21/09/10

A HISTÓRIA DA REDENÇÃO CONTADA PELAS 7 FESTAS DE ISRAEL

O livro bíblico de Levítico (Capítulo 23) esboça de maneira sucinta e cronológica as sete festas solenes instituídas por Deus. Cada festa com o seu significado soma a outra para contar de forma universal e profética o plano de Deus para salvar o ser humano.
Dessa forma, além de um significado contextual para o povo que a celebrava no Antigo Testamento, elas passam a assumir um significado mais abrangente na história tipificando alguns aspectos da obra salvífica de Jesus.
Sem detalhar as festas no seu plano histórico, vamos planificar seus cumprimentos proféticos no amplo contexto da história da salvação.

As primeiras quatro festas estão relacionadas com a primeira vinda de Cristo, e as três últimas com a segunda vinda do nosso Senhor.
São elas: Páscoa - Pães Asmos - Primícias - Pentecostes - Trombetas - Dia da Expiação - Tabernáculos. (Para fácil memorização, note que as quatro primeiras começam com a letra "P", e duas das três últimas começam com a letra "T")
1 - Páscoa (Lev. 23:4 e 5): Festa instituída quando o povo de Israel foi libertado da escravidão do Egito (Ex. 12). Um cordeiro era morto no dia quatorze do primeiro mês (Abib) do calendário hebraico.
Cumpriu-se de forma precisa numa sexta-feira ao pôr-do-sol quando Cristo foi morto como um cordeiro (I Cor. 5:7; I Ped. 1:18 e 19).
2 - Pães Asmos (Lev. 23:6 a 8): No dia seguinte à Páscoa (15 de Abib) começava um período de sete dias onde o povo deveria comer pão sem fermento e oferecer oferta queimada ao Senhor. No verso sete o texto diz que no primeiro dia, ou seja, o dia seguinte a Páscoa, o povo não poderia trabalhar.
Essa festa se cumpriu a partir do dia seguinte à morte de Cristo, quando em Lucas 23:54 a 56 diz que as mulheres na sexta-feira de Páscoa embalsamaram o corpo de Jesus e então no Sábado (dia seguinte) descansaram. Começa então o período de consagração daqueles que eram povo de Deus, na esperança da ressurreição de Cristo, que morreu sem pecado, tipificado pelo pão sem fermento (Fermento representa o pecado, leia Mat. 16:6).
3- Primícias (Lev. 23:9 a 14): Acontecia no dia imediato à festa dos pães asmos (16 de Abib) e festejava o início da colheita. Sem entrarmos em detalhes sobre sua contagem, que divergia entre os Fariseus e Saduceus, vamos esboçar seu significado profético no plano de redenção. Jesus morreu literalmente no dia 15 do primeiro mês (Páscoa) e ressuscitou no dia 16, "como primícias dos que dormem" (I Cor. 15:20). Assim como o povo dedicava ao Senhor os primeiros frutos da colheita, Jesus dedica ao Pai os primeiros frutos da salvação, quando na Sua morte muitos ressuscitaram (Mat. 27:51 a53) e depois foram levados ao Céu com Ele.
4- Pentecostes ou Festa das Semanas (Lev. 23:15 a 22): Parece haver uma ligação desta festa com as anteriores, como sendo uma continuação (v. 15 e 16). Essa festa comemorava o fim da colheita, uma espécie de segunda festa das primícias.
O Pentecostes cumpriu-se cronologicamente em tempo exato (Atos 2:1) e com a descida do Espírito Santo, os seguidores de Deus entregaram "quase três mil pessoas" (Atos 2:41) como frutos da grande colheita desde a morte e ressurreição de Jesus.
Depois da Festa do Pentecostes havia um intervalo até a próxima festa. Assim acontece na história, temos um grande intervalo desde o Pentecostes até a retomado dos cumprimentos proféticos prefigurados pela festa.
5 - Trombetas (Lev. 23:24 e 25): No primeiro dia do sétimo mês era tocada a trombeta para anunciar o primeiro dia do ano civil, ou ano novo. A trombeta também alertava ao povo da proximidade do Dia da Expiação, que era dia de juízo onde se exigia preparação e solenidade. A Festa das Trombetas era um dia de descanso e consagração, representado pelas ofertas queimadas oferecidas a Deus neste dia.
Seu cumprimento profético se deu, no anúncio da proximidade do grande Dia da Expiação, claramente estampado na Primeira Mensagem Angélica: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo" (Apoc. 14:7).
