29/06/10

A VIDA DE PEDRO CONDENA A IGREJA CATÓLICA ROMANA

“Uma nação fundada sobre Abraão – O Pai dos Patriarcas”.
“A única nação monoteísta do mundo durante 2 mil anos”! (Abraão viveu por volta de 2 mil antes de Cristo e deu origem a Israel).
“Israel possuía o glorioso Templo! Uma das 7 Maravilhas do mundo”! (Embora o segundo Templo da época de Jesus não fosse o mesmo, ainda era reluzente)!

Israel foi fundado sob a fé de Abraão. Os judeus se orgulhavam disso e ficaram admirados com a pregação de Jesus de que o Templo seria destruído e não sobraria pedra sobre pedra. Porque razão a nação gloriosa, fundada por Deus em meio aos milagres do Egito seria destruída?

Jesus respondeu várias vezes, embora poucos tenham prestado atenção:
(João 8:39-40-44) – Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.

Que palavras fortes do Filho de Deus! Os hebreus querendo justificar seus procedimentos citando a herança de Abraão e Jesus dizendo que eles tinham por pai, não Abraão, mas o Anjo Querubim exilado!

A Igreja Católica Romana semelhantemente afirma que sua herança advém de Pedro. Seus seguidores falam frases parecidas com as dos judeus do primeiro século:

“Temos 2 mil anos e estamos alicerçados sobre Pedro”!

Cita versos bíblicos para tentar provar isso, mas suas doutrinas não possuem AS OBRAS DE PEDRO, da mesma maneira que os ensinamentos e obras dos judeus do primeiro século não se equiparavam às obras de Abraão.
Jesus disse que Pedro era um pedra. Mas os demais apóstolos e profetas também o eram. A principal Pedra no entanto era o próprio messias e não pedro – humano falho e pecador. Vejamos os textos bíblicos:

Pedro era uma Pedra:
(Mateus 16:18) - Pois também eu te digo que tu és Pedro [pedrinha], e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
A Igreja está edificada não apenas em Pedro, mas em todos os apóstolos e profetas, pedras menores que o MESSIAS:
(Efésios 2:20) - Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;
E como era a vida de Pedro que condena as doutrinas católicas?
Pedro obedecia os 10 mandamentos incluso o quarto mandamento, que a Igreja Católica odeia:
(Lucas 23:56) – E, voltando elas [mulheres que seguiam Jesus], prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.

Quarto Mandamento:
(Êxodo 20:8-11) – Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou.

Outro exemplo que podemos citar – Pedro era casado e não um homem solteiro perpétuo no estilo papal:
(Lucas 4:38) - Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela.

O Papado rejeita o casamento, sendo obra do anticristo, que é justamente o que ele é. Portanto não está alicerçado sobre Pedro, um guardador do sábado que era casado.
O Papado não tem por pai Pedro, mas por Pai o Diabo! Certamente Amén.

Apenas a Igreja Adventista do 7° Dia está alicerçada em Pedro!
Um terceiro exemplo: A Igreja Católica ensina que o futuro do mundo é paz e prosperidade sob seu domínio. Pedro ensina que é destruição para os povos e nações que serão destruídas exatamente como anunciou o profeta Isaías (Isaías 24:1-6). Vejamos a carta de Pedro:
(II Pedro 3:7) – Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.
(II Pedro 3:10-12) – Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?
Pedro não tem nada haver com a Igreja Católica. Nadinha! Ele era um guardador do sábado, casado, que anunciava a destruição do mundo pelo fogo! E não um dominicano supostamente casto que fala em paz e prosperidade!
Da mesma maneira que Jesus prometeu a destruição do Templo , ele enviou a profecia ao Apóstolo João falando sobre a destruição da Igreja Caída. Vejamos os 2 textos bíblicos:
(Lucas 21:5-6) – E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada.
(Apocalipse 17:16) – E os dez chifres (PAÍSES) que viste na besta (PODER POLÍTICO CONFEDERADO – EUROPA) são os que odiarão a prostituta (ESPOSA INFIEL – A IGREJA CATÓLICA), e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo.

24/06/10

O CÓDIGO DA VINCE

Constantino inventou a divindade de Cristo no Concílio de Nicéia. Foi esse concílio que determinou que livros deviam ser incluídos no Novo Testamento. Jesus casou com Maria Madalena e teve uma filha. Uma organização secreta foi encarregada de preservar esse “segredo do Jesus verdadeiro”. Calma, calma! Antes de achar que estou defendendo heresias, deixe-me dizer que esses absurdos são o pano de fundo de um romance de ficção que tem conquistado legiões de leitores em todo mundo. E não é todo dia que um livro alcança a cifra de 15 milhões de exemplares vendidos. Trata-se de O Código Da Vinci, de Dan Brown.
A história, que enche os escaparates das livrarias e as salas de cinema, com Tom Hanks como protagonista, é a seguinte: tudo começa com a morte misteriosa do curador do Museu do Louvre. Robert Langdon, professor em Harvard e especialista em símbolos esotéricos, está em Paris a negócios e a polícia lhe pede para decifrar um código deixado próximo ao cadáver. E é esse código que guia toda a trama e leva Langdon e a criptóloga Sophie Neveu em busca do Santo Graal. Os personagens penetram em um mundo secreto de mistério e conspiração, com o objetivo de desmascarar “séculos de engano”, valendo-se de códigos secretos e manuscritos que a igreja supostamente tem tentado esconder do público, mas que o historiador Leigh Teabing quer divulgar a todo custo. (É bom que se saiba que a trama central desse livro já existe há séculos e pode ser encontrada na literatura esotérica e da Nova Era, como em O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de Michael Baigent, que serviu de referência para o romance de Brown.)

