecia em Israel durante as últimas décadas. Leia a Bíblia em si como um desafio intelectual e descubra a inerente complexidade e integração contidas em seus 66 livros, escritos por 40 autores inspirados, durante um período de cerca de 1.600 anos.

Deus: Você vai descobrir a Sua verdadeira natureza na Bíblia

 Deus - Ao estabelecer que a Bíblia é um documento credível e confiável, nela devemos buscar conhecer mais sobre o verdadeiro caráter e atributos de Deus. Ao explorar a Bíblia, você vai descobrir a Sua natureza imutável. Deus é Espírito - infinito e eterno. Deus é soberano. Deus é omnipotente (todo-poderoso), omnisciente (tudo sabe) e omnipresente (está em todos os lugares em todos os tempos). Deus é perfeitamente santo e perfeitamente justo. Deus é sabedoria, poder, glória, justiça, misericórdia, fidelidade, bondade, beleza e paciência. Deus é amor. Deus é a verdade.

09/09/13

Seria Possível Unir Todas as Religiões do Mundo?

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O Patriarcado Bizantino católica baseada na autoridade apostólica e profética diante do mundo publica uma dolorosa realidade: a Igreja cristã de que a homossexualidade publicamente aprovar, negar as leis de Deus e para si mesmos mergulhou o anátema de Deus. Eles não podem mais ser chamado Igreja de Cristo, como se tornou uma prostituta anticristo (Ap 17,1-6).


Processo de decomposição de liquidação do cristianismo através da homossexualidade pode ser interrompido se uma condição for satisfeita: Todas as igrejas cristãs devem se arrepender. Devem abster-se de pensar e de espírito deste mundo e ter o pensamento de Cristo e do Seu Espírito. "Quem não tem o Espírito de Cristo, tal não é dele" (Romanos 8:9). Também se aplica o convite de Cristo: "Se você não se arrependerem, todos perecereis". (Lucas 13:3)

O arrependimento - uma mudança de pensamento é a primeira vez que "a palavra de Deus será novamente visto como palavra de Deus, e não como palavra de homens."

A igreja cristã deve renunciar ao método histórico-crítico na teologia (HCT), que nega a inspiração das Escrituras, a divindade de Cristo e Sua ressurreição histórica e real. Também deve renunciar ao pensamento falso que está associado com o espírito de Assis, que nega a unicidade da salvação em Jesus Cristo, e mantém um falso respeito pelas religiões pagãs e seus demônios. Arrependimento deve ocorrer hierarquia apóstata primeira de todas as igrejas cristãs e falsos profetas - os teólogos liberais e gay. Se os crentes querem ser salvos, deve ser a partir do Judas, que usurpou o governo da Igreja, separados!

O Patriarcado Bizantino Católica - Fatos sobre a apostasia de João Paulo II. de Cristo e da fé salvadora.


