04/02/10

O LUGAR DE RECOMPENSA: O CÉU OU A TERRA?

À parte das razões acima, qualquer pessoa que ainda sente que o céu, em vez da terra, será o lugar do Reino de Deus, i.e. a recompensa prometida, também precisa explicar os seguintes pontos:
- A "Oração do Pai Nosso" pede que venha o Reino de Deus (i.e. orando pela volta de Cristo), onde os desejos de Deus serão cumpridos na terra como são no céu (Mt. 6:10). Assim, estamos orando para que o Reino de Deus venha sobre a terra. É uma tragédia que milhares de pessoas oram todo dia sem pensar nestas palavras, enquanto ainda acreditam que o Reino de Deus está totalmente estabelecido agora nos céus, e que a terra será destruida.
- "Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a terra" (Mt. 5:5) - e não "...porque as suas almas irão para os céus". Isto faz alusão ao Salmo 37, que no todo enfatiza que a recompensa final do justo será sobre a terra. Exatamente no mesmo lugar onde o ímpio desfrutou sua supremacia temporária, o justo será recompensado com a vida eterna, e possuirá esta mesma terra que uma vez foi dominada pelo ímpio (Sl. 37:34,35). "Os mansos herdarão a terra...aqueles que ele abençoa herdarão a terra...os justos herdarão a terra, e habitarão nela para sempre" (Sl. 37:11,22,29). O morar na terra/na terra prometida para sempre significa que a vida eterna no céu é uma impossibilidade.
- "Davi...morreu e foi sepultado...Davi não subiu aos céus" (Atos 2:29,34). Em lugar disto, Pedro explicou que a sua esperança estava na ressurreição dos mortos na volta de Cristo (Atos 2:22-36).
- A terra é o lugar das operações de Deus com a humanidade: "Os mais altos céus são do Senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens" (Sl. 115:16).
- Ap. 5:9,10 relata uma visão do que os justos irão dizer quando forem aceitos perante o trono do juízo: "(Cristo) os fizeste reino e sacerdotes, e eles reinarão sobre a terra". Este quadro da vigência do Reino de Deus sobre a terra é praticamente removido na vaga concepção de que vamos desfrutar da "glória" em algum lugar no céu.
- As profecias de Daniel capítulos 2 e 7 relatam uma sucessão de poderes políticos, que finalmente serão suplantados pelo Reino de Deus no retorno de Cristo. O domínio do reino seria "abaixo de todo o céu", e cobriria "toda a terra" (Dn. 7:27; 2:35 cf. v. 44). Este Reino eterno "será dado ao povo dos santos do Altíssimo" (Dn. 7:27); assim, a sua recompensa é vida eterna no seu Reino que se localiza sobre a terra, abaixo dos céus.

TEM O SER HUMANO RESPONSABILIDADES PERANTE DEUS?

Se o homem tem "naturalmente" uma alma imortal, ele é forçado a ter um destino eterno em algum lugar - seja em um lugar de recompensa ou castigo. Isto indica que todos são responsáveis perante Deus. Em contraste a isto, nós mostramos como a Bíblia ensina que, por natureza, o homem é como os animais, sem qualquer imortalidade inerente. Contudo, para alguns homens é oferecida a perspectiva da vida eterna no Reino de Deus. Deveria ser evidente que nem todos que já viveram irão ressuscitar; como os animais, o homem vive e morre, para se decompor no pó. Entretanto, como vai haver um julgamento, com alguns sendo condenados e outros recompensados com a vida eterna, nós temos que concluir que haverá uma certa categoria entre a humanidade, quanto aos que ressuscitarão para serem julgados e recompensados.