Seria apenas mais um livro de ficção, como tantos outros, não fosse a alegação de que se fundamenta em fatos. Brown, baseado em livros apócrifos gnósticos, sustenta que, após a crucifixão de Jesus, Maria e a filha deles, Sara, partiram para a Gália (França), onde teriam fundado a linhagem dos reis merovíngios. O autor diz ainda que essa dinastia perdura até hoje na misteriosa organização conhecida como Priorado de Sião, entidade secreta que tinha os Templários como braço militar. Há até a suposição de que Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Victor Hugo tenham figurado entre os membros dessa organização.

Segundo Erwin Lutzer, autor do livro A Fraude do Código Da Vinci (Vida), “esse livro [de Brown] é um ataque direto contra Jesus Cristo, a igreja e aqueles de nós que O seguem e O chamam Salvador e Senhor. De acordo com o romance de Dan Brown, o cristianismo foi inventado para reprimir as mulheres e afastar as pessoas do ‘sagrado feminino’”. Brown chega a afirmar que os judeus, no Antigo Testamento, adoravam tanto o Deus masculino, Jeová, como Sua “correspondente feminina”, Shekinah. Séculos depois, afirma o autor, a igreja, “que odeia o sexo e a mulher”, teria reprimido essa adoração à deusa.

Carlos Alberto di Franco lembrou, em julho de 2004, no jornal O Estado de S. Paulo, algumas críticas de respeitáveis jornais estrangeiros a respeito do livro de Brown: El Mundo chama-o de “um livro oportunista e pueril”; The New York Times, de “um insulto à inteligência”; Weekly Standard, de uma “mixórdia de narrativas inimagináveis”; The New York Daily News declara que o livro contém “erros crassos, que só não chocam um leitor muito ingênuo”. O problema é que há muitos leitores ingênuos. Milhões deles.

O Jornal do Brasil, do dia 16 de dezembro de 2004, publicou um artigo de Ives Gandra Martins. A certa altura, ele declara: “No mundo da informação comprovada e dos acessos às fontes, como admitir que se consiga desvendar um segredo não revelado – de 2 mil anos! – de que Cristo teve uma filha? Ou que nas vidas altamente investigadas de Boticelli, Leonardo da Vinci, Boyle, Newton, Victor Hugo, Debussy e Cocteau seus investigadores não descobriram que eles eram grandes mestres de uma fantástica sociedade secreta denominada Priorado de Sião, cuja função era guardar o segredo da filha de Jesus? Todos os historiadores do mundo não descobriram o que o oportunista Dan Brown descobriu em investigações cujas fontes é incapaz de citar. A história é pisoteada por alguém que, sem escrúpulos, mente deslavadamente, sobre tudo.”

** "EVANGELHOS" GNÓSTICOS

Um dos trechos mais polémicos de O Código da Vinci é este: “E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la com frequência na boca.” Essa citação provavelmente tenha se originado no Evangelho de Filipe, um dos livros apócrifos gnósticos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, e escondidos ali no século IV, por um egípcio anónimo. De acordo com Darrell L. Bock, autor de Quebrando o Código da Vinci, o original tem lacunas e só traz a inicial (no alfabeto copta) da palavra “boca”. “O texto está fragmentado e diz: ‘E a companheira de (...) Maria Madalena, (...) a ela mais do que a (...) os discípulos e (...) beijá-la (...) na b(...).’” Portanto, o que Brown faz é um tremendo exercício de imaginação.

Embora Brown sustente que seria estranho e até desonroso um judeu na época de Jesus ser solteiro, Amy Welborn, autora de Decodificando Da Vinci e mestre em História da Igreja pela Universidade Vanderbilt, escreve que no século I muitos homens devotados a Deus eram solteiros. Os exemplos, do profeta Jeremias ao apóstolo Paulo, são muitos. Em uma de suas cartas aos coríntios, Paulo se refere às mulheres de outros apóstolos, mas não de Jesus.

Todo o problema vem dos chamados “evangelhos” gnósticos. Eles retratam Jesus como um espírito superior, mas afirmam que Ele era um homem como qualquer outro. E se Jesus foi um homem qualquer, qual o problema de ter-Se casado e ter tido filhos?
Uma rápida comparação entre os quatro evangelhos bíblicos e os apócrifos gnósticos mostra que entre eles há um abismo intransponível. O Evangelho de Tomé – outro dos livros gnósticos – afirma, por exemplo, que “quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas”. E assegura que a salvação vem por meio do autoconhecimento, ou pela sabedoria, não pela fé. Confundindo a importância do autoconhecimento – num contexto freudiano – com salvação, mais e mais pessoas têm adotado esses livros não canónicos como sua Bíblia. Mas o conhecimento salvífico do qual fala a verdadeira Palavra de Deus consiste em conhecer a Deus e a Jesus Cristo (ver João 17:3).

Há outro aspecto dos apócrifos gnósticos que salta à vista dos que conhecem a Bíblia e sua mensagem. Os “evangelhos” de Tomé, Filipe e Maria Madalena não contêm uma linha sequer sobre o significado do julgamento e da morte de Jesus na cruz. Ou seja, o evento central, no que diz respeito à história da redenção, é totalmente ausente nesses livros que reivindicam a posição de evangelhos. Eles trazem apenas charadas que convidam seus leitores a reflexões espirituais, não ao arrependimento – uma vez que, neles, o pecado não existe.

