14/12/10

A FÉ E GRAÇA

Cada ser humano tem a oportunidade de se apropriar da fé de Jesus e crescer nela. De um modo especial, João liga a guarda dos mandamentos de Deus à fé de Jesus, ao caracterizar os santos de Deus.
“Aqui está a paciência dos santos, aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Apocalipse 14:12
A interligação entre a fé e a lei pode ser observada nas diferentes, mas complementares definições de pecado dadas por João e Paulo.
“... porque o pecado é a transgressão da lei.” 1 João 3:4
“... tudo o que não provem da fé é pecado.” Romanos 14:23
Estas definições aparentemente contraditórias tornam-se claras quando nos damos conta de que não poderemos cumprir a lei, a menos que tenhamos a fé de Jesus. Os pecados da humanidade resultam de uma relação com Deus que foi quebrada. A irmã White confirma isto.
“Só pela fé em Cristo pode o pecador ser purificado da culpa e capacitado a prestar obediência a lei do Seu Criador.” Atos dos Apóstolos, 425
Muitas vezes, a fé é vista corno um estado intangível de estar, raramente compreendida em termos realistas. No entanto, a Bíblia e o Espírito de Profecia vêem a fé como a chave que o homem poderá utilizar para se apropriar do sacrifício de Cristo. Num sentido mais completo, a fé representa uma relação de confiança com Cristo. Esta relação de confiança aumentará à medida que conhecermos melhor o nosso Pai celestial.
“Logo a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.”Romanos 10:17
Assim, ao comunicarmos diariamente com Deus, aprendendo a compreender mais completamente o Seu amor por nós, a nossa fé aprofundar-se-á e o nosso compromisso com Deus fortalecer-se-á. A fé nunca poderá encobrir ignorância ou negligência. Na realidade, crescerá à medida que conhecermos melhor a Deus.
O novo adventismo parece separar a fé das obras, implicando frequentemente que os apelos à justificação e a guarda dos mandamentos são legalistas e inconsistentes com o Evangelho. Mas este é um ponto de vista superficial de fé. Tal como, “O amor não poderá existir, se não for expresso.” The Ministry of Healing, 360
Não existirá uma fé verdadeira, a menos que a demonstremos em obras de justiça.
“Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei. Romanos 2:13
O apóstolo Tiago viu os perigos que surgiriam ao se apresentar o tema da justificação pela fé e, por isso, tentou mostrar que a fé genuína não poderá existir sem as correspondentes obras.”Reflectindo a Cristo - MM 1986, 71
Tal como não poderemos cumprir o espírito da lei sem a letra da lei, não poderemos ter fé sem obras. Alguns pensam que, porque podem existir obras sem fé, então a verdadeira fé e independente das obras; mas este é um engano fatal. Na realidade, a fé faz com que o homem a expresse no serviço para Deus e em favor dos outros. Por isso, o capitulo 11 de Hebreus poderia ser chamado tanto o capítulo das obras como o capítulo da fé. Não teria sido possível a Abel ter fé sem que oferecesse o seu "mais excelente sacrifício", nem poderia Moisés ter fé sem que escolhesse "ser maltratado com o povo de Deus".
As Escrituras dizem claramente que os santos de Deus terão a fé de Jesus - uma fé que capacita o homem a apropriar-se da graça salvadora do Calvário.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” Efésios 2:8
Este dom da fé foi concedido após a queda do homem, pois sem ela nenhum homem poderia alguma vez voltar-se para Deus.
“Quando o homem transgrediu a lei divina, a sua natureza se tornou má, e ele ficou em harmonia com Satanás, e não em desacordo com ele. Não existe, por natureza, nenhuma inimizade entre o homem pecador e o originador do pecado. Ambos se tornaram malignos pela apostasia. O apóstata nunca está em sossego, excepto quando obtém simpatia e apoio, induzindo outros a lhe seguir o exemplo. Por este motivo os anjos decaídos e os homens ímpios unem-se em desesperada união. Se Deus não Se houvesse interposto de maneira especial, Satanás e o homem teriam entrado em aliança contra o Céu; e, ao invés de alimentar inimizade contra Satanás, toda a família humana ter-se-ia unido em oposição a Deus.” O Grande Conflito, 509
Esta fé é o veículo tanto da justificação, como da santificação, sendo, portanto, essencial à redenção do homem.
Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 5:1
Para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz, e do poder de Satanás à Deus, para que recebam remissão de pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé em Mim. Atos 26:18
E a fé, “... que transforma a carácter.” Atos dos apóstolos, 558
Pedro diz que Deus purifica os nossos “corações pela fé.” Atos 15:9
Não existe qualquer faceta das mensagens do Evangelho que não versem sobre a resposta do homem aos méritos do seu Salvador. Isto inclui a sua justificação, a sua santificação e a sua redenção.
“A fé genuína sempre opera por amor. Quando se olha para o Calvário, não é para acalmarmos a nossa alma na não realização do dever, nem é para nos arranjarmos quando vamos dormir, mas para termos fé em Jesus, fé que agirá purificando a alma da lama do egoísmo. Quando segurarmos a mão de Deus pela fé, o nosso trabalho apenas começou. Todos os homens têm hábitos corruptos e pecaminosos que devem vencer numa luta vigorosa. A cada alma é requerido que empreenda a batalha da fé.” Mensagens Escolhidas - Vol. 2, 20
Outros ainda que são condenados pela lei arrepender-se-ão das suas transgressões e, pela fé nos méritos de Cristo, aperfeiçoarão o carácter cristão.” Fé e Obras, 27
Infelizmente, muitos hoje estão a aceitar o engano fatal de uma fé falsa, que os leva a acreditar que podem continuar no mundo e ainda serem cobertos com a ajuda de Cristo. Esta é uma terrível presunção.
“A fé reclama as promessas de Deus, e produz frutos de obediência. A presunção também reclama as promessas, mas delas se serve como fez Satanás, para desculpar a transgressão.
A fé teria levado os nossos primeiros pais a confiar no amor de Deus, e a obedecer aos Seus mandamentos. A presunção induziu-os a transgredir a Sua lei, acreditando que o Seu grande amor os haveria de salvar das consequências do pecado. Não é fé o que reclama o favor do Céu sem cumprir as condições sob as quais é assegurada a misericórdia. A fé genuína tem o seu fundamento nas promessas e medidas das Escrituras.” O Desejado de Todas as Nações, 126
“A doutrina que ensina a liberdade, pela graça, para transgredir a lei é uma ilusão fatal. Todo o transgressor da lei de Deus é um pecador, e ninguém pode ser santificado enquanto vive em pecado conhecido.” Fé e Obras, 26
“Não ganhamos a salvação pela nossa obediência; pois que a salvação é um dom gratuito de Deus, que se obtém pela fé. Bem sabeis que Ele se manifestou para tirar os pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nEle não peca; e qualquer que peca não O conheceu. Ai é que está a verdadeira prova. Se habitarmos em Cristo, se o amor de Deus habita em nós, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos, as nossas acções estão em harmonia com a vontade de Deus tal como se expressa nos preceitos da Sua Santa lei. 'Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo. 1 João 3:7. A justiça está definida na Santa lei de Deus, enunciada nos dez preceitos dados no Sinai. A pretensa fé em Cristo, que desobriga os homens da obediência a Deus, não e fé, mas presunção.” Caminho a Cristo, 61
Assim, o princípio da fé incorpora tanto as provisões do sacrifício de Jesus, como as provisões da lei.
Negligenciar ou minimizar a ambas conduz a presunção. Se tentarmos manter a lei fora das provisões de Jesus, ou se declararmos que nos apropriamos dos méritos de Jesus, sem que as nossas vidas estejam transformadas pela cruz, vivemos numa falsa segurança, enganados por Satanás.
“Enquanto uma classe de pessoas deturpa a doutrina da justificação pela fé e deixa de aceder às condições estabelecidas na Palavra de Deus; Se me amais, guardareis os Meus mandamentos, há um erro tão grande como estes da parte dos que pretendem crer nos mandamentos de Deus e obedecer-lhes, mas colocam-se em oposição aos preciosos raios de luz, (novos para eles) reflectidos da cruz do Calvário. A primeira classe não vê as maravilhosas coisas na lei de Deus para todos os que são praticantes da Sua Palavra. Os outros sofismam acerca de insignificâncias e negligenciam as questões mais importantes,
a misericórdia e o amor de Deus.” Fé e Obras, 13
Mas para que o assunto não seja mal compreendido, devemos dizer que não é a fé que salva. Certamente que tal fato negaria a plenitude da graça do sacrifício de Cristo. A fé é o veiculo através do qual os méritos perfeitos de Cristo são apropriados pelo cristão e através do qual a cruz de Cristo se torna no poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A fé é o fundamento da vida vitoriosa do cristão.
“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” 1 João 5:4
Por ser o fundamento da resposta do homem a salvação, Satanás testará severamente a nossa fé. A fé de muitos já está sendo dolorosamente testada e, por isso, encontram-se indecisos porque não desenvolveram a sua fé através de um estudo diário da Palavra e do conhecimento de Deus. Enquanto que para os descuidados e laodicianos, o teste da fé terá como resultado o desencorajamento e a descrença, para os filhos de Deus, ele fortalecerá a sua dependência de Jesus e mantê-los-á mais perto Dele.
“Sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança, e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma. Tiago 1:3, 4
Para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece embora provado pelo fogo, redunde para louvor, gloria e honra na revelação de Jesus Cristo.” 1 Pedro 1:7
A igreja remanescente de Deus enfrentará a crise do século. Os seus membros, por todo o mundo, serão sacudidos pelo engano e pela tribulação. Todos “... os que puderem ser sacudidos, sê-lo-ão, para que as coisas que não podem ser sacudidas permaneçam.” Testemunhos Seletos Vol. 3, 284
Uma fé forte não poderá gerar-se instantaneamente, mas é o resultado de uma dependência diária do nosso Deus. Aqueles que olham para si ou para os outros, não só não conhecem a Deus, como serão levados de um lado para o outro por todo o vento de doutrina e serão como a palha perante os ventos da perseguição. O apelo dos autores é que todos fixem o seu olhar em Jesus, que é o único que poderá transmitir segurança ao Seu povo nestes tempos de confusão.
“Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado a destra do trono de Deus.” Hebreus 12:2
A nossa fé agora é a nossa esperança para o futuro centra-se em Cristo e somente Nele.