28/08/13

O Sentimento Antiadventismo e a Imprecisão Acadêmica

O Sentimento Antiadventismo e a Imprecisão Acadêmica


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INTRODUÇÃO
Preferiria não disponibilizar esse post a você, amigo (a) leitor (a). Afinal, quando conseguirmos solucionar uma disputa entre irmãos seguindo o conselho de Jesus em Mateus 18:15-17, Deus é honrado, relacionamentos são preservados e novas amizades podem corar de alegria nossas vidas.
Porém, sendo que não foi possível resolver uma questão – fruto do sentimento antiadventismo – por amor à verdade e respeito aos alunos de teologia do Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição, terei que tornar pública a resposta a seguir.
No dia 8 de agosto de 2013 enviei o primeiro e-mail à Instituição, demonstrando que o palestrante Luciano Sena, ao abordar a temática “adventismo” na 1ª Semana Teológica de 2013, foi tremendamente antiético, sem rigor acadêmico e sem comprometimento com a verdade dos fatos.
Antes, realizei um telefonema e fui muito bem atendido pelo Rev. Ageu Cirilo de Magalhães Junior, que prometeu analisar o conteúdo de meu e-mail e tomar as devidas providências quanto ao vídeo disponibilizado no YouTube no canal do referido Seminário,  no linkhttp://www.youtube.com/watch?v=dfJYyh9Jxoo
Porém, após ler meu e-mail, no dia 26 de agosto o Reverendo me escreveu o seguinte:
“Li e consultei o preletor sobre as suas objeções. Para cada argumento seu, ele tem contra-argumentação bem plausível”.
Particularmente, duvido que o respeitável reverendo tenha comparado a palestra de Luciano Sena, do Ministério Cristão Apologético (MCA), com as fontes primárias adventistas que lhe apresentei. Porém, ele tem o direito de proceder assim, mesmo que os internautas e alguns alunos do Seminário vejam por si mesmos que Sena nada conhece sobre adventismo, e que o Seminário José Manoel da Conceição, dessa vez, não foi totalmente comprometido com o rigor acadêmico.
Creio como o Reverendo que todos têm o direito de defender suas crenças (nesse caso, Sena). Todavia, a maneira como as crenças de uma pessoa são defendidas deve refletir um dos maiores princípios do cristianismo: a verdade (Jo 14:6; 8:32). Quando uma defesa doutrinária não é feita sobre esse princípio, além do descrédito, as pessoas envolvidas sofrem grande prejuízo espiritual e comprometem a espiritualidade de outros. Consequentemente, terão de dar contas disso (Ec 12:13, 14)
Sendo assim, logo abaixo você terá, na íntegra, as considerações que fiz às palestras de Luciano Sena. Apenas umas poucas correções foram realizadas para publicar o texto na internet. Antes, permita-me comentar brevemente sobre um dos principais “pressupostos” de Sena em sua avaliação e rotulação do adventismo como uma “seita herética”.

UM TIRO NO PRÓPRIO PÉ
Poderá não acreditar, mas, um dos pressupostos sobre os quais Luciano “se mantém em pé” para sustentar suas conclusões de que o adventismo é uma “seita” é a descrença de pioneiros adventistas na doutrina da Trindade, nos primórdios do movimento (no e-mail enviado ao Seminário Presbiteriano você terá maiores informações sobre o assunto).
Todavia, o referido evangelista não parou para pensar que não se avalia todo um sistema doutrinário e muito menos a sinceridade das pessoas por suas crenças equivocadas passadas. Se esse tipo de argumento for válido, então Sena atirou no próprio pé, pois, segundo ele mesmo (poderá conferir na palestra, logo no início, por volta do tempo 0:02:36), foi uma Testemunha de Jeová por pouco mais de oito anos. Ou seja: um oponente à doutrina da Trindade.
Assim como não é correto julgar a honestidade e integridade pessoal de Luciano Sena por ele um dia ter sido antitrinitariano, não é justo julgar a sinceridade de pioneiros adventistas. Não seria conveniência de Sena julgar o passado de pioneiros adventistas sendo que o passado dele não foi muito diferente? Medite nisso, amigo (a) leitor (a).
Convém destacar outros pontos, negligenciados por Luciano Sena e que o Seminário Reverendo José Manoel da Conceição não fez questão de se aprofundar para o benefício dos próprios alunos.
A leitura do capítulo 13 da obra A Trindade: como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), intitulado “Trindade e Antitrinitarianismo na História do Adventismo” (p. 216-230) teria revelado (entre muitas outras coisas) tanto para Sena quanto para o Seminário que:
1º: Mesmo havendo um predomínio do antitrinitarianismo no adventismo entre 1846-1888, em 1869 Roswell F. Cottrell observou que nesse período existia “uma multidão de pontos de vista” sobre a Trindade. Isso significa que qualquer argumento que sugira que “todos” os pioneiros eram antitrinitarianos, é um argumento mentiroso.
2º: Eles rejeitavam veementemente (mesmo sem ter a plena compreensão da doutrina) era a doutrina da Trindade como apresentada pelos credos cristãos da época, especialmente um credo Metodista de 1856, que dizia o seguinte: “[...] existe um único Deus vivo e verdadeiro, sempiterno, sem corpo ou partes [...]” (Citado em A Trindade…, p. 234).
Eles não rejeitavam a importância da doutrina de Deus manifesto em Três Pessoas (mesmo crendo no Espírito como sendo o “poder de Deus” ), mas a doutrina Tradicional da Trindade que continha elementos não bíblicos supracitados e que são negados até hoje pelos adventistas e por qualquer outra denominação Protestante e Trinitariana.
Por que tais informações não foram passadas aos alunos que estiveram presentes na 1ª Semana Teológica de 2013 realizada no referido Seminário Presbiteriano? É do espírito acadêmico essa seletividade de informações?
Quem estiver interessado (a) em se aprofundar no estudo desse tema poderá ler a obra supracitada, que pode ser adquirida com a editora Casa Publicadora Brasileira pelo site ww.cpb.com.br .
Agora, após esses breves esclarecimentos, veja a seguir o e-mail em que demonstro, com base em fontes primárias, as distorções de Luciano Sena, do Ministério Cristão Apologético, e que, infelizmente, foram tidas como “plausíveis” pelo Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição.