Pretender que os chamados “evangelhos” apócrifos tenham o mesmo peso e confiabilidade dos Evangelhos canónicos é desconhecer a história bíblica. Além de os apócrifos gnósticos terem sido escritos depois dos quatro evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos relatos que foram, ou escritos por testemunhas oculares da vida de Jesus, ou corroborados por elas. Lucas não conviveu com Jesus, mas fez seu relato sob a supervisão do apóstolo Paulo e contou com a aprovação de Pedro. “O Espírito Santo primeiro guiou Mateus, depois Paulo e seu companheiro Lucas, a seguir Pedro e seu companheiro Marcos e, por último, João, o apóstolo, para entregar à igreja, durante sua vida, o Evangelho que lhes foi entregue por Jesus”, escreve David Alan Black, no instrutivo Por Que 4 Evangelhos (Vida), na página 10. Além disso, “as fontes mais aceitas sobre a trajectória de Jesus – os evangelhos sinópticos, de Mateus, Lucas* e Marcos – são consistentes com o que se sabe sobre a Palestina do século I, de forma que a chance de serem fruto da imaginação de seus autores é desprezível”, escreveu Isabela Boscov, na revista Veja do dia 15 de dezembro de 2004. E é bom deixar claro que a igreja primitiva já aceitava a inspiração divina dos quatro evangelhos muito tempo antes de Constantino convocar o Concílio de Nicéia. Graças ao historiador Eusébio, sabe-se que 20 decretos foram promulgados em Nicéia. Nem um único diz respeito ao cânon.

“Os evangelhos apócrifos, assim como os canónicos, foram, escritos por pessoas inquietas, numa época conturbada e difícil, em que as antigas respostas já não davam conta de acalmar os espíritos”, sustenta Érica Montenegro, no artigo “Um outro Jesus”, publicado na revista Superinteressante de dezembro de 2004. “É claro que os tempos, hoje, são muito diferentes. Mas, de novo, boa parte da humanidade está inquieta e insatisfeita com as respostas que existem. Tem muita gente em busca de alguma coisa que torne nossa existência mais transcendente, mais valiosa. E esses textos escritos por outros homens, numa busca parecida, podem nos dar uma dica de onde começar a procurar.”

Sem o saber, Érica chegou perto da descrição que o apóstolo Paulo faz de nossos dias: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” II Tim. 4:3 e 4.

(*) Sir William Ramsey, célebre historiador e arqueólogo do século 19, esforçou-se por demonstrar que a história de Lucas estava cheia de erros. Após toda uma vida de trabalho e estudos, porém, ele escreveu: “A história de Lucas é insuperável quanto a sua fidedignidade.” – The Bearing of Recent Discoveries on the Trustworthiness of the New Testament (Grand Rapids: Baker), pág. 81.

28/05/10

O SÁBADO NUM MUNDO ESFÉRICO

Por que razão o Senhor ordena começar a guarda do Sábado ao pôr-do-sol e não à meia-noite, ou às seis horas da tarde? O facto do dia começar em horas diferentes em Lisboa, Rio de Janeiro e em muito outros lugares do mundo, não tornará impossível que todos os filhos de Deus observem devidamente o Sábado? E os que habitam nas regiões polares, onde o dia e a noite duram seis meses, em que ficamos?

No livro de R.L.Odom, The Lord`s Day on a Round World, extraímos o seguinte: “Vendo que as Escrituras Sagradas ensinam a observância do Sábado do pôr do sol, pessoas há que concluem ser isso impossível no extremo Norte, onde há todos os anos um período durante o qual o Sol permanece no alto, e outro em que ele permanece oculto abaixo do horizonte, durante as completas vinte e quatro horas do dia.
“É certo que residem ali numerosos observadores do Sábado, os quais afirmam não ser difícil saber quando chega a hora do pôr-do-sol, para então iniciarem a observância do dia de repouso. Surpreendem-se, ao saberem que haja quem isso julgue impossível.
“No período em que o Sol está oculto abaixo do horizonte, os observadores do Sábado no extremo Norte observam o dia de sexta-feira ao meio dia até ao Sábado ao meio-dia, porquanto essa hora corresponde ao pôr do Sol na região árctica no Inverno. Pois todos os dias, enquanto o Sol se oculta sob o horizonte meridional, ele atinge o seu zénite ao meio-dia, visto como nessa hora tanto se levanta como se põe, abaixo do horizonte.
“Daí por diante, passa a ser visível o pôr-do-sol, assinalando o começo e o fim do sétimo dia. Cada dia o Sol ergue-se um pouco mais cedo e se põe um pouco mais tarde, de modo que a 21 de Março (equinócio vernal), o nascer do Sol se dá às 6 horas da manhã, pondo-se às 6 horas da tarde.
“Nos dias de Verão, em que o Sol não se põe, quando ele alcança o zénite (o ponto mais alto no seu aparente caminho circular no céu) os habitantes de além do círculo árctico sabem que é meia-noite. Este ponto mais baixo no aparente circuito solar de vinte e quatro horas no céu é pelos habitantes daquela região denominado ponto do norte. Corresponde, como dissemos, ao pôr-do-sol. Daí, os habitantes de além círculo árctico, observam no Verão o sétimo dia de meia-noite de sexta-feira até à meia-noite de Sábado, pois o Sol está então no seu nadir (o ´mergulho´), que é também o ponto do pôr-do-sol.
“Nem os observadores do domingo nem os do Sábado têm qualquer dificuldade em saber quando começar o seu dia de repouso religioso, no extremo Norte. Em dois períodos do ano o visível pôr-do-sol serve de sinal para marcar o princípio e o fim do sétimo dia para os Adventistas na região árctica. E nos dias em que o Sol não aparece acima do horizonte, o Sábado é observado de sexta-feira, ao meio-dia, até ao meio-dia do Sábado, por isso que essa hora corresponde ao tempo do pôr do Sol, segundo o prova o último pôr do sol visível, ocorrido no principio do período, e o primeiro pôr do Sol visível ocorrido no final do período. Mas durante o tempo em que o Sol está no céu continuamente, o Sábado é observado de sexta-feira à meia-noite, até meia-noite do Sábado, porque o Sol está em seu nadir nesse momento do dia, como o provam o último pôr do sol visível no princípio do período, e o primeiro visível por do sol ocorrido no final do período.” – Obra citada, pp. 121,122,138,140,141,143,144.
Quanto às diferenças de tempo entre observadores do Sábado de diferentes meridianos e fusos horários, Francis D. Nichol de forma muito sucinta diz:
“O mandamento do Sábado nada diz acerca de ocorrer a guarda do dia de repouso no mesmo espaço de tempo em todos os lugares da Terra. Simplesmente ordena guardar ´o sétimo dia´. E este sétimo dia acaso não chega a todas as partes da Terra?” – Answer to Objections, p. 207.