10/12/10

AS MENSAGENS PARA O TEMPO FINAL

Ramon Umashankar nasceu em Brahmin, na Índia. Os anciãos de sua aldeia lhe ensinaram desde pequeno que ele era um deus e que a fim de mostrar sua divindade deveria praticar ioga e meditação. Quando se tornou adolescente, Ramon começou a duvidar do fato de ser realmente possível encontrar a Deus através dos vários ídolos que eles adoravam nos templos hindus.
Ramon começou a examinar a Bíblia e as afirmações de Cristo. Ele sempre tinha respeitado Jesus por Sua humildade, mas agora Ramon aprendeu que esse Jesus também afirmava ser o único Filho de Deus. Ele percebeu que muitos cristãos aparentavam uma paz que ele não fora capaz de alcançar com anos de meditação. Ainda assim, Ramon estava determinado a encontrar a verdade dentro da sua própria religião, o hinduísmo.
Certo dia, ele assistiu a um filme sobre a vida de Cristo. Pela primeira vez percebeu que Jesus tinha experimentado sofrimento e medo quando humano. Antes disso, ele achava que Jesus tivesse usado de alguma maneira Seus poderes sobrenaturais para escapar à dor da crucifixão. Agora, ele não podia explicar a cruz. Ele se perguntou: Como foi possível que Jesus passasse por tamanha provação em prol de homens pecadores?
À medida que Ramon continuava a meditar sobre a morte de Cristo, ele ficou incrivelmente maravilhado por tal demonstração de amor. Então, ele decidiu desistir de seu tão cobiçado status na sociedade e entregar sua vida para Jesus, o Salvador. Em comparação com o sacrifício de amor de Cristo, disse Ramon, "tudo o mais perde seu valor".
Esse jovem descobriu a verdade central do cristianismo: Jesus, o Salvador do mundo.
1. QUAL É A RELIGIÃO QUE SALVA?
Jesus é o único caminho para a salvação.
"Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos". Actos 4:12 (A não ser quando indicado, todos os textos bíblicos da série DESCOBERTAS BÍBLICAS são da Nova Versão Internacional da Bíblia [NVI].).
A Bíblia claramente afirma que estamos perdidos no pecado. Assim, estamos sujeitos à pena do pecado: a morte (Romanos 6:23). Todos pecaram (Romanos 3:23), por isso, todos estão sujeitos à morte. Jesus é o Único - não há nenhum outro - que pode nos resgatar da condenação do pecado.
"Todo aquele que olhar para o Filho e nEle crer tenha a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia". João 6:40
Há apenas uma religião verdadeira:

"Há um só Senhor, UMA SÓ FÉ, um só batismo". Efésios 4:5
2. SERÁ QUE DEUS TEM UMA MENSAGEM ESPECIAL PARA OS CRITÃOS DOS ÚLTIMOS DIAS?
Sim. Essa mensagem está dividida em três partes e aparece em Apocalipse 14:6-16. A proclamação dessas mensagens dadas por três anjos culmina com a segunda vinda de Cristo (versos 14-16).
(1) A MENSAGEM DO PRIMEIRO ANJO
"Então vi outro anjo, que voava pelo céu e tinha na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na terra, a toda nação, tribo, língua e povo. Ele disse em alta voz: 'Temam a Deus e glorifiquem-no, pois chegou a hora do seu juízo. Adorem aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas'". Apocalipse 14:6, 7.
Apesar das Escrituras retratarem essas três mensagens através da simbologia de três anjos, na verdade é o povo de Deus que apresenta essas mensagens ao mundo. Eles não proclamam um novo evangelho, mas o "evangelho eterno", ao mundo inteiro, "cada nação, tribo, língua e povo". O "evangelho eterno" de Jesus é a mesma mensagem de salvação que as pessoas no Velho Testamento aceitaram "pela fé" (Hebreus 3:16-19; 4:2; 11:1-40), o mesmo ensino que o próprio Jesus proclamou, o mesmo evangelho que os discípulos pregaram para conquistar o mundo para Cristo, o mesmo evangelho que tem sido anunciado pelos séculos da era cristã.
O evangelho de Jesus Cristo que oferece a salvação de forma simples quase desapareceu da igreja por cerca de mil anos, durante a Idade das Trevas. Mas, a Reforma o reavivou e o povo de Deus prega isso ao redor do mundo hoje. O primeiro anjo proclama essa mesma mensagem do evangelho, mas sob uma nova abrangência: uma abrangência mundial, para chegar a todas as pessoas que vivem pouco antes da segunda vinda de Jesus.
Aqueles que aceitam essa mensagem são chamados para "temerem a Deus e glorificá-lO [reflectir o Seu carácter] ". Eles mostram ao mundo o carácter de amor de Deus, não apenas por suas palavras, mas também por sua vida, através de um testemunho dinâmico. Eles apresentam uma vibrante revelação do que Deus pode fazer através das pessoas que estão cheias do Espírito de Cristo.
Quando essa mensagem dos três anjos deve ser proclamada ao redor do mundo? Quando a hora do juízo de Deus tiver chegado. A lição 13 explica que Jesus começou o trabalho do Seu juízo pré-advento em 1844. Naquele mesmo ano, 1844, Jesus inspirou pessoas ao redor do mundo a começarem a pregar a mensagem de Apocalipse 14.
Essa mensagem nos conclama a "adorar Aquele que fez os céus, [e] a terra". (Apocalipse 14:7). Deus nos pede para lembrar do sábado "para o santificar", porque "em seis dias o Senhor fez os céus e a terra" (Êxodo 20:8-11). Em 1844, quando Darwin estava propondo a teoria da evolução, Deus estava chamando Seu povo para voltarem a adorá-lO como Criador. Naquela mesma época, os que estavam a pregar a mensagem dos três anjos descobriram o sétimo dia, o sábado da Palavra de Deus, e começaram a guardá-lo em honra ao Criador dos céus e da terra.
(2) A MENSAGEM DO SEGUNDO ANJO
"Um segundo anjo o seguiu, dizendo: 'Caiu! Caiu a grande Babilónia que fez todas as nações beberem do vinho da fúria da sua prostituição!'". Apocalipse 14:8
O segundo anjo alerta: "caiu a grande Babilónia". Apocalipse 17 é uma imagem contrastante com a mulher pura de Apocalipse 12, que representa a verdadeira igreja cristã. A mulher que representa Babilónia é uma mulher caída, que "fez todas as nações beberem do vinho da fúria da sua prostituição".
O vinho da doutrina falsa tem permeado essas formas adulteradas de cristianismo. A mensagem do segundo anjo conclama o povo de Deus a resistir aos ensinos falsos de um cristianismo apostatado.
A Babilónia representa uma mistura de muitas formas de cristianismo apostatado. Ela é muito perigosa porque distorce o verdadeiro carácter de Deus, e O apresenta em caricaturas: ou Deus é vingativo e exigente, ou Deus é um avô sentimental que é bondoso demais para se incomodar com quem peca. Uma igreja saudável apresentará uma visão equilibrada de todos os atributos de Deus e mostrará como Sua justiça e misericórdia se combinam na afirmação de que Deus é amor.
Deus chama o povo para "sair" de Babilónia (18:4), para rejeitar os ensinos não-bíblicos, e seguir os ensinamentos de Cristo.
(3) A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO
"Um terceiro anjo os seguiu, dizendo em alta voz: 'Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também beberá do vinho do furor de Deus que foi derramado sem mistura no cálice da sua ira... Para todos os que adoram a besta e a sua imagem, e para quem recebe a marca do seu nome, não há descanso, dia e noite'. Aqui está a perseverança dos santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus". Apocalipse 14:9-12
A mensagem do terceiro anjo divide o mundo inteiro em dois grupos. De um lado se colocam os cristãos apóstatas que "adoram a besta e sua imagem, e para quem recebe a marca do seu nome". Isso demanda uma resistência paciente por parte do santos que "obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus".
Note o contraste entre os dois grupos. Aqueles que recebem a marca da besta são adoradores comprometidos que seguem ideias e práticas humanas. Os "santos" têm traços distintos: "perseverança", obediência aos "mandamentos de Deus" e permanecer "fiéis a Jesus".
Depois que essa mensagem em três partes houver sido espalhada pelo mundo, Jesus virá para fazer a "colheita" dos salvos:
"Olhei, e diante de mim estava uma nuvem branca e, assentado sobre a nuvem, alguém 'semelhante a um filho de homem'. Ele estava com uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão. Então saiu do santuário outro anjo, que bradou em alta voz àquele que tinha a foice afiada: 'Tome a sua foice e faça a colheita, pois a safra da terra está madura; chegou a hora de colhê-la'. Assim, aquele que estava assentado sobre a nuvem passou sua foice pela terra, e a terra foi ceifada". Apocalipse 14:14-16
3. A IGREJA DE DEUS DOS ÚLTIMOS DIAS
Você já se encontrou um cristão verdadeiro, que faz você se admirar de sua devoção, paciência e fé, e desejar ter uma experiência espiritual semelhante? Deus deu Sua mensagem especial de Apocalipse 14 para nossos dias porque ela pode produzir tal experiência.
Como discutido na Lição 25, Apocalipse 12:17 identifica os cristãos dos últimos dias como "os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus". Apocalipse 14:12 descreve esse mesmo grupo como os "santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus".
Vamos resumir as características dos cristãos dos últimos dias:
(1) Eles "permanecem fiéis ao testemunho de Jesus". Mesmo quando Satanás joga Sua ira contra eles, eles "permanecem fiéis ao testemunho de Jesus". Sua fé não está fundamentada em seus próprios actos, é um dom de Deus (Efésios 2:8). A igreja de Deus dos últimos dias vê mais e mais claramente o verdadeiro carácter de Cristo e, pela graça e através da fé, se tornam monumentos vivos do poder de Cristo habitando neles.
(2) Eles "guardam... a fé de Jesus" (Apocalipse 14:12, Versão Almeida Revista e Actualizada, 2a edição). A fé que Jesus teve, a fé que foi ensinada por Ele, a fé pela qual Ele viveu, agora está presente na vida dessas pessoas. Eles não apenas têm a verdade, eles "guardam" a verdade - eles a seguem. Para eles, religião é vida, a crença está relacionada com a prática, e a fé está ligada à obediência. Eles vivem "a fé de Jesus".
Eles descobriram que os grandes ensinos da Bíblia, quando aplicados à vida diária, produzem uma vida cristã dinâmica. Eles descobriram que as grandes verdades bíblicas lhes despertam amor e devoção a Cristo, e isso satisfaz todos as necessidades e anseios do coração humano.
(3) Eles "obedecem aos mandamentos de Deus", os Dez Mandamentos, a lei moral de Deus. Eles querem, mais que tudo, obedecer cada desejo, cada mandamento de Deus. Eles mostram seu amor a Deus e amor às outras pessoas mediante a obediência a todos os mandamentos de Deus, incluindo o quarto mandamento, que nos dirige para a adoração ao nosso Criador pela guarda do sábado.
(4) Eles partilham a mensagem do "evangelho eterno" pelo mundo (Apocalipse 14:6). O evangelho declara que Jesus morreu por nossos pecados e depois ressuscitou da tumba, a fim de que pudéssemos experimentar um relacionamento com Ele que nos salva. A igreja de Cristo desses últimos dias tem estado a pregar às pessoas em todo lugar para saírem da confusão religiosa e estabelecerem um relacionamento com Jesus baseado apenas nas verdades bíblicas.
(5) Eles são guiados por um senso de urgência, pois "a safra da terra está madura; chegou a hora de colhê-la" (Apocalipse 14:15), e milhões ainda não encontraram a Cristo.
(6) Eles são impulsionados pela missão dada por Deus. Visto que a "Grande Babilónia" caiu, eles pleiteiam com aqueles que ainda vivem em confusão religiosa a saírem dela (Apocalipse 18:4). Eles desejam partilhar com as outras pessoas o maravilhoso relacionamento que têm com Cristo e a felicidade que alcançam como resultado disso.
Tudo isso e muito mais serve para unir os corações dos milhões de cristãos que atenderam ao chamado da mensagem dos três anjos. Sua vida de alegria os leva a se unirem ao apóstolo João e estenderem esse convite a você:
"Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a alegria de vocês seja completa". I João 1:3, 4, nota da margem.
Através de Seu Espírito e Sua igreja, Jesus convida você a também vir e entregar tudo o que você tem a Ele:
"O Espírito e a noiva [a igreja] dizem: 'Vem!'. E todo aquele que ouvir diga:'Vem!'. Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida". Apocalipse 22:17
4. AS DUAS COLHEITAS
A mensagem dos três anjos culmina quando Jesus voltar a essa terra para fazer a colheita dos salvos de todas as eras (Apocalipse 14:14-16). Jesus reúne todos os salvos e os leva com Ele para Suas "muitas mansões" no céu. (João 14:1-3, versão Almeida Revista e Actualizada, 2a edição). Ele acaba de vez com o pecado, a doença, a miséria e a morte. Os santos, então, começam a viver uma nova e gloriosa vida com Ele por toda a eternidade (Apocalipse 21:1-4).
Jesus também fará uma "colheita" dos ímpios quando Ele vier:
"Outro anjo saiu do santuário dos céus, trazendo também uma foice afiada. E ainda outro anjo... bradou em alta voz àquele que tinha a foice afiada: 'Tome sua foice afiada e ajunte os cachos de uva da videira da terra, porque as suas uvas estão maduras!" O anjo passou a foice pela terra, ajuntou as uvas e as lançou no grande lagar da ira de Deus. Elas foram pisadas no lagar, fora da cidade, e correu sangue do lagar". Apocalipse 14:17-20
Esse será um tempo trágico de destruição final, um evento de muito sofrimento para Cristo, pois Ele precisará destruir aqueles que se recusam a ser salvos. Jesus "é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento". (II Pedro 3:9).
Quando Jesus vier para fazer a colheita da terra, em qual você estará? Estará você entre a safra dos redimidos para a eternidade (Apocalipse 14:13-16)? Ou você estará entre a safra de uvas que suportará a ira com os perdidos (versos 17-20)?
A escolha está claramente apresentada. De um lado, Jesus com as mãos marcadas dos pregos, instando com você para que se coloque ao lado dos "santos" que "obedecem aos mandamentos de Deus e mantêm a fé de Jesus" (verso 12). Do outro lado, estão as vozes de seres humanos, instando com você que a crença em toda a Bíblia e a obediência a todos os mandamentos de Deus não é importante.
A multidão na sala de julgamento de Pilatos certa vez teve que enfrentar uma situação bastante parecida com essa. De um lado estava Jesus, o divino-humano, o Deus que se fez homem. Do outro lado estava Barrabás, um homem sem esperança, incapaz de ajudar a si mesmo ou àqueles na multidão que testemunhavam aquela cena trágica. E ainda assim, quando a voz de Pilatos foi ouvida por aquela heterogénea multidão: "'Qual dos dois vocês querem que eu lhes solte?' Responderam eles: 'Barrabás!'".
"Perguntou Pilatos: 'Que farei então com Jesus, chamado Cristo?'".
"Todos responderam: 'Crucifica-o'".
E assim, Jesus, o inocente, foi crucificado; e Barrabás, o culpado, foi libertado. (ver Mateus 27:20-26).
A quem você escolhe hoje, Barrabás ou Jesus? Você prefere seguir as ideias e os ensinos de homens, e que são contrários aos mandamentos de Deus e ao evangelho eterno de Jesus? Ou você deseja "obedecer aos mandamentos de Deus e permanecer fiel ao testemunho de Jesus"? Lembre-se, o próprio Jesus prometeu enviar Seu Espírito Santo para resolver cada perplexidade em sua vida, curar cada mágoa, e satisfazer cada um dos seus anseios mais profundos.