Se alguém será ressuscitado ou não depende de ser considerado responsável no julgamento. A base do nosso julgamento será como respondemos ao conhecimento da palavra de Deus. Cristo explicou: "Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue: a própria palavra que tenho proferido, essa há de julgá-lo no último dia" (João 12:48). Aqueles que não conheceram ou entenderam a palavra de Cristo, e por isso não têm oportunidade de aceitá-lo ou rejeitá-lo, não serão responsáveis no julgamento. "Todos os que sem lei (sem conhecer a lei de Deus) pecaram, sem lei também perecerão, e todos os que sob a lei pecaram (i.e. conhecendo-a), pela lei serão julgados" (Rm. 2:12). Assim, aqueles que não conhecerem os requisitos de Deus vão perecer como os animais; enquanto que aqueles que conhecendo, quebraram a lei de Deus, precisam ser julgados, e por isso ressuscitados para enfrentar o julgamento.
À vista de Deus "o pecado não é imputado não havendo lei"; "pecado é a transgressão da lei (de Deus)"; "pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm. 5:13; 1 João 3:4; Rm. 3:20). Sem conhecer as leis de Deus como revelada na Sua Palavra, "o pecado não é imputado" a uma pessoa, e por isso ela não será julgada ou ressuscitada. Aqueles que não conhecem a Palavra de Deus irão, assim, permanecer mortos, como irão os animais e as plantas, visto que eles estão na mesma posição. "Homem...sem entendimento, é semelhante aos animais que perecem" (Sl. 49:20). "Como ovelhas são destinados à sepultura" (Sl. 49:14).
Ter o conhecimento dos caminhos de Deus nos faz responsáveis perante Ele, com relação às nossas ações, e para isto precisamos ser ressuscitados e comparecer perante o trono do juízo. Deste modo deve-se entender que não é somente o justo ou aqueles batizados que vão ressurgir, mas todos que são responsáveis perante Deus, devido ao seu conhecimento dEle. Este tema é freqüentemente repetido nas Escrituras:-
- João 15:22 mostra que o conhecimento da Palavra traz responsabilidade: "Se eu (Jesus) não tivesse vindo e falado a eles, eles não teriam pecado: mas agora eles não têm desculpa ("cobertura") do seu pecado". Romanos 1:20-21 igualmente diz que o conhecimento de Deus deixa o homem "inescusável".
- "Todo aquele que ouve o Pai, e aprende dele...eu (Cristo) o ressuscitarei no último dia" (João 6:44,45).
- Deus somente "faz vista grossa" das ações daqueles que são genuinamente ignorantes dos seus caminhos. Ele observa e espera uma resposta daqueles que conhecem os Seus caminhos, (Atos 17:30).
- "O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que não a soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado (por exemplo, permanecendo morto). A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito se lhe pedirá" (Lucas 12:47,48) - e quanto mais Deus?
- "Aquele, pois, que sabe o bem que deve fazer e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17).
- A responsabilidade especial de Israel perante Deus estava relacionada com as Suas revelações de Si mesmo a este povo (Amós 3:2).
- Por causa desta doutrina da responsabilidade, "melhor lhes fora (aqueles que acabam se afastando de Deus) não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2 Pe. 2:21). Outras passagens relevantes incluem: João 9:41; 3:19; 1 Tm. 1:13; Os. 4:14; Dt. 1:39.
O conhecimento de Deus nos faz responsáveis perante o trono do juízo, decorrendo que aqueles sem conhecimento não ressuscitarão, uma vez que eles não precisam ser julgados, e que a sua falta de conhecimento os faz "como os animais que perecem" (Sl. 49:20). Existem muitas indicações de que nem todos que já viveram vão ressuscitar:
- As pessoas da antiga nação da Babilônia "não acordarão" após a sua morte porque ignoravam a verdade de Deus (Jr. 51:39; Is. 43:17).
- Isaías encorajou a si mesmo: "Ó Senhor nosso Deus (de Israel), outros senhores têm tido domínio sobre nós (por exemplo os filisteus e babilônios)...Morrendo eles, não tornarão a viver (de novo); falecendo, não ressuscitarão...apagaste toda a sua memória". (Is. 26: .13,14). Observe a ênfase tripla aqui quanto a não serem ressuscitados: "Não tornarão a viver (de novo)...não ressuscitarão...apagaste toda a sua memória". Em contraste, Israel tem a perspectiva da ressurreição por conta do seu conhecimento do Deus verdadeiro: "Os teus mortos (de Israel) viverão, ...a terra lançará de si os mortos" (Is. 26:19).