E-MAIL
Estimado Reverendo Ageu:
Primeiramente quero lhe agradecer pela maneira educada e cristã como me atendeu.
Sou Leandro Quadros, jornalista que ontem conversou com o senhor sobre a palestra de Luciano Sena, apresentada na 1ª Semana Teológica 2013 realizada no Seminário JMC.
O motivo é fazer um breve comentário sobre a abordagem metodológica e citação das fontes primárias por parte de Sena. Como afirmei em nosso telefonema, a maneira como ele apresentou o adventismo desprestigia uma Instituição séria como a de vocês, e Deus sabe que não falo isso por demagogia, pois, vosso trabalho é coisa séria mesmo.
Fiz várias anotações sobre a palestra de Luciano Sena, mas, serei sintético nesse e-mail (gostaria de ser mais ainda, mas, vejo que não será possível…) para não ocupar muito seu tempo. Meu principal objetivo é lhe informar sobre a maneira nada acadêmica como ele cita as fontes. Infelizmente, Luciano deixou que seu sentimento antiadventismo comprometesse sua pesquisa.
Deter-me-ei apenas na forma como ele se utiliza das fontes primárias, sem entrar no mérito doutrinário. Se um dia o Reverendo achar isso necessário, poderá contar comigo para maiores esclarecimentos.
1º: Luciano afirma que “os problemas que os adventistas enfrentam para justificar 1844 são parecidos com o problema das TJ quanto à data de 1914”.
Se o referido palestrante conhecesse a série abalizada de 7 volumes sobre a Teologia Adventista do Santuário Celestial, jamais faria uma afirmação dessas.
Nessa coleção preparada pelo Comitê de Daniel e Apocalipse do Biblical Research Institute da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, publicada pela primeira vez em língua inglesa em 1993, é possível perceber que a base para a crença adventista na interpretação de Daniel 8:14 são estudos exegéticos realizados por eruditos adventistas reconhecidos no meio protestante como os doutores William Shea, Hans K. LaRondelle e Kenneth A. Strand (entre outros).
Portanto, não há qualquer tipo de “rearranjo” que possa ser comparado aos estudos das Testemunhas de Jeová. Tal “comparação” é tendenciosa e não condiz com a verdade.
2º: Ele também argumenta que “os pioneiros adventistas eram antitrinitarianos”. A forma como a informação foi apresentada é bastante tendenciosa e, se ele houvesse feito uma consulta à obra A Trindade: como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, na 3ª seção intitulada “Trindade e Antitrinitarianismo da Reforma ao Movimento Adventista”, ele saberia que, mesmo pioneiros adventistas sendo antitrinitarianos por serem oriundos da Conexão Cristã, o antitrinitarianismo predominou entre 1846 e 1888. Após essa data, o adventismo viveu mais quatro fases, até a mudança de paradigma entre os anos de 1898 e 1915, tendo Ellen White como a maior expositora da doutrina Trinitariana.
Por isso, a afirmação de Luciano de que “não se sabe se Ellen G. White era Trinitariana” é absurdamente infundada, especialmente à luz de citações dela em O Desejado de Todas as Nações, publicado em 1898, p. 19 e 530, onde ela fala da pré-existência de Jesus Cristo e inclusive afirma: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (p. 530). Além disso, Luciano desconhece por completo (ou ignorou) as citações Trinitarianas da referida autora na obraEvangelismo, p. 615-617, onde ela menciona das “três pessoas vivas pertencentes ao trio celeste” e apresenta o Espírito Santo como uma Pessoa Divina.
É muito estranho que um palestrante ignore o todo da história e fontes primárias importantes para “provar” que se “a base do adventismo é herética, então todo o resto o é”. O Reverendo e eu sabemos que mudanças de paradigmas, mais do que indicar ‘heresia acompanhada de desonestidade’, indicam crescimento e, no meio acadêmico e científico esse espírito é vital para aqueles que seriamente se comprometem com a busca pela verdade.
3º: Ele também alega que rejeitamos nossa origem denominacional atribuindo a marcação de datas ao batista William Miller. Porém, isso não é verdade. Mesmo o adventismo sendo interdenominacional em seus primórdios, reconhecemos nossa origem milerita, tanto que um dos mais de 20 grupos que surgiram após o desapontamento, é o que hoje se conhece como Igreja Adventista do Sétimo Dia. Uma leitura da obra História do Adventismo, de C. Merwyn Maxwell teria revelado isso a Luciano Sena, pois, nela o historiador adventista constantemente cita Miller como pai do milerismo adventista.