05/12/10

PORQUE NÃO ME ENVERGONHO DO EVANGELHO.

Muito se tem falado e continua a falar na forma de culto Adventistas. Hoje, foi um desses dias, numa reunião de pastores e anciãos foi feita referência ao descuido que se verifica nos momentos dedicados ao culto solene; anúncios intermináveis, e até intervenções desnecessárias depois da pregação da Palavra de Deus. Talvez, isto em muitas igrejas de cariz evangélico não seja motivo de reparo. Na Igreja que defende verdades e doutrinas distintivas não deveria acontecer. Uma Igreja como a Igreja Adventista do Sétimo Dia deve ter uma marca que a distingue de todas as outras tanto no fundo como na forma.
Também é verdade que alguns no afã de defender essa “marca distintiva” têm caído no extremo, seja porque criaram um conceito que se tornou uma “tradição” e não permitem nenhuma alteração, ou ainda, porque acham que o culto deve ser um momento de penumbra ou um momento social com carácter religioso.

Parece-me que muitas destas opiniões não se baseiam nem na Bíblia, nem sequer no Espírito de Profecia. Assim, o que pretendo exprimir é que a Igreja Adventista surgiu em reacção à tradição e a doutrinas que tinham sido deixadas no baú do esquecimento. Essa reacção levou à exclusão dos adventistas americanos das suas igrejas mães e continua hoje ao sermos erroneamente chamados uma "seita".
Nem eu, nem nenhum Adventista tem receio de ser catalogado como pertencendo a uma “seita” ou “sabatista” ou outra coisa qualquer desde que como Igreja façamos as coisas segundo o Novo Testamento, ou seja, sejamos verdadeiros Evangélicos! Evangélicos no sentido de Evangelho e sê-lo sem um mínimo de preconceito. Não que seja um saudosista dos métodos do passado, mas estou bem firme de que a hora do Culto é um momento que tem que ser marcante. Obviamente, não estou a defender que se tenha que pregar 1 hora, mas a Palavra tem de ser pregada com poder e sem ter o espírito dividido pelo facto de se saber que uma irmã tem que ir dar o almoço ao marido que não é adventista!
Às vezes, a impressão que há muitos irmãos que entram no lugar de culto como se entrassem numa dessas explanadas onde se serve comida fast food. Temo até, que qualquer dia, com os meios técnicos que existem se vá a uma cozinha de fast food e se leve a comida para casa e lá se coma sem ser necessário de estar no lugar do Culto, sem o convívio com os que são meus companheiros na peregrinação para a Canaã Celeste!
Creio ser importantíssimo que, como Igreja e indivíduos, mantenhamos a nossa identidade adventista. Afinal, se Deus nos levantou como um povo e nos guiou por experiências que talharam a nossa memória colectiva tais como a ênfase na Segunda Vinda e no Santuário, precisamos como Igreja manter essa identidade para sermos fiéis ao chamado divino no passado e por conseguinte, amealhar forças que direccionei o nosso chamado presente e futuro.
Tendo dito isto, creio ser importante ressaltar a primazia e centralidade do Evangelho na adoração adventista sobre quaisquer outras doutrinas. Por isso quando eu digo que a adoração Adventista é evangélica, refiro-me à primazia desse aspecto da Adoração, o Evangelho.
Embora a palavra "evangélica" tenha adquirido conotações denominacionais, creio que não devemos esquecer o seu real sentido de "Evangelho". Por isso, a palavra "evangélica" deve definir a adoração Adventista também. Precisamos dar a nossa contribuição ao cristianismo na maneira como vivemos o nosso cristianismo/adventismo como "evangélicos".
Para isso, precisamos articular todas as nossas doutrinas à luz do Evangelho, especialmente a nossa visão de adoração. Alguém disse que "Evangelizar não é salvar almas, é formar adoradores." Por outras palavras:

É irrelevante enfatizar o Sábado sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar o Santuário sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar as profecias sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar a "identidade adventista" se os nossos irmãos não compreendem o Evangelho nos nossos cultos
É irrelevante enfatizar a música de boa qualidade quando o Evangelho é apresentado à pressa nos nossos púlpitos.