- Falando sobre o povo de Israel, nos é dito que no retorno de Cristo, "muitos dos que dormem no pó da terra ressurgirão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e o desprezo eterno" (Dn. 12:2). Assim "muitos", mas não todos, dos judeus serão ressuscitados, devido a sua responsabilidade para com Deus como seu povo escolhido. Aqueles que forem totalmente ignorantes do seu Deus verdadeiro "cairão, e não se levantarão mais", visto que eles são incapazes de encontrar "a palavra do Senhor" (Amós 8:12,14).
AGORA APRENDEMOS QUE:
1. O conhecimento da Palavra de Deus traz responsabilidade perante Ele.
2. Somente os responsáveis ressuscitarão e serão julgados.
3. Aqueles que não conhecem o Deus verdadeiro irão, assim, permanecer mortos como os animais.
As implicações destas conclusões batem forte no orgulho humano e o que, naturalmente, nós preferíamos acreditar: os milhões de pessoas, tanto agora como ao longo da história, que têm estado ignorantes quanto a verdade do Evangelho; os doentes mentais severos, que são incapazes de compreender a mensagem da Bíblia; bebês e crianças pequenas que morreram antes de ter idade suficiente para entender o Evangelho; todos estes grupos se incluem na categoria daqueles que não tiveram o verdadeiro conhecimento de Deus, e por isso não são responsáveis perante Ele. Isto significa que eles não ressuscitarão, apesar do status espiritual dos seus pais. Isto corre completamente a contragosto do humanismo e todos os nossos desejos e sentimentos naturais; entretanto, uma humildade à verdade final da Palavra de Deus, acoplada a uma igualmente modesta opinião sobre a nossa própria natureza, vão nos levar a aceitar esta realidade. Um exame sincero dos fatos da experiência humana, mesmo sem a direção da Escritura, também vão levar à conclusão de que não pode haver esperança da vida futura para os grupos mencionados acima.
Nosso questionamento dos caminhos de Deus nestes assuntos está grosseiramente fora de ordem: "Ó homem, quem és tu, que a Deus replicas?" (Rm. 9:20). Podemos admitir incompreensão, mas nunca devemos acusar Deus de injustiça ou iniquidade. A suposição de que Deus pode ser, de algum modo, não amoroso ou errado, abre a horrível possibilidade de um Deus todo-poderoso, Pai e Criador que trata Suas criaturas de um modo não razoável e injusto. A leitura do relato do rei Davi perdendo o seu filho, ainda bebê, pode ajudar; 2 Sm. 12:15-24 relata como Davi orou muito pela criança enquanto ela vivia, mas ele aceitou realisticamente a definição da sua morte: "Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque pensava: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Mas agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar?.. Ela não voltará para mim". Então Davi confortou sua esposa, e teve outro filho tão cedo quanto possível.
Finalmente, deve-se dizer que muitas pessoas, ao captar este princípio de responsabilidade para com Deus, sentem que não querem ter mais conhecimento dEle, para o caso de se tornarem responsáveis perante Ele e serem julgadas. Em algum grau é possível que estas pessoas já sejam responsáveis perante Deus, visto que o seu conhecimento da Palavra de Deus os faz conscientes do fato de que Deus está trabalhando nas suas vidas, oferecendo-lhes um relacionamento real com Ele. Sempre deve ser lembrado que "Deus É amor", Ele "não quer que ninguém se perca", e "deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (1 João 4:8; 2 Pedro 3:9; João 3:16). Deus quer que estejamos no Seu Reino.
Tal honra e privilégio inevitavelmente traz responsabilidades. Entretanto, estas não estão planejadas para serem pesadas ou onerosas demais para nós; se realmente amamos a Deus, nós vamos apreciar o fato de que sua oferta de salvação não é uma recompensa automática por certas obras, mas um desejo amoroso da Sua parte para fazer tudo que Ele pode para Seus filhos, para lhes assegurar uma vida eterna de felicidade, pela sua consideração ao Seu caráter maravilhoso.