A alegação de que “os adventistas hoje não compartilham do conceito que Ellen White tinha de Miller” também é falsa. Há biografias inteiras escritas por historiadores adventistas sobre o pai do movimento milerita, entre elas a obra de Sylvester Bliss, intitulada Memoirs of William Miller (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2005).
Já a afirmação de que Ellen White ensina que Miller foi o “primeiro a calcular o período dos 2.300 anos de Daniel 8:14” também é inverídica e não pode ser apoiada pelo que ela escreveu e nem mesmo pelas obras adventistas. Em sua tese doutoral traduzida para língua portuguesa em 2002 com o título “O Santuário e as Três Mensagens Angélicas: Fatores Integrativos no Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas”, Alberto R. Timm é muito claro em sua exposição quando afirma que, mesmo Miller tendo provido “um dos cálculos cronológicos mais precisavamente ‘elaborados e aperfeiçoados’ das profecias bíblicas mostrando o iminente cumprimento desse evento [2ª vinda de Cristo]” (p. 15), esse pioneiro não foi o primeiro a realizar esse tipo de estudo em torno de Daniel 8:14. Na p. 14 Timm informa que antes de Miller “muitos intérpretes protestantes ficaram convencidos, mediante estudos das profecias bíblicas, de que Cristo viria em seus dias”.
Na obra Questões Sobre Doutrina (ed. de 2009), também negligenciada por Luciano Sena, na página 233, são mencionados eruditos protestantes que assim como Miller chegaram ao ano de 1843 no estudo de Daniel 8:14 antes do fundador do milerismo. Na referida obra são mencionados John A. Brown, que publicou suas convicções em 1810; Birks, em 1843; William C. Davis, também em 1810, que do mesmo modo olhava para os anos 1843, 1844 ou 1847 como marcando o início de acontecimentos importantes na profecia bíblica. Entre esses eruditos que chegaram a tais conclusões antes mesmo de William Miller se destacam também o Dr. Joshua L. Wilson, da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana; o bispo episcopal John P. K. Henshaw; Alexander Campbell. Mais de 60 homens no começo do século 19 aguardavam o término da profecia de Daniel 8:14 (2.300 tardes e manhãs) para uma dessas três datas.
Mais uma vez o responsável pelo Ministério Cristão Apologético (MCA) vergonhosamente distorce o adventismo motivado muito mais pelo preconceito do que pelo amor à informação e à precisão acadêmica.
4º: Sobre a expiação realizada pelo bode Azazel, que cremos ser Satanás, não se pode realizar uma exposição do que pensa o adventismo sobre o assunto sem a leitura do capítulo “O Significado de Azazel”, da obra Questões Sobre Doutrina (publicada na década de 50), disponível em português desde 2009. Na p. 286 da referida obra Sena saberia que a identificação de Azazel com Satanás (reconheço que é um assunto muito controverso entre adventistas e evangélicos) não é feita apenas por adventistas, mas, por eruditos de outras confissões religiosas, entre eles Samuel M. Zwemer,presbiteriano.
Já a leitura das páginas 288-290 revelaria ao palestrante que, na concepção adventista, a expiação de Azazel não era vicária, mas, retributiva. Por isso, pôde ser afirmado em tal obra, com a consciência tranquila diante de Deus, que “Os adventistas do sétimo dia rejeitam, portanto, inteiramente qualquer ideia, sugestão ou inferência de que Satanás seja em certo sentido ou medida o portador de nossos pecados. Esse pensamento nos causa horror, é terrivelmente sacrílego [...]” (p. 289).
Infelizmente, esse tipo de acusação também faz parte da teologia sistemática de Franklin Ferreira e Alan Myatt (São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 615-617), mas, após concluir minha dissertação intitulada “Críticas aos adventistas na mídia brasileira”, mandarei uma cópia aos referidos autores, na esperança de que corrijam esse tremendo erro.