6- Dia da Expiação (Lev. 23:26 a 32): Acontecia no décimo dia do sétimo mês. O Santuário era purificado das transgressões daqueles que um dia sacrificaram um cordeiro e tiveram seus pecados transferidos simbolicamente através do sangue do animal que era aspergido no tabernáculo.
Segundo a profecia de Daniel 8:14, no dia 22 de outubro de 1844 teve início esse grande dia, quando Jesus passou literalmente para o Lugar Santíssimo do Santuário celestial para julgar aqueles que aceitaram um dia o sacrifício de Cristo na cruz como cordeiro de Deus (Heb. 9:23 a 28).
7- Tabernáculos (Lev. 23:33 a 44): No décimo quinto dia acontecia a última festa do ano religioso, a Festa dos Tabernáculos. Os israelitas, em memória ao tempo em que eram errantes no deserto e viviam em tendas, deviam voltar a morar em barracas durante sete dias. Ao contrário da contrição da festa anterior, havia muito júbilo e alegria nesta ocasião. O juízo havia passado e o perdão dos pecados estava garantido.
Era uma festa de colheita também (uvas e azeitonas, ver William L. Coleman, Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos, 268 e 269), e havia um espírito de gratidão por tudo que o Senhor havia feito durante o ano.
Seu cumprimento está no futuro, depois do término do Dia da Expiação, na ocasião da volta de Cristo.
Ele virá para fazer a colheita final (Apoc. 14:14 a 16) e seremos levados ao Céu com Ele. Note a descrição deste dia por Ellen G. White: "Todos nós entramos na nuvem, e estivemos sete dias ascendendo para o mar de vidro". Primeiros Escritos, pág. 16.
Será um dia de muito louvor e gratidão pelo perdão dos pecados (concluído na festa anterior - O Grande Dia da Expiação) e seguirá por sete dias até recebermos de Jesus as coroas da vitória (ver Primeiros Escritos, 16 e 17).
A Bíblia também relaciona essa festa com a restauração final do povo de Deus: "Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos" (Zac. 14:16).
Conclusão: As sete festas de Israel contam de forma universal e cronológica, a história da salvação desde a morte de Cristo na cruz, como cordeiro pascoal, até Sua segunda vinda de forma gloriosa.
Apesar de não celebrarmos hoje essas comemorações como Israel no Antigo Testamento fazia, podemos estudá-las e aprender muitas lições de vida cristã. Sobretudo, não devemos nos esquecer que estamos vivendo no contexto do Dia da Expiação e Cristo está hoje no Santo dos Santos fazendo o juízo investigativo antes de retornar a essa Terra.
É hora de reflexão, contrição e expectativa do glorioso dia que nos aguarda.

13/09/10

A CRIAÇÃO EM 6 DIAS OU EM 42.000 ANOS?

O livro “Seja Deus Verdadeiro” – título que não casa com o conteúdo contraditório – traz às páginas 174 e 175 o dogma da cosmogonia jeovista, segundo a qual o nosso mundo foi criado em 42.000 anos, ou seis dias de 7 mil anos cada um. Desta forma, o sétimo dia, o “descanso” de Deus, segundo eles , ainda está transcorrendo, acha-se em pleno exercício, pois, tendo começado em Gén. 2:2, está agora completando 6.000 anos. E os últimos 1.000 anos deste “descanso” começarão logo com o Armagedom, iniciando-se o reino milenar de Cristo, com Satanás amarrado, etc. imaginação não lhes falta.
Em que base assenta esta fantasia? Simplesmente no facto de ter Deus cessado a Criação no “sétimo dia”. E, num rasgo de genialidade, concluem: este “sétimo” leva-nos à conclusão de que cada “dia” deve ter durado “sete mil” anos! Não é sensacional! Procuram buscar reforço para esta mirabolante interpretação no argumento de que em Gén. 2:4, por exemplo, a palavra “dia” significa mais do que um período de 24 horas.
Vamos esclarecer este absurdo. O “argumento” é por demais velho e poluído, de tão usado pelos evolucionistas e modernistas religiosos de todos os matizes. É a velhíssima história da palavra yom (dia) ter no hebraico um sentido elástico. Concordamos. No entanto, vamos estudar o assunto em profundidade.
Antes, porém, de prosseguirmos, convém dizer que a hipótese jeovista, do “dia” criativo com duração de sete milénios, não veio assim como uma revelação indiscutível, líquida, intocável. Surgiu como coisa admissível, razoável. Só há alguns anos a seita a admitiu como dogma.