À medida que valorizarmos e ouvirmos o chamado de Deus para nós através da Sua Palavra, vamos entender que enquanto andamos entre as multidões, Deus está nos vendo com uma intensidade especial, buscando ansiosamente sinais da nossa resposta ao Seu amor, em vez de esperar que falhemos ao viver de acordo com nossas responsabilidades. Aquele olhar de amor nunca está fora de nós; nunca podemos esquecer ou desfazer o nosso conhecimento dEle para perdoar a carne, livres da responsabilidade perante Deus. Em vez disso, nós podemos e devemos nos alegrar na proximidade especial que temos com Deus, e assim acreditar na grandeza do seu amor; que sempre busquemos conhecer mais dEle em vez de menos. Nosso amor pelos caminhos de Deus e desejo de conhecê-lo, para que possamos, com mais precisão, copiá-lo, devem exceder nosso temor natural da Sua suprema santidade.

O INFERNO EXISTE?

A concepção popular de inferno é de um lugar de castigo para as "almas imortais" ímpias direto após a morte, ou o lugar de tormento para aqueles que são rejeitados no juízo. É nossa convicção que a Bíblia ensina que o inferno é a sepultura, onde todos os homens vão ao morrer.
Quanto a palavra em si, o termo original no hebraico "sheol", traduzido como "inferno", significa "um lugar coberto". "Inferno" é a versão aportuguesada de "sheol"; assim, quando nós lemos "inferno"' não estamos lendo uma palavra que foi totalmente traduzida. Biblicamente, este "lugar coberto", ou "inferno", é a sepultura. Existem muitos exemplos onde a palavra original "sheol" é traduzida como "sepultura". De facto, algumas versões modernas da Bíblia poucas vezes usam a palavra "inferno", traduzindo-a mais apropriadamente como "sepultura". Alguns exemplos de onde esta palavra "sheol" é traduzida como "sepultura" já fazem cair por terra a concepção popular de inferno como um lugar de fogo e tormento para os ímpios:
- "Deixa que os ímpios...emudeçam na sepultura" (sheol [Sl. 31:17]) - eles não vão gritar em agonia.
- "Deus remirá minha alma do poder da morte" (sheol [Sl. 49:15]) - i.e. a "alma" ou corpo de Davi seriam ressuscitados da sepultura, ou "inferno".
A crença de que o inferno é um lugar de punição para os ímpios, do qual eles não podem escapar, simplesmente não se enquadra nisto; um homem justo pode ir ao inferno (a sepultura) e voltar. Os. 13:14 confirma isto: "Eu os remirei (o povo de Deus) da violência do inferno (sheol), e os resgatarei da morte". Isto está citado em 1 Co. 15:55 e aplicado à ressurreição na volta de Cristo. Da mesma forma na visão da segunda ressurreição, "a morte e o além deram os mortos que nele havia" (Ap. 20:13). Observe o paralelo entre a morte, i.e. a sepultura, e o inferno (ver também Sl. 6:5).
As palavras de Ana em 1 Sm. 2:6 são muito claras: "O Senhor é o que tira a vida, e a dá (através da ressurreição); faz descer à sepultura (sheol), e faz subir".
Visto que "inferno" é a sepultura, espera-se que os justos serão salvos dela através da sua ressurreição para a vida eterna. Assim, é um tanto possível entrar no "inferno", ou sepultura, e depois sair dele através da ressurreição. O exemplo supremo é o de Jesus, cuja "alma não foi deixada na morte, nem a sua carne viu corrupção" (Atos 2:31) porque ele ressuscitou. Observe o paralelo entre a "alma" de Cristo e a sua "carne" ou corpo. Que o seu corpo "não foi deixado na morte" implica que ele esteve lá por um período, i.e. os três dias em que seu corpo esteve na sepultura. Que Cristo foi ao "inferno" deveria ser prova suficiente de que lá não é um lugar onde só os ímpios vão.