5º: Ao citar a obra Nisto Cremos, Sena literalmente reinterpretou a crença fundamental número 18 (“O Dom de Profecia”) para afirmar que “seguimos Ellen G. White”. Se ele tivesse lido (ou não ignorado) a página 289, teria informado aos alunos do Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição que “Os escritos de Ellen White não constituem um substituto para a Bíblia. Não podem ser colocados no mesmo nível. As Escrituras Sagradas ocupam posição única, pois são o único padrão pelo qual os seus escritos [de Ellen White] – ou quaisquer outros  – devem ser julgados e ao qual devem estar subordinados”.
É incrível como ele não faz questão de informar isso aos alunos do curso que, devido à tendenciosidade de Luciano Sena e sentimento antiadventista (revelado nas diversas vezes em que diz “não gostar de nada que venha de Ellen G. White”), receberam informações secundárias e de péssima qualidade.
A leitura de minha réplica ao Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) intitulada “A visão contaminada do CACP” teria esclarecido a ele que os adventistas, ao crerem que Ellen G. White é mensageira de Deus, não a colocam no mesmo nível de importância que as Escrituras. O fazem apenas no que diz respeito ao grau de inspiração, por não crerem que profetas não-canônicos sejam menos inspirados que profetas canônicos (cf. 2Cr 29:29; 8:29).
O artigo em que refuto as alegações de João Flávio Martinez pode ser lido clicando aqui . No referido post apresento a posição oficial da IASD, bem como a compreensão de Ellen G. White a respeito dos próprios escritos e sua relação com a Bíblia.
6º: Ao comentar sobre a Inerrância Sena diz que “suspeita” ser Ellen White adepta da Inerrância absoluta, para argumentar que os adventistas atualmente “negam” a posição da própria profetisa. Não sei como um pesquisador pode chegar a uma conclusão dessas ao ler os que ela escreveu sobre o assunto na obra Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 21. Em 1886 ela afirmou:
A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus. Esta é da humanidade. Deus, como escritor, não Se acha representado. Os homens dirão muitas vezes que tal expressão não é própria de Deus. Ele, porém, não Se pôs à prova na Bíblia em palavras, em lógica, em retórica. Os escritores da Bíblia foram os instrumentos de Deus, não Sua pena. Olhai os diversos escritores.
Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente individual. A mente divina é difusa. A mente divina, bem como Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade humanas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus.
Na página 22 ela continua explicando sua posição sobre o processo de inspiração das Escrituras sem dar qualquer margem para a opinião infundada de Luciano Sena de que ela, “talvez”, acreditasse na Inerrância absoluta.
Na mesma palestra Sena se contradiz. Enquanto ele “acha” que Ellen G. White cria na Inerrância absoluta, num determinado momento ele afirma que os adventistas “rejeitam a Inerrância [absoluta] por causa de Ellen G. White”. Essa contradição aberta revela que Sena desconhece por completo a posição de Ellen White sobre o método de inspiração das Escrituras, e que ele foi bastante arrogante em querer colocar “na boca” da co-fundadora do adventismo algo que ela nunca sonhou em dizer.
Avalie, irmão e Reverendo Ageu, o tipo de informação que tal palestrante levou até os alunos do Seminário Presbiteriano JMC e veja se esse vídeo no YouTube, assistido até o momento por mais de 700 pessoas, não compromete a credibilidade acadêmica de uma Instituição séria como a de vocês.
Além disso, Sena não fez questão de informar aos alunos que a crença adventista na autoria humana da Bíblia nada tem a ver com a posição dos teólogos liberais. Se ele tivesse lido atentamente o capítulo “A Natureza da Bíblia: Isenta ou Repleta de Erros?”, escrito por Samuele Bacchiocchi (citado repetidas vezes por Luciano Sena) na obra Crenças Populares: o que as pessoas acreditam e o que a Bíblia realmente diz (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 11-47, teria informado aos alunos que, mesmo não sendo Inerrantes absolutos por crer que a Bíblia é a perfeita Palavra de Deus na imperfeita linguagem humana, cremos que “As Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão de caráter, a prova da experiência, o autorizado revelador de doutrinas e o registro fidedigno dos atos de Deus na história” (Nisto Cremos, 2003, p. 14).
