21/03/12

A ORIGEM HISTÓRICA DA GUARDA DO DOMINGO

Na instituição do sábado está implícito o próprio acto de bênção, santificação e separação de um dia para a humanidade e isso indica uma função permanente. A santificação do sábado significa que Deus desejou entrar no tempo humano. O que toma um período de tempo ou um lugar santo é a presença de Deus.
Ao santificar o sábado e entrar no tempo humano Deus demonstra a Sua disposição em entrar na própria carne humana. Assim, o sábado é uma prefiguração da encarnação, um símbolo e anúncio da própria encarnação.
Na História da Salvação nós temos continuidade, não interrupções. As instituições estabelecidas na Criação, tal como o sábado, o trabalho, o repouso, o matrimónio, são instituições que na verdade prosseguem ao longo da História da Salvação. Contudo, há diferentes momentos na História da Salvação em que essas instituições adquirem novo significado. No relatório do Génesis o sábado obtém um significado cosmológico, proclama ao mundo que Deus é o perfeito Criador e que ficou perfeitamente satisfeito com a Criação que havia realizado. Assim, em Génesis o sábado transmite essa mensagem da perfeição divina no que concerne à Criação.
Mas se seguirmos de Génesis para Êxodo, aprendemos que Deus não só criou o mundo, mas as pessoas. E formou um novo povo, Israel, ao qual concedeu o sábado para simbolizar o desejo do Criador em restaurar o interrompido relacionamento que o pecado produziu, separando o Criador de Suas criaturas. Assim, em Êxodo encontramos o sábado associado com a Redenção.
Os Dez Mandamentos se iniciam dizendo — "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egipto." Ele é o Libertador, e para que fosse mantida a lembrança desse Libertador, Deus ordenou: "Lembra-te de santificar o dia de sábado." Lembra-te por livrar o teu servo, tua serva, teu filho, tua filha, dando-lhes liberdade e, em certo sentido, redenção a todos os israelitas de modo a que o próprio Deus fosse lembrado como o Libertador. E essa mensagem é particularmente expressa em Deuteronómio 5:15 onde o motivo dado para a guarda do sábado não é a Criação, mas a Redenção. Nesse sentido é que a passagem declara: "Lembra-te de que foste servo na terra do Egipto, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia do sábado."
Sendo, pois, que o sábado não é apenas símbolo da Criação, mas também da Redenção, tendo carácter cósmico, universal, a sua obrigatoriedade é também universal.

Há dois factores principais para a transição do sábado para o domingo. Por um lado temos o anti judaísmo, ou seja, a necessidade que surgiu [entre os cristãos dos primeiros séculos] de separarem-se, diferenciarem-se dos judeus. Foi este realmente um factor preponderante que induziu muitos cristãos a abandonarem todas as festividades associadas com os judeus.
Teve lugar na primeira parte do século II, particularmente na regência do Imperador Adriano. Ele reinou de 117a 138 e foi quem proibiu categoricamente a observância do sábado e a prática do judaísmo. Isto aconteceu porque os judeus estavam constantemente a revoltar-se contra o domínio dos romanos sobre sua terra.
Quando os romanos se viram ante a persistente luta de independência da parte dos judeus, sentiram a necessidade de impor uma legislação muito restritiva e repressiva e uma das consequências foi a proibição rigorosa da observância de festividades judaicas como a Páscoa e o Sábado.
Em consequência dessas medidas restritivas contra os judeus, os cristãos de Roma julgaram necessário demonstrar perante as autoridades a separação e diferenciação dos cristãos em relação aos judeus pela mudança das festividades judaicas a dias diferentes. Por exemplo, a Páscoa judaica, que até aquele tempo era celebrada pêlos cristãos em geral no dia 14 de Nisã (uma data fixa que podia ocorrer em qualquer dia da semana) foi transferida para o domingo. Semelhantemente, o repouso foi transferido do sábado do sétimo dia para o primeiro dia da semana.
Na verdade, o abandono do sábado foi motivado primariamente pela necessidade sentida pelos cristãos de se separarem dos judeus a fim de evitar as medidas repressivas e as penalidades impostas sobre a comunidade judaica.
Mas, pode surgir a pergunta — porque foi escolhido o domingo, quando outro dia qualquer poderia cumprir a mesma finalidade? Sexta-feira, por exemplo, poderia muito bem comemorar a Paixão de

19/03/12

BÊNÇÃOS E PERIGOS AO PARTICIPAR NA CEIA DO SENHOR

O Perigo quando se participa «Indignamente» da Santa Ceia, não discernindo o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, nos elementos que a eles simbolizam: Disse o apóstolo Paulo: «Pois quem come e bebe, sem discernir o corpo [de Jesus], come e bebe juízo para si...» (1 Cor 11.29). A palavra «...discernir...» é tradução do vocábulo grego diakrino, que significa «julgar corretamente» a seriedade do rito, porquanto abusar desse símbolo significa abusar da realidade simbolizada.