27/04/10

A TRINDADE

1) A palavra Trindade encontra-se na Bíblia?

2) O Pai, o Filho e o Espírito Santo são coiguais, coeternos?
3) Que sentido se pode dar a João 1:1 e 10:30?
4) Se o Filho for eterno como o Pai, por que é Ele chamado “o Primogénito de Toda a Criação”, “o Principio da Criação de Deus” Apocalipse 3:14?


1) O vocábulo “Trindade” não se encontra na Bíblia, mas a Palavra de Deus faz muitas alusões aos três Seres que constituem a Divindade, e na teologia escolheu-se a palavra “Trindade” para designá-los.
Declara o The Westminster Dictionary of the Bible: “Embora não exista uma simples passagem nas Escrituras em que são resumidos e explicados todos os pormenores deste grande mistério, não faltam textos em que as três Pessoas são reunidas numa maneira que expõe imediatamente a sua unidade e distinção. A mais importante delas é talvez a fórmula batismal no nome trino e uno… (Mateus 28:19), e a bênção apostólica em que a bênção divina é implorada de cada uma dessas pessoas, por sua vez (2ª Coríntios 13:13) “ – p. 207.
2) A igualdadde de Cristo com Deus Pai é demonstrada de muitas maneiras no Novo Testamento: a) Honrar o Filho é honrar o Pai (João 5:23); b) ver a Cristo é ver a Deus (João 14:7-9); c) Conhecer a Cristo é conhecer o Pai (João 14:7); d) Crer em Jesus é crer em Deus (João 12:44); e) Cristo fez as mesmas coisas que o Pai (João 5.19); f) Cristo ressuscita os mortos assim como faz o Pai (João 5:21); g) Cristo possui vida em Si mesmo da mesma maneira que o Pai (João 5:26).
“Falando da Sua preexistência, Cristo remonta a eras sem data. Assegura-nos que jamais houve tempo em que Ele não estivesse em íntima associação com o Deus eterno”. E.G.White, em The Signs of the Time, 29 de Agosto de 1900.
3) Que sentido se pode dar a João 1:1: – Aí salientada a “continua, eterna e ilimitada existência de cristo antes da Sua encarnação. Na eternidade passada não houve um ponto antes do qual se poderia dizer que o Verbo não existia. O Filho ´estava com o Pai desde toda a eternidade´(Atos dos Apóstolos, p. 39). ´Nunca houve tempo em que Ele não estivesse em íntima comunhão com o eterno Deus´(Evangelismo, p. 615)”. – The SDA Bible Commentary, vol. 5, p. 896.
João 10:30 – “Jesus mencionou a Sua unidade com o Pai na vontade, propósito e objectivos. O pai Se encontrava detrás das palavras e ações de Jesus. Além disso, essas palavras encerram o sentido da estreita relação de Jesus com o Pai. Os judeus interpretaram as Suas palavras como uma pretensão à divindade”. Idem, p. 1008.
Os versos imediatos a João 10:30 mostram que os judeus qualificaram de blasfémia a declaração de Cristo, pois apanharam pedras para o lapidar. “Sendo Tu homem te fazes Deus a Ti mesmo”, era a acusação deles (ver vs. 31 a 33). Atitudes semelhante tiveram ao Jesus identificar-Se com o “Eu Sou” do Velho Testamento (ver João 8:58,59).
4) Cristo é o “Primogénito de toda a criação” no sentido de que assim como o primogénito de uma família real goza de especial dignidade e prestígio, assim a “posição de Cristo é incomparável, autorizada e absoluta. Foi investido de todas as prerrogativas e autoridade no Céu e na Terra”
“O sentido então é que Cristo ocupa a mais exaltada posição no Universo. Ele sobressai entre todos os outros; está `frente de todas as coisas. É o Filho de Deus e o herdeiro de tudo. Todos os outros seres são também ´descendência de Deus´; mas Ele é exaltado como o Filho de Deus, mais do que todos”. – Alberto Barnes, em Notes Expository and Practical on the Gospels.
Nem sempre o primeiro nascido tem a primazia de primogénito, como os exemplos de Manasses e Efraim ilustram (ver Gén. 48:17-20), ou a experiência de Jacó e Esaú. Em ambos os casos os mais novos passaram a desfrutar da primogenitura por razões especiais.
Cristo é o “Princípio da criação de Deus” porque a palavra archê (traduzida por “principio”) significa que Ele é a origem, ou a fonte principal da criação de Deus, e encerra também a ideia de primazia em poder, supremacia, autoridade, etc. (Ver Colossenses 1:18). “Todas as coisas foram feitas por intermédio d´Ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. João 1:3.
É interessante notar que a palavra grega archê, usada em Apocalipse 3:14, consta da raiz da palavra traduzida por “autor” em Hebreus 12:2.
Finalmente, uma comparação de várias passagens do Velho Testamento que se aplicam especialmente ao Pai, Jeová, com textos correspondentes no Novo Testamento, que se referem a Cristo, adiciona luz sobre a questão, demonstrando que os cristãos trinitarianos não laboram em erro ao ensinarem a igualdade de Pai, Filho e Espírito Santo:
a) A pedra de tropeço que esmaga: Isaías 8:13-15 com Lucas 20:17 a 19.
b) “O primeiro e o último”: Isaías 44:6 e 48:12 com Apocalipse 1:17; e 2:8.
c) Jeová virá trazendo o galardão: Isaías 40:10 com Apocalipse 22:6,7 e 12.
d) Todo o joelho se dobrará antes o Juiz: Isaías 45:21, 23 com Romanos 14:10 a 12; 2ª Coríntios 5:10.
e) O preço (salário), 30 moedas: Zacarias 11:11-13 com Mateus 26:15 e 27:1-10.
f) “Jeová, justiça nossa”: Jeremias 9:23,24; 23:5,6 com 1ª Coríntios 1:30,31.
g) Levou cativo o cativeiro: Salmo 68:17,18 com Efésios 4:7-10.
h) O Criador do Universo: Salmo 102:22 e 25-28 com Hebreus 1:8-12.
i) O Deus aguardado: Isaías 25:8,9 com Tito 2:13.
j) O “Eu sou”: Êxodo 3:14 com João 8:58.
l) Isaías 6:1-10 com João 12:36-41 e Atos 28:25-27 (aplicação das palavras de Jeová como tendo sido proferidas pelo Espírito Santo).