Isso é tão evidente para o pesquisador sério que nunca fomos questionados severamente por isso, considerando que estamos entre os poucos que creem na literalidade dos primeiros 11 capítulos do Gênesis – o que é vital para nossa mensagem em torno da doutrina do sábado como lembrete do Deus Criador, Mantenedor e Salvador (Êx 20:8-11; Hb 4).
Além disso, no livro Conselhos Para a Igreja Ellen White dedica o capítulo 13 para exaltar a Bíblia como sendo a Palavra de Deus e não apenas como um livro que “contenha” tal Palavra.
7º: Também absurda e inverídica é a afirmação de que “os adventistas creem que em cada mundo há seu próprio Adão e que só o nosso caiu”. Não é isso o que o Nisto Cremos (ed. de 2008), p. 90 e 91, afirma. Na referida obra o termo “Adões” no plural é empregado, realmente, como referência a seres de mundos não caídos (com base em Jó 1:6-12), porém, não há a mais remota ideia de que “cada mundo tenha seu próprio Adão”. O termo plural usado no contexto se refere aos “Filhos de Deus” (Jó 1:6-12) de mundos não caídos, de modo que a “explicação” de Sena é pura invenção da própria mente dele, resultante de uma leitura superficial ou manipulação do texto do livro Nisto Cremos.
8º: Desconheço até o momento qualquer fonte primária adventista que afirme ter sido a Igreja Católica quem “inventou o domingo”. Na verdade, a leitura de algumas obras essenciais revelam que mesmo os adventistas sendo convictos de que a observância do domingo esteja intimamente relacionada ao papado (veja-se O Grande Conflito, p.p. 54, 446, 449 e 579), a história da observância do domingo é muito mais abrangente do que isso. Se ele tivesse lido, por exemplo, a obra The Sabbath in Scripture na History, editada por Kenneth A. Strand e publicada em 1982, ele veria que os eruditos adventistas abarcam a substituição do sábado pelo domingo de uma perspectiva histórica bem mais sólida especialmente na segunda parte do livro, intitulada “Sabbath and Sunday In Christian Church”. Sete capítulos foram dedicados ao assunto, sem que a origem do domingo tenha sido atribuída unicamente ao papado.
Outra obra muito útil para o palestrante seria o livro de Alberto R. Timm, intitulado O Sábado na Bíblia, publicado em 2010, onde o autor faz menção à tese de Samuele Bacchiocchi defendida na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, intitulada “From Sabbath to Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity”. A mesma foi publicada em 1977 e nela se percebe que, além de o papado ter certa influência no estabelecimento do domingo, a origem da observância do primeiro dia foi na igreja de Roma, por volta do 1º século, entre cristãos primitivos que observaram o sábado juntamente com o domingo. O papado entra em cena alguns séculos depois, bem como o edito de Constantino em 321 d.C que exaltou o domingo, apenas na esfera civil.
O fato de Luciano Sena utilizar dessa metodologia antiacadêmica não me surpreende porque já tive diversos contatos com ele, dando respostas às suas acusações sem, contudo, obter da parte dele pelo menos um reconhecimento de que errou na forma como citou as fontes primárias.
Porém, quando a questão envolve um Seminário Teológico como o JMC, a coisa fica mais séria porque alunos estão obtendo informações falsas que, além de desonrar a Deus (Êx 20:16), podem comprometer todo um trabalho de ensino realizado por profissionais comprometidos como vocês. Por isso, assisti a toda a palestra no YouTube e decidi escrever e telefonar para o Reverendo.
Há muita coisa que ele disse sobre a teologia da Lei, da Expiação e da Trindade que não refletem o posicionamento oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Porém, não me delongarei mais do que já fiz porque não devo ocupar seu tempo que, com certeza, é precioso em vista dos seus diversos compromissos acadêmicos.
Despeço-me agradecido por sua atenção que me foi dispensada, colocando-me à sua disposição para maiores esclarecimentos e, ao mesmo tempo, confiante de que, com base nessas informações, o Reverendo tomará as devidas providências.
Um abraço,