O que estava a ocorrer com a Igreja de Corinto era a mistura das coisas sagradas com as profanas ou seja, não havia diferença entre o alimento quotidiano e o que tinha sido posto à parte com o exclusivo objectivo de recordar-lhes a morte expiatória de Cristo. Com este gesto participavam da Ceia do Senhor Jesus «indignamente», como se ela não tivesse qualquer relação com o Corpo e o Sangue de Cristo.
Veja a correção de Paulo aos coríntios, com relação aos seus comportamentos diante da Mesa do Senhor Jesus; «não podeis beber o cálice do Senhor [Jesus] e o cálice dos demónios; não podeis ser participantes da Mesa do Senhor [Jesus] e da mesa dos demónios» (1 Cor 10.21). O crente não pode fazer tal coisa devido ao seu conhecimento da natureza da idolatria, não é impedimento de ordem física mas moral. Os que estão consagrados ao verdadeiro Deus, como poderiam das libações oferecidas a Satanás e aos seus anjos?
Não compreendiam o zelo do Deus Vivo (Êx 20.5; Deut 4.24; Jos 24.19, 1 Cor 10.22) e a gravidade da transigência com o mundo. O próprio Cristo falou deste erro fatal; «Ninguém pode servir dois senhores» (Mat 6.24). A Santa Ceia é uma cerimónia de índole sagrada e, quem participa dela «indignamente», peca terrivelmente contra o Senhor Jesus. Comer e beber indignamente não é comer «sendo indigno», como alguns entendem, pois verdadeiramente digno ninguém era, mas «indignamente» refere-se à maneira e ao espírito de quem participa, isto é, participar da Mesa do Senhor Jesus com um espírito indiferente, egocêntrico e irreverente, com ódio no coração contra outro irmão, sem qualquer intenção ou desejo de abandonar os pecados conhecidos e de aceitar o concerto da graça com todas as suas promessas e deveres. Todos nós precisamos evitar estes maus comportamentos e conceitos pecaminosos para que não sejamos reprovados por Jesus (João 12.48).

Paulo acusa com veemência muitos cristãos de Corinto, dizendo que eles estavam a ser «culpados do Corpo e do Sangue de Cristo», porque tomavam parte na Ceia indignamente, como se ela não tivesse nenhuma relação com a morte de Cristo e com o Seu Corpo oferecido em sacrifício vicário (João 3.16). Paulo relaciona aos coríntios os resultados funestos que muitos haviam adquiridos, por não discernir o Corpo e Sangue de Cristo, pois participavam da Santa Ceia indignamente, veja a seguir:

1) Responsabilidade pela Morte de Cristo: «...Será culpado do corpo e do sangue do Senhor...» (1 Cor 11.27): O termo grego traduzido por «...culpado...» é enochos, que significa «passível», «responsável por», «culpado». Esse termo, vinculado à palavra morte, significa «digno de morte», envolvendo alguém que fez algo que merece a punição capital. Porém, isoladamente, esse termo pode significar «culpado de um crime». Portanto, está aqui em foco uma «culpa» associada ao Corpo de Cristo. Neste caso a pessoa torna-se culpada por participar de um gravíssimo crime, ou seja, na causa da crucificação de Cristo. Significando que a pessoa é considerada responsável pela Sua morte. Ou ainda, isso torna o indivíduo culpado de «violar» ou de «pecar contra» o corpo e o sangue de Cristo. Pois, não fez diferença entre o sagrado e o profano. Sendo assim, o indivíduo será julgado (vss. 31,32). O versículo em foco mostra-nos o quanto a Santa Ceia tem um sentido tão solene. Por isso, devemos ter muito cuidado para não participarmos dela indignamente.
2) Responsabilidade pela própria condenação: «...Come e bebe juízo para si...» (1 Cor 11.29): «...juízo...», nesse caso, significa «julgamento», no grego, «krima», o qual aqui está em foco uma «punição» ou «penalidade». Ninguém é obrigado participar do pão e do cálice do Senhor Jesus indignamente, mas é preciso estar consciente, que ao participar deste ato irreverentemente, com um espírito indiferente, é expor-se imediatamente ao desagrado de Deus e a um castigo como o que se menciona nos versículos 30 e 31.