E assim por diante. Calculo que a reacção de alguns leitores vai servir como amostra de quantos dão importância aos anúncios, e referencias desnecessárias em detrimento de uma preparação silenciosa e calma, onde o Espírito se manifeste no coração fluindo de lá para o Trono em oração. Ao mesmo tempo traga poder ao púlpito e a todos quantos nessa hora como “sacerdotes” se querem apresentar diante de Deus e do Seu povo.

Finalmente, acredito que somente o Evangelho, vivido e pregado com poder, será capaz de reavivar as nossas igrejas, tornar relevante os nossos estilos musicais e potencializar a nossa adoração. Ah, Paulo também já pensava assim quando disse:
"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê." (Rom. 1:16)

03/12/10

É O PAPA BENTO XVI O "SÉTIMO REI?"

Com o lançamento do filme "2012", o interesse das pessoas no fim do mundo se intensifica. E diz-se por aí que a morte de João Paulo II e a eleição de Bento XVI foi predita na Bíblia como sinal do fim. Mas será que é verdade?
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Apocalipse 17:7-11 é uma das passagens mais difíceis de toda a Bíblia. Muitas interpretações drasticamente divergentes têm sido propostas para esta passagem, não só por Adventistas mas por outras denominações também. Este artigo propõe uma das interpretações mais aceitas na IASD actualmente e suas implicações para a interpretação de que os sete reis representam sete papas recentes, o que faria de Bento 16 o "sétimo rei" (v. 10). O artigo também expõe alguns problemas com outras interpretações historicistas adventistas actuais. Aqui vai a passagem na versão Almeida Actualizada:

"7Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres. 8A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir. 9Aqui está a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada; 10são também sete reis: cinco já caíram; um existe; e o outro ainda não é vindo; e quando vier, deve permanecer pouco tempo. 11A besta que era e já não é, é também o oitavo rei, e é dos sete, e vai-se para a perdição."

A pergunta crucial para o entendimento correcto da passagem é: A que tempo o anjo se refere ao dizer das cabeças da besta no verso 10 que "cinco já caíram, um é, outro ainda não é vindo"?

Essa pergunta pode ser respondida por dois princípios interpretativos[1] que regem a interpretação de profecias tanto do Antigo quanto do Novo Testamento:

1. A profecia é relevante ao tempo do profeta. Em outras palavras, a profecia não é simplesmente para saciar a curiosidade do profeta sobre um futuro distante, mas sim para revelar a acção constante de Deus na história do Seu povo, inclusive no momento em que o profeta vive, no seu contexto e circunstâncias imediatas. Embora as profecias transcendam muitas vezes esse contexto, elas se fundamentam no tempo do profeta, usam elementos com os quais ele está familiarizado e se entendem a partir desse tempo e contexto. Exemplos disso são o ídolo de Nabucodonosor em Daniel 2 e os gafanhotos, os selos, as trombetas e as taças do Apocalipse. Deus não mostrou a Daniel e João e outros profetas elementos desconhecidos como bombas nucleares, aviões, helicópteros, computadores, internet, automóveis, etc.

Ellen White articula esse ponto dizendo que "[Deus] vai ao encontro dos caídos seres humanos onde eles se acham. Perfeita como é, em toda a sua simplicidade, a Bíblia não corresponde às grandes ideias de Deus; pois ideias infinitas não se podem corporificar perfeitamente em finitos veículos de pensamento." (ME 1: 22). O Dr. Jon Paulien, actual reitor da Universidade Adventista de Teologia de Loma Linda e autoridade em Novo Testamento e profecia concorda que "A abordagem adventista crê que Deus coloca nas visões apocalípticas informações precisas sobre o futuro distante, mas este futuro é descrito na linguagem do tempo e lugar do profeta."[2]

2. Deve haver distinção entre o tempo da visão e o tempo da interpretação da visão. Na visão propriamente dita, o profeta viaja a tempos e lugares diferentes (tempo transcendente; cf. Apo. 17:3). A explicação da visão, por sua vez, deve ser para benefício do profeta e tem como ponto de referência o tempo do profeta (tempo local). Na explicação da visão, passado, presente e futuro não se referem ao tempo que passa na visão e sim ao momento histórico do profeta para que haja referencial. E os elementos e símbolos da visão também, embora seu significado transponha a barreira de tempo, estão baseados no tempo do profeta. Usando ainda a estátua de Nabucodonosor como exemplo, ela tinha implicações para o tempo do fim mas está firmada no tempo do rei: na visão, Deus revelou um ídolo que era comum ao rei. Deus poderia ter usado outros símbolos mas usou algo que Nabucodonosor entenderia imediatamente. A estátua que ele mandou construir e adorar reflectia o entendimento da visão que ele tivera para o seu tempo. Já para Daniel, a mesma visão foi dada usando a temática da Criação.[3]

Aplicando agora esses dois princípios a Apocalipse 17:7-11, podemos criar o seguinte cenário:

Cena 1: Discurso angélico: Anúncio do início da visão (tempo local): "Vem, mostrar-te-ei..." (v. 1-2)

Cena 2: Visão propriamente dita (tempo transcendente): "Então me levou em espírito a um deserto ..." (3-6)

Cena 3: Fim da visão (tempo local): "Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste?" (7a)

Cena 4: Discurso angélico: Explicação da Visão (tempo local): "Eu te direi o mistério da mulher e da besta" (7b)

Note que a explicação não inclui outra visão, como se João fosse transportado novamente a outro período da história durante a explicação. A explicação é baseada na visão da besta e da meretriz ("a besta que viste") e baseia-se no tempo local de João. O texto não permite concluir que João foi levado a um tempo futuro durante a explicação, supostamente o tempo do cumprimento da visão.

Esta distinção é importante, pois segundo o Dr. Ekkehardt Müller do Biblical Research Institute da Conferência Geral: "Durante a visão o profeta se move livremente em tempo e lugar . ... A interpretação da visão, no entanto, tem que se relacionar com o tempo e o lugar do profeta para que faça sentido e para que saibam em que tempo localizar os eventos preditos."[4] Paulien adiciona que "Se queremos entender o que Deus está dizendo a João sobre o futuro, precisamos primeiramente entender o que João entendeu. "[5]

Note também que o anjo explicou para que João pudesse entender a visão e não continuasse "maravilhado" que no original grego é "admiração com medo, estarrecimento" (cf. Daniel 8:27).[6] Lembre-se também que Jesus profere uma bênção sobre aqueles que "ouvem e guardam as palavras desta profecia" (Apo. 1:3). No original esse ouvir (akou¬o) é "ouvir com entendimento", o que pressupõe que o autor e os leitores entenderam a mensagem do Apocalipse como relevante aos seus dias e não exclusivamente a um futuro distante.

A opinião de que "um é" se refere ao tempo de João tem apoio de estudiosos adventistas e eruditos evangélicos. O primeiro a propô-la foi Urias Smith [7] e mais recentemente ela teve o apoio dos Dr. Kenneth Strand[8], Dr. Jon Paulien [9], Dr. Ranko Stefanovic [10]e Dr. Ekkehardt Müller.

Portanto, há fortes evidências que a explicação da visão de Apocalipse 17 deve se fundamentar no tempo de João. Sendo assim, os "cinco" (v.10) já haviam passado no tempo de João e o sexto estava presente no tempo dele (c. 95 A.D); o sétimo estava por vir no futuro, ficaria "pouco tempo" e o oitavo seria da mesma natureza dos outros ("é dos sete") e iria "para a destruição" ou seja, surgiria imediatamente antes do juízo. A idéia aqui é sequência histórica. Considerando então que "reis" e "montes" (v. 9, 10) em profecia representam reinos e impérios (Daniel 2; Jeremias 51), e não indivíduos (Papas),[11] essas cinco cabeças da besta ou reis significariam cinco impérios opressores do povo de Deus que já haviam passado ou "caído" no tempo de João.