20/04/10

SÁBADOS E SÁBADO

Quais eram os sábados “cerimoniais” e em que diferiam do sábado da lei moral?
Em Levíticos 16 e 23, Números 28 e 29 estão enumerados os vários dias de festa para os israelitas, como sejam: a Páscoa (Números 28:16); a Festa dos Pães Ásimos (Num. 28:17); a Festa da Colheita ou Pentecostes (Êxodo 23:16; 34:22; Números 28:26; Actos 2:1); a Festa das Trombetas (Números 29:1); O Dia da Expiação (Números 29:7) e a Festa dos Tabernáculos (Êxodo 23:16; Lev. 23:34; Num. 29:12).
Cada um desses dias festivos constituía uma “santa convocação” e era um dia de descanso, palavra que no hebraico é a mesma de sábado. Contudo, eram dias móveis dentro da semana, pois o Dia da Expiação, por exemplo, caía no 1º dia do 7º mês sempre, ou seja, era um dia solene, um feriado religioso para Israel, um “descanso” (Shabbat) que caía em qualquer dia da semanal. E quando coincidia de esse dia cerimonial festivo cair num sábado do 7º dia semanal, era chamado “sábado grande”.
A Bíblia na Linguagem de Hoje, em S. João 19:31 explica: “Então os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos que foram crucificados, e os tirasse das cruzes. Pediram isto porque era sexta-feira, e não queriam que os corpos continuassem ali, no sábado. Aquele sábado era considerado especialmente santo”. A razão de “aquele sábado” ter esse carácter especial é porque nele também se comemoraria a Páscoa, outro dia feriado de descanso, ou seja, outra sábado, mas, cerimonial.
Basta uma leitura atenta do capítulo 23 de Levítico para perceber que esses dias religiosos feriados (descanso, ou “sábado” cada um deles – ver Levítico 23:27; 32,39, etc.) são diferenciados do sábado da lei moral. E os versos 37 e 38 tornam isso mais do que claro: “São estas as festas fixas do Senhor que proclamareis para santas convocações …além dos sábados do Senhor.”

19/04/10

QUEM ERA O APÓSTOLO PAULO?

“Ele era um homem de pequena estatura”, afirmam os Actos de Paulo, escrito apócrifo do segundo século, “parcialmente calvo, pernas arqueadas, de compleição robusta, olhos próximos um do outro, e nariz um tanto curvo.”