Tanto as pessoas boas como as más vão para o "inferno", i.e. a sepultura. Assim a Jesus, "deram-lhe a sepultura com os ímpios" (Is. 53:9). Alinhado a isto, existem outros exemplos de homens justos indo ao inferno, i.e. à sepultura. Jacó disse que ele "desceria até a sepultura (inferno)...com choro" pelo seu filho José (Gn. 37:35).
É um princípio de Deus que o castigo pelo pecado é a morte (Rm. 6:23; 8:13; Tiago 1:15). Anteriormente nós mostramos que a morte é um estado de completa inconsciência. O pecado resulta em destruição total, não tormento eterno (Mt. 21:41; 22:7; Marcos 12:9; Tiago 4:12), tão certo como as pessoas foram destruidas pelo Dilúvio (Lucas 17:27,29), e os israelitas morreram no deserto (1 Co. 10:10). Nestas duas ocasiões os pecadores morreram em vez de serem atormentados eternamente. Então é impossível que os ímpios sejam castigados com uma consciência eterna de tormento e sofrimento.
Nós também vimos que Deus não atribui o pecado - ou o inclui em nosso registro - se formos ignorantes da Sua palavra (Rm. 5:13). Aqueles que estão nesta posição vão permanecer mortos. Aqueles que reconhecem os requisitos de Deus vão ressuscitar e ser julgados na volta de Cristo. Se ímpios, o castigo que vão receber será a morte, porque este é o julgamento pelo pecado. Assim, antes de comparecer perante o trono do juízo de Cristo, eles serão punidos e vão morrer de novo, para permanecer mortos para sempre. Esta será "a segunda morte", mencionada em Ap. 2:11; 20:6. Estas pessoas terão morrido uma vez, uma morte de total inconsciência. Eles serão ressuscitados e julgados na volta de Cristo, e depois punidos com uma segunda morte, a qual, como a sua primeira morte, será inconsciência total. Esta vai durar para sempre.
É neste sentido que o castigo do pecado é "eterno", uma vez que não haverá fim à morte. Permanecer morto para sempre é um castigo eterno. Um exemplo da Bíblia usando este tipo de expressão encontra-se em Dt. 11:4. Este texto descreve como eterna a destruição definitiva do exército de Faraó por Deus no Mar Vermelho, destruição surpreendente pela qual aquele exército nunca mais causaria problemas a Israel: "Fazendo passar sobre eles as águas do Mar Vermelho...o Senhor os destruiu até o dia de hoje".
Mesmo nos primeiros tempos do Velho Testamento os crentes entendiam que haveria uma ressurreição no último dia, depois da qual os ímpios responsáveis voltariam à sepultura. Jó 21:30,32 é muito claro: "Os maus...serão trazidos (i.e. ressuscitados) no dia do furor...Ele é levado (então) à sepultura". Uma das parábolas sobre a volta de Cristo e o juízo fala do ímpio sendo "morto" na sua presença (Lucas 19:27). Isto dificilmente se encaixa na idéia de que o ímpio existe para sempre em um estado de consciência, recebendo constante tortura. De qualquer forma, este seria um castigo não aceitável - tortura eterna por coisas feitas em 70 anos. Deus não tem prazer no castigo dos ímpios; assim, espera-se que Ele não vai infligir punição sobre eles por toda eternidade (Ez. 18:23,32; 33:11 cf. 2 Pedro 3:9).