A seguinte lista dos impérios que "caíram" tem apoio de vários eruditos adventistas:[12] Egipto, Assíria, Babilónia, Pérsia e Grécia.[13] O fato de que os "montes" são "reis" consecutivos ("caíram, é, virá"), ou seja, em sequência histórica, descarta a interpretação de que esses "montes" se referem aos sete montes literais de Roma, pois montes não tem sentido de sequência ou sucessão histórica. A linguagem aqui é claramente simbólica.

O Dr. Paulien conclui sobre as cabeças de Apocalipse 17 que "... há evidências no livro do Apocalipse de que as três bestas podem representar a sexta cabeça (Apocalipse 12 - Roma pagã do tempo de João), a sétima cabeça (Apocalipse 13 - Roma Papal que sucedeu a pagã) e a oitava cabeça (a besta de Apocalipse 17 - a unidade política mundial.)"[14] Ele propõe que "o dragão do capítulo 12, a besta do mar do capítulo 13 e a besta escarlata do capítulo 17 são três diferentes estágios da mesma besta"[15] o que é pode ser visto nas características compartilhadas pelas três bestas. Portanto, com base no que vimos até agora, poderíamos criar a seguinte linha de tempo de Apocalipse 17:7-11:

A sugestão acima é compatível com os princípios de interpretação de visões proféticas delineados anteriormente e apresenta a leitura mais natural do texto, principalmente no que tange a distinguir entre o referencial de tempo que ocorre na visão (tempo transcendente) com o referencial de tempo da explicação (tempo local). Note também que essa interpretação em nada desmerece a parte que o Papado terá nos eventos finais; segundo o entendimento adventista, a sua actuação está claramente estabelecida na em Apocalipse 13 e 18.

Essa interpretação também enfraquece outras interpretações adventistas historicistas actuais que, embora não considerem os Papas como reis, ignoram a importante distinção entre visão e acabam propondo que João foi levado a outro tempo durante a explicação (o que não tem base no texto) considerando assim que os "cinco caíram" no momento da ferida mortal (1798 A.D.).[17] Outras mostram inconsistência ao interpretar "um é" no tempo de João (Roma Pagã) enquanto transpõem a besta que "não é" a um tempo futuro (Papado ferido).

Finalmente, apesar de a interpretação proposta aqui ser a mais plausível, Apocalipse 17 provavelmente continuará sendo um texto "difícil" para estudantes das profecias.

Conclusão: Os "cinco caíram, um é e outro ainda não é vindo" de Apocalipse 17:10-11 são melhor entendidos na perspectiva do tempo de João no primeiro século A.D. Essa interpretação descarta por completo a hipótese de que os seis reis são Papas do século XX e que o sétimo seja Bento XVI.[18] Ela também questiona a opinião de que João foi transportado a outro tempo durante a explicação removendo assim o referencial de tempo dos vários períodos delineados pelo anjo.

Certamente todos ansiamos pelo retorno de Jesus. Porém, tentar decifrar "tempos ou épocas" (Actos 1:6-7) através de especulações e sensacionalismo por uma leitura distorcida dos eventos actuais leva a falsas esperanças e desvia a atenção dos verdadeiros sinais do fim. Acima de tudo, nossa confiança na Segunda Vinda deve estar firmemente baseada na promessa de Jesus:

"Eis que cedo venho; bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (Apo. 22; João 14:1-3)

"Por isso, confortai-vos uns aos outros com essas palavras." (1 Tess. 5:11).

* * * * * * * * * * * * * *

E a Besta de Apocalipse 17?

A interpretação dos oito reis de Apo. 17 na perspectiva do tempo de João nos leva a perguntar: Como então entender as fases da besta de Apocalipse 17:8 que 'era, não é e subirá do abismo (tornará a vir)' usando o mesmo critério?

Aqui vai o verso completo:
"A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir."

Lembra-se do que o Dr. Jon Paulien falou acima que "o dragão do capítulo 12, a besta do mar do capítulo 13 e a besta escarlata do capítulo 17 são três diferentes estágios da mesma besta"? Então note como o texto traz um paralelo entre a besta que "era, não é, e que tornará a vir" (Apo. 17:10) e Deus "que era, que é, e que há de vir" (Apo. 1:4). Isso parece indicar que a besta do capítulo 17 representa aspectos da trajectória do próprio Satanás, o dragão do capítulo 12 e que desde o início quis ser igual a Deus (Isa. 14:12). Embora ele sobreviva através dos reis ("um é, outro virá, o oitavo é a besta"), seu reino está tecnicamente derrotado a partir da cruz em 31A.D. (Apo. 12:12, Luc. 10:18). Algumas evidências textuais parecem favorecer esta interpretação:

"Vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata". Essa é a mesma cor do dragão de Apo 12:3 que é um dos símbolos de Satanás: "um grande dragão vermelho".

"Subirá do abismo". A besta está no abismo que é símbolo da morada de demónios cujo rei é o anjo Abadom ou Apoliom, que simboliza Satanás (Apo. 9:2-11, cf. Mat. 12:24). Veja também Apo. 20:1; Isa. 24:21; Lucas 8:31; 2 Ped. 2:4; Jud. 6. A besta sobe do abismo para travar a última batalha contra Deus, com a ajuda dos dez reis e da meretriz.

"Vai-se para a perdição". A destruição do poder e influência de Satanás sobre a humanidade na Segunda Vinda (Apo. 20:1-3) que culmina com sua destruição definitiva no fim do milênio (Apo. 20:10).

Assim, levando em conta a perspectiva do tempo de João, é possível construir a seguinte sequência histórica da besta do abismo de Apocalipse 17 como sendo um símbolo do próprio Satanás: (O diagrama abaixo é uma sugestão baseada em parte nos estudos do Dr. Jon Paulien, Seminário Adventista de Loma Linda e Dr. Ekkehardt Müller do Biblical Research Institute):


A BESTA DE APO. 17
ÉDEN - CRUZ (31A.D.) 31A.D. --- c. 95A.D. RESSURGIMENTO FINAL
"era" "não é"
(está no abismo) "todavia está para subir do abismo e vai-se para a perdição"
Reinado Satânico do
Éden até a Cruz Tempo de João e além
Satanás Derrotado desde 31A.D.