Leio no livro “Criação”, da autoria de Rutherford, edição de 1923 (quando o nome da seita ainda era “Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia) à página 27, o seguinte: “Desde que o Senhor dividiu os períodos da Criação em sete, É RAZOÁVEL admitir que este fossem de igual duração.”
Ora, isto não é evidência, nem prova. É uma afirmação inteiramente livre, temerária e fantasiosa, sem o apoio de um “Assim diz o Senhor”. Perguntamos honestamente: Que relação podem ter os sete períodos, com a sua hipotética duração? Que identidade lógica pode haver? Com tal método, pode-se afirmar livremente que o “dia” tanto pode ter 7 mil anos, como sete milhões de anos sem que se incorra em incoerência! Notemos, sobretudo, a insegurança contida na expressão: “É Razoável…”.
Num outro livro publicado ainda apela Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em 1943, denominado “A Verdade Vos Tornará Livres” voltam ao assunto à página 58, com estas palavra tíbias e incertas: “Por conseguinte, este grande dia de descanso do Criador para com a terra PARECE SER de cerca de sete mil anos de duração. Sendo de tal duração este sétimo dia, É RAZOÁVEL concluir que os seis dias de trabalho precedentes eram cada qual da mesma duração.”
Também aqui o “Juiz” (Rutherford), inseguro e vago, sem convicção e sem certeza, usa as expressões “parece ser “ e “é razoável concluir” – que lhe tiram toda a autoridade de “doutrina”.
Feitos estes reparos, passemos directo ao assunto:
1. Em primeiro lugar, e para abrir a nossa argumentação, convém denunciar a incoerência hermenêutica em tomar um numeral ordinal (sétimo) para o transformar em cardinal (sete). Isto esboroa todo o princípio estabelecido e consagrado em exegese. Isto, na terra do bom senso e da lógica, destrói a pretensão jeovista.
2. Quem invoca as línguas originais da Bíblia em abono de uma tese terá que arcar com todas as implicações válidas e comprovados que elas encerram. Um estudo imparcial e acurado dos manuscritos hebraicos revela este facto surpreendente: em todos os casos em que a palavra yom (dia) é acompanhada de um numeral ordinal, o sentido é infalivelmente o de um dia de 24 horas. É só verificar os textos sagrados. Ver-se-á que este é o sentido quando a Bíblia diz “ o segundo yom da festa”, “o terceiro yom da jornada”, “o décimo sétimo yom do mês”, e assim por diante. Ora, esta regra aplica-se aos versículos da Criação, nos quais se verifica a existência do numeral ordinal junto destes períodos de tempo. Lemos: por exemplo, “o primeiro dia” (Gén. 1:5), “o segundo dia” (v.8), “o terceiro yom” (v.13), “o sexto yom” (v.31), e assim por diante. Isto prova, sem sombra de dúvida, que, neste registo, os dias eram solares, de 24 horas, e nunca longos períodos de tempo, ou 7.000 anos.
3. Num assunto como este, não é de desprezar o testemunho dos grandes lexicógrafos hebraicos, entre os quais apontamos Buhl, Koening, Brown, Driver e Briggs, todos unânimes em afirmar que os dias mencionados em Génesis 1 são dia de 24 horas.
August Dillmann, na sua festejada obra “Die Génesis”, tem estas palavras sobre a Criação: “As razões desenvolvidas por escritores antigos e modernos no esforço de interpretarem estes dias como longos períodos de temos são inconsistentes.”
Outro estudioso desinteressado de apologia sobre o assunto, John Skinner, no seu conhecido trado “International Critical Commentary”, Vol. 1, página 21, na secção Génesis, diz: “As interpretações de yom como significado aeon – recurso favorito dos que querem harmonizar a ciência com a Revelação – opõem-se ao sentido claro da passagem e não tem nenhum abono do emprego gramatical do hebraico”.
Portanto não há porque inventar-se um prolongamento de tempo indefinido ou mesmo de 7.000 anos, quando o “dia” é inequivocamente solar!
4. Os últimos três dias da Criação foram, inquestionavelmente, controlados pelo Sol, que surgiu no quarto dia. Pois bem, estes últimos dias são referidos, no texto, exactamente nos mesmos termos dos dias anteriores. E o Sol só pode demarcar dias de 24 horas. Nunca uma extensão de 7.000 anos.