Leandro Quadros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas informações e argumentação extraída de fontes primárias, é possível amigo (a) leitor (a) crer na qualidade da investigação de Luciano Sena? Pode-se concordar com a afirmação do respeitável Reverendo Ageu Cirilo de Magalhães Junior, de que para cada argumento meu Sena“tem contra-argumentação bem plausível”?
Espero com ansiedade o dia em que o sentimento adventismo não comprometa de maneira tão significativa a pesquisa de um oponente.
Desejo de coração que os alunos desse respeitável seminário presbiteriano tenham à disposição deles as fontes primárias, fornecidas pelo próprio Seminário, que eventualmente possam comprovar a “plausibilidade” da contra-argumentação de Luciano Sena.
Um abraço a todos.

Qual é a Idade da Terra?


O DILÚVIO REALMENTE ACONTECEU?


06/08/13

Só o Pai é Deus? De maneira alguma! (João 17:3)

JesusCristo

João 17:3 afirma que Deus Pai é o único ser absolutamente divino? Não é isso o que o texto diz. Leiamos:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
Alguns têm usado essa declaração de Jesus para negar a absoluta divindade de Cristo, tão bem definida em Isaías 9:6, que O chama de “Pai da Eternidade”; em Atos 3:15, que o qualifica como “Autor da Vida”; e tão claramente definida (entre muitos outros textos) em Colossenses 2:9, onde Jesus é apresentado como um ser absolutamente divino em quem “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”.
 Todavia, se em João 17:3 Cristo estivesse dizendo que o Pai é “o único Deus verdadeiro” em comparação com Ele mesmo, teríamos de supor que Cristo é um deus falso. Percebe o grande problema? Cristo estaria depondo contra si mesmo, pois a Bíblia diz que Ele é Deus (Jo 1:1-3; Rm 9:5). Não tem como a Bíblia chamá-Lo de Deus e Ele mesmo afirmar que só o Pai é verdadeiro (e Ele, Jesus, falso), entende? Deus sempre será a verdade (Jr 10:10) e Cristo faz parte dessa divindade que é a verdade (ver Jo 14:6).
Em sua oração sacerdotal em João 17, Jesus não está contrastando Sua natureza com a do Pai, e sim contrastando a natureza divina do Pai com os falsos deuses pagãos. Ele está focando “a necessidade de as pessoas reconhecerem o único Deus verdadeiro em oposição aos ídolos e outros falsos deuses”, e também enfatiza nesse texto “a necessidade de reconhecê-Lo como meio de Salvação”[1].
Quando a Bíblia compara a Jesus com o Pai, ela não apresenta apenas Deus Pai como Deus Verdadeiro. Veja o que o mesmo autor do evangelho de João escreveu em sua 1ª Carta:
“Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna (1Jo 5:20).
Note que nesse texto o apóstolo João chama a Jesus de Deus verdadeiro e fonte de vida eterna.
Por isso, os antitrinitarianos (os que são contra a doutrina da Trindade) não deveriam usar João 17:3 para negar a absoluta divindade de Jesus Cristo. Fazer isso é desrespeitar o texto bíblico e tirar dele uma ideia que não existe.
Além disso, noutro contexto, em João 10:30, quando Jesus comentou sobre Sua relação com o Pai, Ele se colocou no mesmo nível de Deusao ponto de quererem apedrejá-Lo por blasfêmia (Jo 10:31-33). Em João 10:30 Ele afirmou claramente que Ele e o Pai eram “um” no sentido de serem unidos tanto em amor quanto na essência divina (veja-se também Colossenses 2:9).
Esse conceito de unidade essencial entre as Três Pessoas da divindade combate qualquer tipo de politeísmo porque, ao contrário da doutrina bíblica da Trindade, que ensina existir Três Pessoas distintas que formam a divindade e que possuem a mesma essência (Mt 28:19; Jo 14:16; 2Co 13:13, etc), o politeísmo ensina existirem deuses com diferentes essências divinas e distintos poderes. Enquanto que a doutrina da Trindade iguala as Pessoas que formam a divindade, o politeísmo desiguala, apresentando um deus melhor e mais poderoso do que outro.
Desse modo, o conceito de Triunidade encontrado na Bíblia nada tem a ver com politeísmo, como afirmam alguns que estão desinformados em relação ao assunto.