(Apo. 12:12; cf. Lucas 10:18;
Ellen White: "Quando Cristo abaixou sua cabeça e morreu, ele derrubou os pilares do reino de Satanás consigo ao chão." YI, 25/04/1901).
Batalha Satânica imediatamante antes da Segunda Vinda que culmina com o aprisionamento de Satanás durante o Milênio e sua posterior destruição no lago de fogo
Autor: José Reis
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[1] Veja Jon Paulien, Revelation 17 and the Papacy (Berrien Springs: Endtime Issues; 2002), 30.
[2] Ibid., 32.
[3] Ibid., 31.
[4] Ekkehardt Müller, Revelation 17: A Suggestion. (Monografia não publicada divulgada pela Adventist Theological Society), 8.
[5] Paulien, 32.
[6] Paulien sugere que o estarrecimento de João se deve ao fato de que na visão de Apo. 12 ele havia visto a mulher no deserto (Igreja pura) sendo atacada pelo dragão mas em Apocalipse 17 uma mulher (meretriz) está intimamente relacionada à besta. João pode ter entendido que a mulher pura e fiel estava agora "prostituída".
[7] Urias Smith, Daniel and the Revelation, Edição revisada (Nashville: Southern Publishing Association, 1944), 711.
[8] Kenneth A. Strand, “The Seven Heads: Do They Represent Roman Emperors?” em Symposium on Revelation— Book II, editado por Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series, vol. 7 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), 191.
[9] Paulien, 37.
[10] Veja Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ. (Berrien Springs: Andrews University Press: 2002), 512.
[11] Poderia também se argumentar que o Vaticano é um império cujo rei é o Papa mas a linha de tempo no século XX não coincide com "cinco já caíram" no tempo de João.
[12] Stefanovic, 512; Paulien 23, 37.
[13] Algumas interpretações rejeitam esta lista porque o Egito e Assíria não estão entre os reinos de Daniel 7 e não poderiam estar no Apocalipse. No entanto, há fortes alusões à experiência de Israel no Egito nas sete pragas em Apo. 16 que coincidem com as sete trombetas de Apo. 8-11. Segundo Jon Paulien, há também uma alusão clara à Assíria em Apo. 8:7 baseada em Isa. 10:16-19. Além disso, o Apocalipse não se limita ao que Daniel revelou necessariamente mas desenvolve seus temas de maneira mais ampla. Ellen White diz que: "No Apocalipse todos os livros da Bíblia se encontram e se cumprem. Ali está o complemento do livro de Daniel. " (AA, 585).
[14] Paulien, 34.
[15] Ibid., 27.
[16] Veja Müller, 38.
[17] A besta e a meretriz devem ser mantidas como entidades distintas; a besta representa a ação Satânica através de poderes políticos e a meretriz, poderes religiosos apostatados; veja que em Apo. 17:16, a besta e os dez chifres se voltam contra a meretriz e a destroem. Veja o Apêndice sobre a besta do abismo.
[18] Uma interpretação ainda mais radical dos reis como Papas é a de que o oitavo rei seria a reencarnação de João Paulo II.

25/11/10

CREDO DOS APÓSTOLOS

1. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé em Cristo.
2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
3. A fé em Jesus como Salvador consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas num só Deus.
4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
5. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.
7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. E contudo não são três eternos, mas UM só eterno.
12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
13. Da mesma maneira, o Pai é omnipotente, o Filho é omnipotente, o Espírito Santo é omnipotente.
14. E contudo não são três omnipotentes, mas um só omnipotente.
15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião recebida dos APOSTÓS nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
27. Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
29. É Deus, gerado da substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da Sua mãe.
30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
33. É UM, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu ao hades (lugar dos mortos) e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
37. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para receber as contas dos seus actos.
39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno (que consumirá enquanto houver algo para consumir).
40. Esta é a fé APOSTÓLICA, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar".

20/11/10

NATAL: FESTA PAGÃ, SIM OU NÃO?

Todo o mês de Dezembro oferece uma oportunidade a Igrejas Adventistas em todo o mundo de celebrar o Nascimento de Cristo.

Para muitos, porém, esse período é marcado por consumismo e secularismo.

Mas qual deveria ser a posição adventista frente à celebração do Natal?

Os argumentos contra a celebração do Natal são mais ou menos o seguinte: a data 25 de Dezembro coincide com um festival romano, possivelmente o Sol Invictus, e por isso a celebração do nascimento de Cristo neste dia tem associações com o paganismo e não deve ser celebrada por Cristãos.

Em primeiro lugar, precisamos entender que há divergências quanto à real razão da escolha da data em Dezembro. Alguns argumentam que a data foi escolhida por marcar 9 meses da concepção de Maria, segundo a Festa da Anunciação. Outros ainda acreditam que a data foi escolhida por marcar o solstício do Inverno no hemisfério Norte que torna o dia mais longo, sendo assim um símbolo desejável do Advento de Cristo que traz "luz ao mundo".

Por outro lado, há indícios de que o nascimento do Sol se transformou num símbolo de Jesus para Cristãos na época em que o Natal foi instituído. Factos históricos mostram que a simbologia de Cristo como SOL INVENCÍVEL (Sol Invictus) surgiu no cristianismo já no ano de 250 a.D., como pode ser vista em uma pintura descoberta nas ruínas de um mausoléu sob a Catedral de São Pedro no Vaticano.

Essa prática parece ter-se baseado em Malaquias 4:2:

"Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria."

Esse simbolismo de Jesus Cristo como o Sol Invictus se deve possivelmente ao fato de que os cristãos fiéis na época do surgimento do Natal (3-4 Séculos) viviam em constante conflito com o estabelecimento romano e muitos desses símbolos, em vez de representar um sincretismo religioso, proviam na realidade uma contrafacção cristã à simbologia idólatra romana.

O Natal foi instituído com o único objectivo de celebrar a Natividade. A acusação de sincretismo religioso não tem força.

Por isso, creio que a rejeição das celebrações de Natal devido a supostas "origens pagãs" carece de base histórica. E mesmo que houvesse essas associações periféricas, o argumento ainda estaria baseado na falácia lógica da culpa por associação, ou seja, se a data da celebração do Natal coincide com uma festa pagã, então, essa associação com o paganismo desqualifica o Natal.

Há também outra falácia lógica aí, a "falácia genética" em que a origem de certa afirmação (ou evento) aprova ou desaprova a sua validade. Por exemplo, José diz que 1+1=2; os meus pais dizem que 1+1=666; José está errado porque acredito nos meus pais.)
A argumentação contra o Natal continua a dizer que, porque ele foi instituído pela Igreja Católica, aceitá-lo seria como aceitar a guarda do domingo. Mas vejamos que o Cânon Sagrado também foi preservado pela Igreja Católica e finalizado ao redor do mesmo tempo do estabelecimento do Natal. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitar a Bíblia por suas associação com o catolicismo?


Os símbolos têm o significado que lhes damos.

A Bíblia tem vários exemplos de símbolos pagãos que foram usados para expressar verdades eternas, como a serpente no deserto que era símbolo de um Deus egípcio e símbolo do Dragão (Apo. 12) mas que Deus usou como símbolo de Cristo (João 3:14). A cruz era símbolo de tortura e opressão pelos romanos mas Deus a usou para realizar a expiação. O uso cristão desses símbolos modificou as suas conotações.

Invertendo um pouco a analogia, o arco-íris foi usurpado pelo movimento homossexual e tem hoje fortes associações pagãs. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitar o arco-íris como um símbolo da promessa divina por causa dessa associação?

É certo que a Bíblia não revela a data do nascimento de Cristo e muitos se apegam a isso também para rejeitar o Natal. Mas não temos na Bíblia tão pouco uma condenação de celebrações da Natividade. Saber a data é irrelevante, pois comemoramos o evento e não uma data! Quem sabe Deus velou a data para nos concentrarmos justamente no evento, já pensou nisso?

Aliás, a grande celebração que houve no céu e na terra naquela ocasião autoriza os cristãos em todo o mundo a repetir o "cântico de Belém". Veja:

"Glória a Deus nas alturas,
Paz na Terra, boa vontade para com os homens." Luc. 2:14.

Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-ia até ao fim do tempo, e ressoaria até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina." Apoc. 19:6.
A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as "profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus". Rom. 11:33." (O Desejado de Todas as Nações, p. 48)

Veja como E. G. White também usa a analogia do nascimento do Sol ao falar do nascimento de Cristo!

"A nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra." A menos que eu e você façamos essa nota angélica soar o som desse hino morreu 2.000 atrás! Nós somos as vozes desse anjos para as pessoas HOJE!

Como celebrar na Igreja?