A cristandade apóstata geralmente associa "inferno"' com a idéia de fogo e tormento. Isto contrasta com o ensino bíblico sobre inferno (a sepultura). "Como ovelhas são destinados à sepultura (inferno); e a morte se alimentará deles" (Sl. 49:14) faz supor que a sepultura é um lugar de esquecimento pacífico. Apesar da alma de Cristo, ou corpo, ter estado no inferno por três dias, ela não sofreu corrupção (Atos 2:31). Isto seria impossível se o inferno fosse um lugar de fogo. Ez. 32:26-30 dá um quadro dos poderosos guerreiros das nações em volta, deitados em paz nas suas sepulturas: "Os valentes que cairam (na batalha)...os quais desceram ao sepulcro com as suas armas de guerra, e puseram as suas espadas debaixo das suas cabeças?...Estes jazem...com os que desceram à cova". Isto se refere ao costume de enterrar os guerreiros com as suas armas, e descansar a cabeça do defunto sobre a espada. Entretanto esta é uma descrição do "inferno" - a sepultura. Estes homens poderosos deitados, parados no inferno (i.e. suas sepulturas), dificilmente sustentam a idéia de que o inferno seja um lugar de fogo. As coisas materiais (por exemplo, espadas) vão para o mesmo "inferno" que as pessoas, mostrando que o inferno não é uma área de tormento espiritual. Assim Pedro disse a um homem ímpio: "O teu dinheiro seja contigo para perdição" (Atos 8:20).
O relato das experiências de Jonas também contradiz isto. Ao ser engolido por um grande peixe, "Jonas orou ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe. Disse ele:...clamei ao Senhor...Das profundezas da sepultura gritei" (Jonas 2:1,2). Isto faz paralelo entre " profundezas do inferno " e as entranhas do peixe. As entranhas do peixe eram, de fato, um "lugar coberto", que é o significado fundamental da palavra "sheol", traduzida como "inferno". Obviamente, não era um lugar de fogo, e Jonas saiu "das entranhas do inferno" quando o peixe o vomitou. Isto aponta adiante, para a ressurreição de Cristo do "inferno" (a sepultura) - ver Mt. 12:40.

03/02/10

O QUE SIGNIFICA "FOGO QUE NÃO SE APAGA?"

Frequentemente a Bíblia usa a imagem de fogo eterno para representar a ira de Deus contra o pecado, que resultará em destruição total do pecado. Sodoma foi punida com "fogo eterno" (Judas v. 7), i.e. foi totalmente destruida devido à impiedade dos seus habitantes. Hoje aquela cidade está submersa nas águas do Mar Morto; de modo algum está agora em chamas, o que seria necessário se fôssemos entender "fogo eterno" literalmente. Da mesma forma Jerusalém foi ameaçada com o fogo eterno da ira de Deus, devido aos pecados de Israel: "Então acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém, e não se apagará" (Jr. 17:27). Sendo Jerusalém a capital profetizada do futuro reino (Is. 2:2-4; Sl. 48:2), Deus não quer dizer que leiamos isto em sentido literal. As grandes casas de Jerusalém foram queimadas com fogo (2 Reis 25:9), mas aquele fogo não continua eternamente.
Similarmente, Deus puniu a terra da Iduméia com fogo que "nem de noite nem de dia se apagará; para sempre a sua fumaça subirá. De geração em geração será assolada...O corujão e a coruja o possuirão...Nos seus palácios crescerão espinhos" (Is. 34:9-15). Visto que os animais e as plantas deviam existir na terra arruinada da Iduméia, a linguagem de fogo eterno refere-se à ira de Deus e destruição total do lugar, em vez de serem tomados literalmente.
As frases no hebraico e no grego que são traduzidas "para sempre" têm e são compreendidas na "para a época", como destruição enquanto houver alguma coisa a destruir ou a consumir. Algumas vezes isto refere-se a um infinito literal, por exemplo, a era do reino, mas nem sempre. Ez. 32:14,15 é um exemplo: "Os fortes e torres serão cavernas para sempre...até que o espírito seja derramado sobre nós". Esta é uma forma de entender "eternidade" ou "fogo eterno".
Houve vezes em que a ira de Deus com os pecados de Jerusalém e Israel foi comparada ao fogo: "A minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar (Jerusalém)...se acenderá, e não se apagará" (Jr. 7:20; outros exemplos incluem Lam. 4:11 e 2 Reis 22:17).