17/03/12

A mentira de Raabe

Como explicar o fato da prostituta Raabe ter escondido os espias de Josué, e haver mentido a esse respeito (Js 2), e Deus ainda usar de misericórdia para com ela e seus familiares? (Js 6:22-25)

Somos propensos, muitas vezes, a pensar que Deus, para ser justo, deve restringir a Sua oferta de salvação apenas às pessoas moralmente dignas. Mas a mensagem bíblica, revelada tanto no Antigo Testamento como no Novo, é que a oferta de salvação é extensiva a todos os pecadores. São de Cristo as palavras: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Lc 5:31 e 32). Em Isaías 1:18 é apresentado o convite: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.”
A experiência da prostituta Raabe é uma das mais belas histórias de salvação pela graça “mediante a fé” (Ef 2:8) encontradas nas páginas do Antigo Testamento. Como Abraão foi justificado pela fé (Gn 15:6; Rm 4), e essa fé se evidenciou na prática de boas obras (Tg 2:21-24), assim também o foi Raabe. Hebreus 11:31 declara que “pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias”. E Tiago 2:25 acrescenta que a fé dessa mulher foi genuína porque resultou na prática de boas obras.

Mas o fato da vida de Raabe ser poupada, sendo ela uma prostituta e havendo mentido aos emissários do rei de Jericó, não significa que Deus estivesse sancionando tais pecados explicitamente condenados no Decálogo (ver Êx 20:14 e 16). Nesse incidente, Deus manifestou Sua graça salvadora a uma prostituta possuída de uma fé genuína, com o propósito de salvá-la de sua vida de pecado. O mesmo poder regenerador que atuaria na vida da “mulher adúltera”, durante o ministério terrestre de Cristo (Jo 8:1-11), também transformou a vida da prostituta Raabe. E o mesmo amor compassivo que perdoaria as mentiras do pretensioso apóstolo Pedro (Mc 14:27-31; 66-72) também perdoou a mentira de Raabe.

A galeria dos heróis da fé (ver Hb 11), da qual Raabe faz parte (verso 31), não é composta por santos que nunca pecaram, mas por pecadores que pela graça divina alcançaram a vitória sobre os seus pecados. Essa galeria é formada por pessoas que, à semelhança do filho pródigo (Lc 15:11-32), deixaram as imundícies de uma vida de pecado e voltaram à casa paterna; pessoas que estavam mortas em “delitos e pecados” mas que foram regeneradas pela graça divina (Ef 2:1 e 5). Assim como Deus perdoou e regenerou Raabe, Ele também está disposto a perdoar e regenerar a cada um dos demais seres humanos atingidos pelos “dardos inflamados do maligno” (Ef 6:16).

Fonte: Alberto Timm, Sinais dos Tempos, junho de 1999, p. 29.
Blog Sétimo Dia

08/03/12

TEXTOS BÍBLICOS SOBRE A TRINDADE

“Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último” (Apocalipse 1:17).
“Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Isaías 44:6).
“E outra vez, ao introduzir no mundo o primogénito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. Ora, quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo. Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hebreus 1:6-8).
“Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4:10).
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58).

“Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3:14).
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16).
“Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14:26).
“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30).

“Disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro” (Atos 8:29).
“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías, não era teu? E vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3-4).

O meu texto preferido: 2ª Coríntios 13:13

05/03/12

ADULTÉRIO: DEFINIÇÃO, CAUSAS E CONSEQUÊCIAS.

INTRODUÇÃO
O adultério tem sido um tema que sempre vem à tona na vida social da Igreja. Longe de ser um pecado recente, ele possui raízes antigas e complexas, tanto sociais quanto religiosas. O presente estudo pretende esclarecer dúvidas e fatos sobre o adultério e está dividido em cinco partes. A primeira identifica as definições de adultério no Antigo e Novo Testamento. A segunda parte trata das causas e razões do adultério. A terceira parte trata das consequências físicas e emocionais do adultério. A quarta parte lida com as soluções e prevenções. A quinta e última dá a posição da Igreja sobre o adultério.
Definição da Problemática
O que é definido na Bíblia como adultério? Quais são as causas e consequências? Os adúlteros possuem ainda solução para seu casamento e vida espiritual? Qual a posição da Igreja, e o que ela faz ao descobrir entre seus membros pessoas que vivem em adultério?
Propósito e Justificação
Desde o inicio da revolução sexual dos anos sessenta, o adultério tem crescido em larga escala no mundo religioso e secular. Deixando de ser um ato vergonhoso para se tornar uma atitude aceita e comum, as práticas adúlteras têm tomado proporções incríveis, tornando-se comum até na Igreja. Todavia, alguns
defensores da liberdade sexual, têm dito que o adultério foi condenado na Bíblia devido à época em que ela foi escrita, sendo uma prática condicionada a cultura do lugar. Outros dizem que Deus, por ser um Deus de amor, não leva em conta o pecado do adultério, devido o fim da lei do Antigo Testamento, através da morte de Cristo na Cruz. Pior ainda, é atitude tomada por algumas igrejas e alguns adventistas, que não dão o devido valor ao adultério, negligenciando-o e não tratando corretamente os irmãos que caem no erro. Pensando nisto é que o presente artigo lida com este assunto tão delicado e controvertido no meio religioso e secular.
Este é um assunto polémico tanto no âmbito social quanto no religioso. O que será que as pessoas