Estatísticas demonstram que o Natal é o período do ano em que as pessoas se acham mais abertas a assuntos espirituais. Temos aí uma oportunidade fantástica de testemunhar. O ideal então seria celebrar TODO o mês de Dezembro como um período de festa espiritual, não necessariamente só o dia 25 de Dezembro.
Não devemos desperdiçar essa oportunidade com discussões fúteis e falaciosas sobre o "paganismo" do Natal. Façamos do Natal um evento Cristão porque Cristo é o centro!

Muitos dos comentários de adventistas contra o Natal em blogs e fóruns exalam um azedume injustificável contra as celebrações Natalícias. Alguns até chamam o período de "maldito Natal". No mesmo capítulo do Desejado, E.G. White também revela a atitude de Satanás para com o nascimento de Cristo:

"Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. (DTN 49)

Creio que corremos o risco de cair no mesmo espírito do inimigo ao nos opormos ao Natal com um "engano satânico" apesar de toda a beleza do seu significado cristão. Também não é cristão impor os nossos devaneios sobre o paganismo sobre irmãos que querem nesse período celebrar a Cristo de uma forma especial.

Há quem defenda o Hanukkah como uma festa que Jesus possivelmente aprovaria neste período, pois ele teria participado dela quando criança. A dificuldade em aceitar essa ideia é que primeiramente não há provas que Jesus tenha realmente participado de tal festa (veja João 10:22-24); mas independente desse detalhe, é difícil conceber que Jesus preferiria celebrar uma festa judaica pré-cruz que era uma mera "sombra" dele próprio em detrimento da celebração da sua própria encarnação! O Hanukkah para os judeus hoje também significa "liberdade religiosa" e é mais uma declaração política do que espiritual.

Qual deveria ser a nossa atitude para com o Natal? Deveríamos nós adventistas rejeitar o Natal por origens pagãs?

Não, pois não há na celebração da Natividade "origens pagãs". Apesar de o Natal possivelmente coincidir com outras datas seculares, em si, ele celebra um evento profundamente Cristão, a encarnação de Jesus Cristo. O EVENTO celebrado é que cristianiza a data.

Alguns acham que o Natal pode ser celebrado mas de maneira diferente: não deveria ser celebrado na Igreja, para os "santos" e sim fazendo obras de caridade, cuidando de enfermos, mendigos, etc.

Sem dúvida, Jesus foi o "servo dos servos" e celebrá-lo deveria levar-nos ao serviço. Portanto, vamos fazer o bem neste período pois as pessoas estão abertas a isso: acções de caridade no Natal, ministérios pessoais, beneficência cristã, convidar “sem abrigos” para a nossa casa e dar-lhes um bom jantar, porque não?

Confesso que não me recordo dos meus pais celebrarem o Natal. Nem tão pouco no meu lar o celebramos para além duma festa de família. Não me importo de dizer que nunca dei presentes a ninguém neste dia e se me ofereceram, foram pares de meias. Presentemente, como não dou os meus familiares também não me dão e fazem muito bem!
Confesso ainda, que me encanta assistir a celebrações de Natal na igreja, gosto de ouvir coros, grupos e solos que louvem a Jesus. Recordo na igreja Adventista de Canelas de se realizarem grandes concertos de música espiritual e os irmãos virem assistir com os seus familiares e amigos, que testemunho!

Tudo depende de COMO o celebramos:

Se nos ajoelhamos perante os deuses consumistas desse século, ele será pagão e secular.

Se nos ajoelhamos ao pé da manjedoura e contemplamos o mistério da encarnação, faremos de Cristo o centro!

Espero que o seu Natal seja um período de luz, paz e ESPERANÇA!

16/11/10

UMA MENTE RENOVADA

“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo. Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”. Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça. Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse: “Vê, isto tocou os teus lábios; por isso, a tua culpa será removida, e o teu pecado será perdoado”. Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?”E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” (Isaías 6:1-8)
Podemos perceber a forma como o Senhor Deus conduziu o chamado de Isaías. O profeta precisava compreender algumas coisas importantes e fundamentais para o cumprimento do seu chamado. A sua mente precisa ser renovada, assim como o Apóstolo Paulo nos diz em Romanos 12:2 – “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Precisa haver uma renovação da nossa mente para que aí então possamos compreender a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossa vida. Foi exactamente o que aconteceu com Isaías, diante da visão da glória de Deus e passou a entender perfeitamente algumas coisas sobre Deus e sobre si mesmo. Primeira compreensão: “EU VI O SENHOR ASSENTADO NUM TRONO ALTO E EXALTADO” – Precisamos entender que o Senhor está assentado sobre um alto e sublime trono e Ele é o que tem o controlo de todas as coisas. Deus é soberano, a nossa vida precisa estar nas mãos de Deus. Há uma canção que diz assim:

Abro mão dos meus sonhos
Abro mão dos meus planos
Abro mão da minha vida por Ti
Abro mão dos prazeres e das minhas vontades
Abro mão das riquezas por Ti
Estou apaixonado...

Eu penso que precisamos ter muita coragem para viver esta música, pois ela fala de uma rendição total a vontade d´Aquele que é o Soberano e que se assenta num alto e sublime trono. Segunda compreensão: E PROCLAMAVAM UNS AOS OUTROS: “SANTO, SANTO, SANTO É O SENHOR DOS EXÉRCITOS, A TERRA INTEIRA ESTÁ CHEIA DA SUA GLÓRIA”. Assim como o nosso Deus é santo, importa que sejamos santos. O Apóstolo Pedro nos ensina isto: “Sejam santos, porque eu sou santo”. A santidade precisa fazer parte de minha vida. Muitas vezes declaramos ser difícil viver em santidade, porém, nem mesmo começamos a caminhar, julgando ser impossível. Isaías compreendeu que Deus era Santo, Santo e Santo. Terceira compreensão: “ENTÃO GRITEI: AI DE MIM! ESTOU PERDIDO! POIS SOU UM HOMEM DE LÁBIOS IMPUROS E VIVO NO MEIO DE UM POVO DE LÁBIOS IMPUROS”. Isaías compreendeu que precisava de Deus. Reconheceu sua falha, foi sincero diante de Deus. Todos nós precisamos reconhecer a nossa dependência de Deus. O fato de reconhecer não significa o fim. Isaías pensava que após reconhecer sua falha Deus iria destruí-lo, porém, foi exactamente ao contrário. Deus não descarta ninguém. Hoje vivemos a geração do descartável. Tudo a gente usa e joga fora. Deus não olha desta forma. Quando ele encontra em nós sinceridade, rendição, quebrantamento Ele está disposto a mobilizar os céus, fazendo com que o anjo traga uma brasa viva do altar para tocar a nossa vida. Que possamos expor a nossa vida diante de Deus para que Ele possa trazer CURA. É tempo de sarar as nascentes das águas. Deus quer a sua igreja fluindo águas limpas, que irão levar vida onde passar. É TEMPO DE SARAR AS FONTES.
“Vede o Filho de Deus curvado em adoração a Seu Pai! Conquanto seja o Filho de Deus, robustece Sua fé por meio da prece, e mediante a comunhão com o Céu traz a Si mesmo força para resistir ao mal e ministrar às necessidades dos homens. Como o Irmão mais velho de nossa raça, conhece as necessidades dos que, cercados de enfermidades e vivendo num mundo de pecado e tentação, desejam contudo servi-Lo. Ele sabe que os mensageiros que acha por bem enviar, são homens fracos e falíveis; mas a todos que se dedicam inteiramente ao Seu serviço, promete auxílio divino. Seu próprio exemplo é uma garantia de que a diligente e perseverante súplica a Deus em fé - fé que leva a uma inteira confiança nEle e consagração sem reserva a Sua obra - será eficaz em trazer aos homens o auxílio do Espírito Santo na batalha contra o pecado.”
Atos dos Apóstolos, p. 56