Fogo está associado com o julgamento de Deus sobre o pecado, especialmente na volta de Cristo: "Certamente aquele dia vem; arderá como fornalha. Todos os soberbos e todos os que cometem impiedade, serão como o restolho, e o dia que está para vir os abrasará" (Ml. 4:1). Quando restolho, ou mesmo um corpo humano, é queimado pelo fogo, ele volta ao pó. É impossível a qualquer substância, especialmente carne humana, literalmente ficar a arder para sempre. Assim, a linguagem do "fogo eterno" não pode referir-se literalmente ao tormento eterno. Um fogo não pode durar para sempre quando já não haja que queimar. Deveria ser notado que "inferno" é "lançar no lago de fogo" (Ap. 20:14). Isto indica que o inferno não é o mesmo que "o lago de fogo"; mas representa destruição completa. Na maneira simbólica do livro de Apocalipse, é dito que a sepultura deve ser totalmente destruida, porque ao fim do Milénio não haverá mais morte.

O QUE É A GEENA?

Geena é a transliteração comum para o português de um termo de origem grega: "géenna". Por sua vez, géenna origina-se do termo hebraico Geh Hinnóm (גֵיא בֶן-הִנֹּם) que significa literalmente "Vale de Hinom", e que veio a tornar-se um depósito fora de Jerusalém onde o lixo era incinerado.
No Novo Testamento há duas palavras gregas traduzidas como "inferno". "Hades" é o equivalente ao "sheol" hebraico, que nós discutimos anteriormente. "Geena" é o nome do monte de refugo que ficava fora de Jerusalém, onde se queimava o lixo da cidade. Estes montes de lixo são típicos em muitas cidades de países em desenvolvimento. Como um substantivo próprio - i.e. o nome de um lugar concreto - deste modo "Geena" a única tradução a aplicar-se seria "lugar onde o lixo é queimado", porém alguns tradutores (a maioria) traduz por "inferno" "Geena" é o equivalente aramaico do hebraico "Ge-ben-Hinnon". Este lugar situava-se perto de Jerusalém (Josué. 15:8), e na época de Cristo era o depósito do lixo da cidade. Corpos de criminosos mortos eram lançados no fogo que estava sempre arder, havia sempre combustível de tal modo que Geena se tornou símbolo de destruição e rejeição total.
Mais uma vez deve-se compreender que aquilo que era ali colocado não permanecia lá para sempre - os corpos decompostos em pó. "Nosso Deus (será) um fogo consumidor" (Hb. 12:29) no dia do julgamento; o fogo da Sua ira com o pecado vai consumir os pecadores para os destruir, em vez de deixá-los apenas a sofrer eternamente. Na época em que o povo de Deus, Israel, foi levado para o cativeiro pela mão dos babilónios, Geena ficou cheio de cadáveres dos pecadores dentre o povo de Deus (Jr. 7:32,33).
Deste modo magistral, o Senhor Jesus reune todas estas idéias do Velho Testamento no uso da palavra "Geena". Jesus diz que aqueles que forem rejeitados (por não aceitar o governo de Deus) a sentença seria aquando da Sua vinda ir "para Geena (i.e. "inferno"), para o fogo que nunca se apaga; onde o seu verme não morre" (Marcos 9:43,44). Geena trazia à mente dos judeus as idéias de rejeição e destruição do corpo, e nós vimos que fogo eterno é uma expressão idiomática representando a ira de Deus contra o pecado, e a destruição eterna dos pecadores pela morte.
A referência "onde o seu verme não morre", é, evidentemente, parte da mesma expressão de destruição total - é inconcebível que haja literalmente vermes que nunca morrem. O facto de que Geena era o local dos antigos castigos dos ímpios entre o povo de Deus, mostra depois a propriedade com que Cristo usa a figura de Geena.

28/01/10

EXISTEM REALMENTE ATEUS?