Consequências Bíblicas do Adultério

O adultério sempre foi uma prática criticada e punida nos tempos antigos. Existem documentos que provam que babilônicos, assírios, persas, egípcios, gregos e romanos castigavam esta pratica sexual. [43] Também na Bíblia, desde cedo o adultério é mencionado e punido, devido a ser uma pratica odiosa a Deus (Ml 2:16). A primeira punição mencionada na Bíblia para os adúlteros é no caso de Judá e Tamar, em Gn 38:24, onde a punição é a fogueira. [44] Outro castigo mencionado na Bíblia é o da mutilação (Ez 23:25). [45] Um meio Talmúdico posterior é o estrangulamento. [46] Porém, o método mais usado e com apoio bíblico era o apedrejamento, sendo o único confirmado por lei (Jo 8:5, Dt 22:22, Ez 16:40). [47] Deve-se notar que as penas variavam conforme o caso. [48] O primeiro passo ao se pegar os adúlteros em flagrante, era levá-los ao tribunal da cidade, e na presença de duas testemunhas, era aplicada a pena de morte. [49] Se os acusados de tal prática fossem ambos casados, os dois seriam apedrejados (Lv 19:20). [50] Caso a relação fosse entre uma virgem desposada e um homem casado, ela tivesse sido seduzida na cidade, ambos também seriam apedrejados (Dt 22:20-22). [51] Caso a relação fosse entre um patrão e uma escrava desposada, receberiam ambos chibatadas, visto este ato ser considerado não estritamente um adultério, devido à escrava ser propriedade do dono (Lv 19:20-22). [52] Quando os adúlteros morriam, ocorria a extinção da linhagem familiar da parte masculina. [53] Caso a opção fosse dar carta de divórcio, se a mulher fosse a adúltera, um rito de desnudação precedia a expulsão do lar, sendo em seguida lhe dado um documento de divórcio (Os 2:12, Jr 13:26-27, Ez 16:37). [54] A mulher cujo marido mantinha suspeitas de infidelidade, passava pelo teste da sota, ou a lei de ciúmes de Nm 5:11-31, onde ela era obrigada a beber água com terra do tabernáculo, jurando que caso mentisse que as maldições bíblicas caíssem sobre ela. [55]
No Novo Testamento as punições já são mais brandas. Devido à perda de autonomia, os judeus não mais matavam os adúlteros, embora ocasionalmente ocorressem apedrejamentos (Jo 8:5). [56] Porém, esta prática foi abandonada pela Igreja Cristã. A primeira referencia ao adultério é de forma velada, onde o concílio de Jerusalém recomenda os cristãos de que se abstenham de relações sexuais ilícitas, onde a palavra grega utilizada no verso inclui o sentido de adultério (At 15:20). [57] O castigo dado para o adultério nas cartas de Paulo é a exclusão ou a disciplina na Igreja, segundo I Co 5:1-6, além de perda da salvação conforme I Co 6:9-10.
Consequências Emocionais
Além das consequências vistas anteriormente, existem hoje as consequências emocionais, físicas e espirituais que afetam tanto à parte traída como a parte infiel.
A parte enganada do casamento é a que mais sofre. Devido à confiança perdida nos anos de investidos no casamento, à parte traída sofre de quatro tipos de sentimentos: A) A parte traída fica paralisada diante da situação. O cônjuge enganado fica imóvel diante da recusa de que seu cônjuge tenha sido infiel. B) A segunda consequência é a autojustificação. O cônjuge traído começa a perguntar o que ele tem de errado, já que é um bom cônjuge, pai ou mãe. O amor próprio é ferido, sobrevindo sentimentos de incapacidade e desamor de si mesmo, ou então passa como mártir. C) Os que se dão por vencidos são aqueles que se escoravam na parte infiel, e ao se deparar com o adultério perdem toda à vontade de viver. D) A vontade de vingança leva a pessoa traída a trair também. [58]
Porém, o cônjuge infiel também passa por crises emocionais, vindo todas em seqüência. O primeiro