Se esta descrição merecer crédito, podemos ter o perfil desse homem natural de Tarso, que viveu uma vida plenas de acontecimentos extraordinários e que chegou a dizer: “Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo”. Tendo esta “biografia” algum valor, ela corresponderias ao que ele próprio diz: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível” (2 Cor. 10:10).
A sua verdadeira aparência terá de ser deixada por conta dos artistas, pois não sabemos ao certo. Matérias mais importantes, porém, demandam atenção — o que ele sentia, o que ele ensinava, o que ele fazia.
Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e obra de Cristo, e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. As cartas procedentes da sua pena, preservadas no Novo Testamento, dão eloquente testemunho da paixão das suas convicções e do poder da sua lógica.
Aqui e acolá nas suas cartas encontramos pedacinhos de autobiografia. Também temos, nos Actos dos Apóstolos, um amplo esboço das actividades de Paulo. Lucas, autor dos Actos, era médico e historiador gentio do primeiro século.
Assim, enquanto o teólogo tem material suficiente para criar intermináveis debates acerca daquilo em que Paulo acreditava, o historiador dispõe de parcos registos. Quem se der ao trabalho de escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo que só poderão ser preenchidas por conjecturas.
A semelhança de um meteoro brilhante, Paulo surge repentinamente na cena cristã, num período conturbado, do qual ele era o principal precursor. Tudo se altera com a sua conversão. Desaparece por alguns anos de cena cristã. Reaparece no papel de evangelista, e durante algum tempo podemos acompanhar os seus movimentos através do horizonte do primeiro século. Antes da sua morte, ele flameja até entrar nas sombras além do alcance da vista.
A sua Juventude:
Antes, porém, que possamos entender Paulo, o missionário cristão aos gentios, é necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso, o jovem fariseu. Encontramos em Actos a explicação de Paulo sobre a sua identidade: “Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia” (Act. 21:39). Esta afirmação dá-nos o primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo.
A) Da Cidade de Tarso. No primeiro século, Tarso era a principal cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. Embora localizada cerca de 16 km no interior, a cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que passava pelo meio da cidade.
Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes montanhas cobertas de neve, as montanhas do Tauro, que forneciam a madeira que constituía um dos principais produtos de comércio dos mercadores tarsenses. Uma im¬portante estrada romana passava a norte, fora da cidade e através de um estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como “Portas Cilicianas”. Muitas lutas militares antigas foram travadas nessa região entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e do Oeste, e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as direcções, por terra e por mar. Tarso possuía uma preciosa herança. Os factos e as lendas se entrelaçavam-se, tornando os seus cidadãos orgulhosos do seu passado.
O general romano Marco António concedeu-lhe o privilégio de libera civitas (“cidade livre”) em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse parte de uma província romana, era autónoma, e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. As tradições democráticas da cidade-estado grega de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo.
Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Nos seus escritos, encontramos reflexos de imagens e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. Em nítido contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de Paulo têm origem na vida citadina.
O reflexo do sol mediterrânico nos capacetes e lanças romanos teriam sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. Talvez fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à guerra cristã, na qual ele insiste em que “as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Cor. 10:4).
Paulo escreve e usa a palavra “naufragar” (1 Tim. 1:19), “oleiro” (Rom. 9:21), de ser conduzido em “triunfo” (2 Cor. 2:14). Ele compara o “tabernáculo terrestre” desta vida a um edifício de Deus, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Co 5:1). Ele toma a palavra grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo: “nos tornamos um espectáculo (teatro) ao mundo” (1 Cor.¬ 4:9).
Tais declarações reflectem a vida típica da cidade em que Paulo passou os anos de estudo durante a meninice. Assim as imagens e os sons deste azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis. Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como “cidade não insignificante”.
Os filósofos de Tarso eram quase todos estóicos. As ideias estóicas, embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido exemplo.
Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não teria mais que uns 10 a 12 anos, durante muito tempo o seu nome permaneceu como herói em Tarso. E quase impossível que o jovem Saulo não tivesse ouvido algo sobre esse histórico personagem.
Quanto, exactamente, foi o contacto que o jovem Saulo teve com esse mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas as marcas da ampla educação e contacto com a erudição grega o acompanham quando homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que ele representava. Também estava consciente dos perigos das filosofias religiosas especulativas dos gregos. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs subtilezas, conforme a tradição dos homens... e não segundo Cristo”, foi sua advertência à igreja de Colossos (Col. 2:8).
B) Cidadão Romano. Paulo não era apenas “cidadão de uma cidade não insignificante”, mas também cidadão romano. Isso nos dá ainda outra pista para o fundo histórico de sua meninice.
Em Act. 22:24-29, vemos Paulo a conversar com um centurião romano e com um tribuno romano. (Centurião era um militar de alta patente no exército romano com 100 homens sob o seu comando; o tribuno, neste caso, seria um comandante militar.) Por ordens do tribuno, o centurião estava prestes a açoitar Paulo. Mas o Apóstolo protestou: “Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (Act. 22:25). O centurião levou a informação ao tribuno, que fez mais inquirição. A ele Paulo não só afirmou a sua cidadania romana mas explicou como se tornara tal: “Por direito de nascimento” (Act. 22:28). Isso implica que o seu pai era cidadão romano.
Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. O tribuno, ou comandante, desta narrativa, declara ter “comprado” a sua cidadania por “grande soma de dinheiro” (Act. 22:28). No mais das vezes, porém, a cidadania era uma recompensa por algum serviço de distinção fora do comum ao Império Romano, ou era concedida quando um escravo recebia a liberdade.
A cidadania romana era preciosa, pois prestava-se a direitos e privilégios especiais como, por exemplo, a isenção de certas formas de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem crucificado.
Todavia, o relacionamento dos judeus com Roma não era de todo feliz. Raramente os judeus tornavam-se cidadãos romanos. Quase todos os judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da Palestina.