DOIS TIPOS DE TEXTOS SOBRE JESUS
Algumas pessoas sinceramente não sabem (outros, ignoram) que na Bíblia há pelo menos dois tipos de versículos que tratam da natureza de Cristo. Precisamos considerá-los juntos, se quisermos aprender tudo aquilo que nos foi revelado sobre a Pessoa de Jesus na Bíblia.
Nas Escrituras encontramos textos que mostram o Salvador no mesmo nível que Deus Pai (Colossenses 2:9) e versos que O mostram numa condição inferior ao Pai (João 14:28).
- Os versículos que colocam a Cristo no mesmo patamar que as demais pessoas da divindade se referem a Ele em Sua natureza divina.
- Já os versos que apresentam a Jesus numa condição “inferior” se referem a Ele em Sua condição encarnada, na qual se encontra subordinado ao Pai.
Essa subordinação de Cristo é apenas funcional e não essencial. Devido à Sua encarnação, Ele assumiu uma função inferior ao Pai, limitando voluntariamente até mesmo a própria Onisciência (Mt 24:36). Porém, na sua essência como Deus, Cristo em nada difere do Pai, tanto que reassume totalmente Sua Onisciência após Sua ascensão: “[...] para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”.
Resumindo, podemos dizer, como Geisler e Howe[2]:
Ilustração - Divindade de Cristo
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Espero que essas breves considerações tenham lhe ajudado. Caso queira se aprofundar ainda mais no estudo da doutrina da Trindade, recomendo umas poucas obras que lhe serão bastante úteis:
A Trindade: como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve. Pode ser adquirida com a Casa Publicadora Brasileira pelo site www.cpb.com.br ou pelo telefone 0800-979 0606.
A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento, de Stanley M. Horton. Esse material foi publicado em língua portuguesa pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) e pode ser adquirido no site www.cpad.com.br
Evangelismo, de Ellen G. White. Nas páginas 613 a 617 ela apresenta declarações belíssimas sobre a divindade de Cristo e a personalidade e divindade do Espírito Santo. O material também é da Casa Publicadora Brasileira.
- A Teologia Sistemática de Norman Geisler também poderá ser bastante útil em sua pesquisa. No vol. 1, cap. 12, intitulado “A Unidade e a Trindade de Deus”, há inclusive uma seleção de textos que comprovam a identificação de Cristo com Javé do Antigo Testamento. Essa obra também pode ser adquirida através da CPAD.
Um abraço e que Deus lhe abençoe ricamente!




[1] Max Hatton, Understanding the Trinity (Alma Park Grantham, Linconlnshire, England: Autumn House, 2001), p. 78.
[2] Norman Geisler e Thomas Howe, Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia(São Paulo: Mundo Cristão, 1999), p. 428.