A Mídia já está a comentar o mais recente livro do Dr. Richard Dawkins, um cientista britânico que se auto-proclama "ateu", e que gosta de ridicularizar a religião. É notável como os grandes meios de comunicação de massa, no Brasil e em geral no mundo Ocidental, dão muita publicidade aos ditos "ateus", mas raramente falam sobre os cientistas de notoriedade que mantém de forma saudável a harmonia entre a fé e a ciência. Na verdade, a religião ultimamente tem sido retratada de forma pejorativa, deturpada e constrangedora nas novelas, telejornais e programas de um modo geral.
Pessoas como o Dr. Dawkins, que é catedrático da prestigiada Universidade Oxford, tendem a considerar a fé no Criacionismo como sendo algo próprio para pessoas com mente "fechada" (aliás, um artigo de algumas meses atrás da Revista Época colocava o comentário do livro do Dr. Dawkins numa secção intitulada "Mente Aberta"; ou seja, para a Mídia, o ateísmo é próprio de pessoas intelectualizadas, enquanto que o cristianismo é relegado a indivíduos sem cultura, e, portanto, com uma "mente fechada").
Mas, será que REALMENTE existem ateus? A que se apegam essas pessoas tão "inteligentes" na hora de angústia e conflitos emocionais? Será nos livros, ou nos compêndios científicos da nanotecnologia? Como será que eles explicam a transformação de vida (e aqui falo de transformação verdadeira) que vemos constantemente entre os que professam o Cristianismo? Como eles racionalizam o vermos tantos "milagres" (que são, por definição, eventos que demonstram uma "quebra" nas leis naturais do Universo) ocorrerem entre os cristãos? Onde colocam os ateus a sua esperança na hora que a morte se aproxima, e eles estão limitados a um leito de hospital, agonizando com uma doença cruel (como Câncer ou AIDS, por exemplo) à espera do último momento?
Eu não acredito que existam ateus verdadeiros.
Na hora da dor, muitos destes pseudo-intelectuais irredutíveis sentem que suas teorias filosóficas, antropológicas, sociológicas... ateológicas... não os levou a lugar nenhum. Enquanto que o cristão enfrenta a morte com confiança e certeza do "depois", o ateu enfrenta este mesmo momento com uma implacável dúvida - E AGORA? SERÁ QUE EU ESTAVA CERTO?
Esporadicamente a Mídia dá uma abertura insípida para que um criacionista defenda o seu ponto de vista. Você deve lembrar-se, por exemplo, da entrevista que o Dr. Rodrigo Silva, erudito da área no Brasil (crente Adventista) deu no programa do Jô Soares há alguns anos.
Felizmente, os argumentos filosóficos de pessoas como o Dr. Dawkins não conseguem nem mesmo arranhar a fé daqueles que realmente entendem o papel de Deus nas suas vidas. Apenas os que não se dedicam ao estudo sistemático e relacional da Bíblia e dos seus conceitos, é que se deixam embalar por estas teorias meramente humanas. Ou poderíamos chamar de "ventos de doutrina"? (cf. Efés. 4:14).
Recentemente também foi publicado um excelente livro de um cientista e ex-ateu que se converteu ao Cristianismo Criacionista (sim, pois existem cristãos que não crêem na Criação). O mais interessante é que este cientista não é "qualquer um", é simplesmente o "pai" do Projecto Genoma, o Dr. Francis S. Collins, autor de "A Linguagem de Deus".
No final, tanto o Evolucionismo ateísta como o Criacionismo cristão dependem da fé, pois ambos não podem ser comprovados na totalidade de suas declarações.
É por isto que, no final das contas, eu acho que os ateus têm mais fé do que os cristãos... porque é necessário muita fé para acreditar que o mundo surgiu do nada, e que a complexidade que hoje conhecemos (basta olhar para a nossa própria estrutura fisiológica) tenha "evoluído" a partir de organismos unicelulares marinhos.
Como eu não tenho tanta "fé" assim, prefiro ficar com o que a Bíblia declara, e crer que existe um Arquiteto, Criador, Mantenedor e Redentor de todo o Universo.
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a Terra..." (Jó 19:25).