C) De Descendência Judaica. Devemos, também, considerar a ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa da sua família. Ele descreve-se aos cristãos de Filipos como “da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu” (Filep. 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de “israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rom. 11:1).
Desta forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai do seu povo, Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de Israel, Saul, em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado Saulo.
A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança religiosa de Israel aos filhos. O menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos de idade. Aos dez, estudava a Mishna com as suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim, ele aprofundou a história, os costumes, as Escrituras e na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus helenistas.
Dentre os principais “partidos” dos judeus, os fariseus eram os mais estritos, “Os Judeus nos Tempos do Novo Testamento”). Estavam decididos a resistir aos esforços de seus conquistadores romanos de impor-lhes novas crenças e novos estilos de vida. No primeiro século eles tinham-se tornado a “aristocracia espiritual” do seu povo. Paulo era fariseu, “filho de fariseus” (Act. 23.6). Podemos estar certos, pois, de que a sua preparação religioso tinha raízes na lealdade aos regulamentos da Lei, conforme a interpretavam os rabinos. Aos treze anos ele devia assumir responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.
Saulo de Tarso passou em Jerusalém a sua adolescência “aos pés de Gamaliel”, onde foi instruído “segundo a exactidão da lei. . .“ (Act. 22:3). Gamaliel era neto de Hillel, um dos maiores rabinos judeus. A escola de Hilel era a mais liberal das duas principais escolas de pensamento entre os fariseus. Em Actos 5:33-39 temos um vislumbre de Gamaliel, descrito como “acatado por todo o povo.”
Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte que pudessem, mais tarde, ensinar sem se tornar um encargo para o povo. Paulo escolheu uma profissão típica de Tarso, fabricar tendas de tecido de pêlo de cabra. A sua perícia nessa profissão proporcionou-lhe mais tarde um grande meio de testemunho na sua obra missionária.
Após completar os seus estudos com Gamaliel, o jovem fariseu provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou alguns anos. Não temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou que O tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra.
Da pena do próprio Paulo bem como do livro de Actos vem-nos a informação de que depois ele voltou a Jerusalém e dedicou as suas energias à perseguição dos judeus que seguiam os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Paulo nunca pôde perdoar-se pelo ódio e pela violência que caracterizaram a sua vida durante esses anos. “Porque eu sou o menor dos apóstolos”, escreveu ele mais tarde, “. . . pois persegui a igreja de Deus” (1 Cor. 15:9). Noutras passagens ele se denomina “perseguidor da igreja” (Filip. 3:6), “como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gál. 1:13).
Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo refecte alguma luz sobre a questão de como um homem de consciência tão sensível pudesse participar dessa violência contra o seu próprio povo. “. . . noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1 Tim. 1:13). A história da religião está repleta de exemplos de outros que cometeram o mesmo erro. No mesmo trecho, Paulo refere a si próprio como “o principal” dos pecadores” (1 T 1:15), sem dúvida alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores.
D) A Morte de Estêvão. Não fora pelo modo como Estêvão morreu (Act. 7:54-60), o jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento sem emoção alguma, ele que havia tomado conta das vestes dos carrascos. Teria parecido apenas outra execução legal.
Mas quando Estêvão se ajoelhou e as pedras choveram e feriram a sua cabeça indefesa, ele deu testemunho da visão de Cristo na glória, e orou: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Actos 7:60).
Embora essa crise tenha lançado Paulo como perseguir de hereges, é natural supor que as palavras de Estêvão tenham permanecido com ele de sorte que ele se tornou “caçado” também —caçado pela consciência.
E) Uma Carreira de Perseguição. Os eventos que se seguiram ao martírio de Estevão não são agradáveis de ler. A história é narrada num só fôlego: “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (Actos 8:3).
A Conversão:
A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a semente da fé. Os crentes dispersaram-se e em breve a nova fé estava a ser pregada por toda a parte (cf. Actos 8:4). “Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor” (Actos 9:1), Saulo resolveu que já era tempo de levar a campanha a algumas das “cidades estrangeiras” nas quais se abrigaram os discípulos dispersos. O comprido braço do Sinédrio podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império em questões de religião. Nesse tempo, os seguidores de Cristo ainda eram considerados como seita herética.
Assim, Saulo partiu para Damasco, cerca de 240 km distante, provido de credenciais que lhe dariam autoridade para, encontrando os “que eram do caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém” (Actos 9:2).
Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem, dia após dia, no pó da estrada e sob o calor escaldante do sol? A auto-revelação intensamente pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos uma pista. Vemos aqui a luta de um homem consciencioso por encontrar a paz mediante a observância de todas as pormenorizadas ramificações da Lei.
Deu-lhe isto paz? A resposta de Paulo, baseada nasua experiência, foi negativa. Pelo contrário, tornou-se um peso e uma tensão intoleráveis. A influência do ambiente helenístico de Tarso não deve ser desprezada ao tentarmos encontrar o motivo da frustração interior de Saulo. Depois do seu regresso a Jerusalém, ele deve ter sentido um frustração e um rígido farisaísmo, muito embora professasse aceitá-lo de todo o coração. Ele tinha respirado o ar mais livre durante a maior parte da sua vida, e não poderia renunciar à liberdade a que estava acostumado.
Contudo, era de natureza espiritual o motivo mais profundo da sua tristeza. Ele tentara guardar a Lei, mas descobrira que não poderia fazê-lo em virtude da sua natureza pecaminosa decaída. De que modo, pois, poderia ele ser recto para com Deus?
Com Damasco à vista, aconteceu uma coisa momentosa. Num lampejo cegante, Paulo viu-se despido de todo o orgulho e presunção, como perseguidor do Messias e do Seu povo. Estevão estiva certo, e ele errado. Em face do Cristo vivo, Saulo capitulou. Ele ouviu uma voz que dizia: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues;. . . levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (Act. 9:5-6). E Saulo obedeceu.
Durante a sua estada na cidade, “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu nem bebeu” (Actos 9:9). Um discípulo residente em Damasco, por nome Ananias, tornou-se amigo e conselheiro, um homem que não teve receio de crer que a conversão de Paulo’ fora autêntica. Mediante as orações de Ananias, Deus restaurou a vista a Paulo.

18/04/10

DOUTRINA DA TRINDADE

Um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Dt. 6.4; Mt. 28.19; Mc 12.29.
O Que Diz a Bíblia?
Como Explicar a Trindade?
A palavra "trindade" não aparece nas Bíblias comuns que usamos. Por esse motivo, eu evito o uso dela. Procuremos falar sobre assuntos bíblicos usando linguagem bíblica.
As pessoas que usam termos como trindade, Deus trino, etc. as empregam para explicar um conceito da existência de três pessoas distintas que podem ser chamadas de Deus. Vamos considerar, em termos bem resumidos, o que a Bíblia diz a respeito dessa ideia.
Há um só Deus (Efésios 4:6). O facto que existem mais de uma pessoa divina, como veremos logo, não sugere múltiplos deuses. A doutrina bíblica não se compara com as doutrinas politeístas de algumas religiões pagãs.
O Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas. No baptismo de Jesus, cada um fez seu papel, concordando com os outros dois, mas distinto deles. Jesus subiu das águas; o Espírito desceu como pomba sobre ele; o Pai falou dos céus (Marcos 1:9-11). As doutrinas de algumas igrejas que dizem que o Filho e o Pai são a mesma pessoa contradizem afirmações óbvias das Escrituras. O Pai é maior do que o Filho (João 14:28). O Pai enviou e instruiu o Filho (João 14:24).
Ž Jesus é Deus. As seitas que negam a divindade de Jesus trabalham muito para evitar o significado de diversas passagens. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, usam uma versão das Escrituras cheia de acréscimos e traduções equívocas calculadas justamente para negar as provas textuais da divindade de Jesus. Mas, ele é eterno, divino e merecedor de adoração (João 1:1; João 8:24,58; Mateus 4:10; 14:33; 28:9,17; João 9:38; Hebreus 1:6; Apocalipse 5:9-14; etc.)
 O Espírito Santo é pessoa divina, não apenas força ativa. Reconhecemos algumas dificuldades quando estudamos a palavra "espírito" na Bíblia. Sabemos que o espírito do homem não é outra pessoa (1 Coríntios 2:11). Apesar de alguns trechos difíceis (veja o aviso de 2 Pedro 3:16), não podemos negar a personalidade do Espírito Santo. O mesmo Pai que enviou Jesus enviou o Espírito (João 14:26). Jesus o chamou de "outro Consolador", mostrando que ele pertence à mesma categoria que Jesus: uma pessoa divina (João 14:16). Vários textos apresentam o Pai, o Filho e o Espírito Santo como pessoas unidas mas distintas (veja Mateus 28:19 e o último versículo de 2 Coríntios). O Espírito ensina (João 14:26); habita nos fiéis como o Pai e o Filho o fazem (João 14:17,23) e intercede como Cristo também o faz (Romanos 8:26,34).
Para negar tais afirmações, alguns distorcem o sentido das passagens ou até jogam fora livros bíblicos que não apoiam suas doutrinas humanas. O verdadeiro seguidor de Cristo aceitará toda a Verdade, até as coisas difíceis de entender (João 8:32; 17:17; Deuteronómio 29:29).


Hoje, discutiremos um dos assuntos mais complexos do corpo de doutrinas cristãs: o assunto referente à doutrina da Trindade. Segundo um dos grandes filósofos ingleses do século XX, Bertrand Russell, em seu livro História do Pensamento Ocidental, a Trindade se constitui “o perene problema da escolástica”.

A doutrina da Trindade deve ser estudada com espírito de humildade. Trata-se de uma das doutrinas bíblicas mais misteriosas e difíceis para a compreensão humana, por causa das nossas limitações naturais, por causa do pecado e por causa do próprio ‘objecto’ da doutrina: o ser de Deus. A doutrina da Trindade é uma verdade concebível apenas porque foi revelada – a mente humana jamais poderia imaginá-la”.

A Importância do Estudo sobre a Trindade
1. Ela é uma peculiaridade da religião cristã;
2. Ela está directamente relacionada com as outras doutrinas;
3. Ela nos esclarece sobre o ser de Deus;
4. Ela nos livra de cairmos em pensamentos heterodoxos sobre a doutrina de Deus.

Definição do termo:
- O primeiro a utilizar a palavra “Trindade” foi Tertuliano no século III. Essa palavra vem do latim trinitas, isto é, indica tri-unidade, três em um. Este é o aspecto que insere a complexidade na análise do assunto, pois, a partir dessa doutrina, entendemos que Deus é um só mas que subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

 Comentando esse aspecto, o Dr. Paulo Anglada nos diz: “Ao subscrevermos a doutrina da Trindade, queremos dizer que cremos em um Deus único, indivisível em sua essência ou ser, o qual subsiste em três pessoas distintas e inconfundíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo que cada um tem a mesma essência, plena e não fragmentada, mas podem relacionar-se entre si”.

Uma formulação mais bem elaborada a respeito da Trindade foi desenvolvida no primeiro Concílio Ecumênico da História da Igreja, o chamado Concílio de Nicéia que aconteceu no ano 325 da nossa era. Duas figuras nesse Concílio mereceram destaque: Atanásio e Ário. Este segundo não reconhecia a divindade do Filho, desta forma, quebrando a noção da tri-unidade de Deus.

Foi por essa postura, que Atanásio e alguns conciliares daquela assembléia se pronunciaram, e o fruto desse posicionamento foi um documento que ficou conhecido com Credo Niceno, um postulado doutrinal o qual mencionava a divindade indistinta das três pessoas da Trindade, contrariando aquilo que era defendido por Ário, que dizia que Cristo não era Deus, mas a primeira criação dele.

Temos, então, a seguinte declaração oriunda das decisões do Concílio de Nicéia:
“Cremos em um Deus – e em um Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, nascido do Pai, luz de luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, nascido, não criado, da mesma substância do Pai – e do Espírito Santo”.

Três linhas de pensamento acerca da Trindade estavam representadas no Concílio de Nicéia:
1. Os ortodoxos;
2. Os arianos;
3. Os semi-arianos.
- Essas três correntes de interpretação se baseavam em alguns termos para tratarem da natureza do Filho de Deus.

Os ortodoxos
- Eles entendiam que Jesus Cristo era homoousion (homos = mesma + ousia = substância) do Pai. Eles representavam a voz definitiva do Concílio de Nicéia. Acreditavam que tanto o Filho como também o Espírito Santo eram da mesma substância do Pai.