5. A própria redacção da narrativa, no original, indica um espaço limitado de tempo, a rapidez da Criação, a momentaneidade dos factos. Senão vejamos:
a) No caso da luz, por exemplo, há um fortíssimo imperativo do verbo hebraico hayah (ser, tornar-se). “Faça-se a luz!” Este “faça-se” não contempla delongas. “E a luz se fez”. Também nesta última frase, é obrigatório sentido de instantaneidade, e não de uma demora de 7.000 anos. Não teria cabimento a luz demorar tão longo tempo para se fazer, para surgir, para brilhar. Onde fica o pode de Deus? O relato indica que houve execução imediata segundo a ordem do Senhor.
b) Outro exemplo do forte imperativo hebraico ocorre em relação ao terceiro dia. Lemos em Génesis 1:11: “Produza a terra a relva…!” No original está literalmente “Terra, nasça, renovos!” Da`sha, significa: faça brotar agora! E o registo indica que imediatamente a terra produziu. E as plantas yatsá (saíram).
c) O mesmo ocorre no versículo 20. “Povoem-se as águas de enxames…” No original está: “Água, enxameia enxames!” De novo o vigoroso imperativo hebraico aí está para desmentir o castelo de cartas dos jeovistas, evolucionistas e modernistas!!! E o que mais admira é eles que tanto alardeiam basear-se nas línguas originais da Bíblia, coando mosquitos aqui e ali, engulam sapos tão volumosos e indigestos como este!
d) O fraseado hebraico de Génesis 1 é confirmado, de modo inequívoco, em Salmo 33:9, onde referindo-se à Criação, se lê: “Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou e tudo passou a existir”. Esta linguagem é totalmente inadequada para longos períodos de tempo, pois o que ela diz é que tudo se concretizou imediatamente.
A conclusão é fatal: os dias da Criação foram dias solares.
e) Diz a Bíblia, na sua linguagem cristalina, que houve “tarde” e “manhã” em cada dia da Criação. No hebraico, manhã é a parte clara do dia propriamente dito, ao passo que a “tarde” é a parte escura, nocturna. Se num único dia houve tarde e manhã, então, a hipótese jeovista levar-nos-ia fatalmente a admitir que essas 24 horas tiveram uma extensão ininterrupta correspondente a um tempo longuíssimo de 7.000 anos, sendo 3.500 anos de parte clara, e 3.500 de uma noite interminável. Isto não tem sentido. Imagine-se o Sol com a sua intensidade durante um espaço de 3.500 anos! Teria queimado tudo. Ou então, se começou pelas 3.500 noites, o mundo vegetal teria perecido na escuridão.
Afirmar, por outro lado, que os 7.000 anos do “dia” da Criação não eram um só período, mas compunham-se de dois milhões d quinhentos e vinte mil dias literais, complica ainda mais a questão, e não honra a inteligência dos jeovistas!
6. o facto de as plantas, a relva, a forragem terem surgido no terceiro dia, e continuaram a viver nos dias subsequentes da Criação, sendo de alimento para os animais, comprova que este dias eram de sem dúvida dias solares. Primeiro porque no dia imediato surgiu o Sol; segundo porque os animais criados no quinto e sexto dias precisavam de vegetação para sobreviverem.
7. O homem foi criado no sexto dia, dia que na concepção dos jeovistas teve a duração de 7.000 anos. Pediríamos que os amigos nos esclarecessem estes pontos:
1º) Se Adão nasceu no sexto dia, e viveu 930 anos segundo a Bíblia, viveu-os dentro do período dos 7.000 anos que durou o “dia”, o sexto? Se foi assim, como pode a Bíblia relatar factos da vida de Adão depois do Sábado (sétimo dia), e anos posteriores?
2º) Se o “sábado da Criação”, o sétimo dia dela ainda está em pleno decorrer, segundo a ideia jeovista, pois ainda faltam mais de mil anos para terminar, então logicamente Adão ainda está a viver. Onde estará ele? Porque razão a Bíblia diz que ele viveu depois do sábado. Se o “sábado” não acabou, os acontecimentos posteriores ainda não se deram, nem a queda, nem nasceram os filhos de Adão, nem se formou a humanidade! Porque razão a Bíblia diz que ele viveu depois do sábado. Se o “sábado” não acabou, os acontecimentos posteriores ainda não se deram, nem a queda, nem nasceram os filhos de Adão, nem se formo a humanidade!
8. No mesmo livro “Seja Deus Verdadeiro”, há um capítulo intitulado “Por que a Evolução Não Pode Ser Verdadeira”, que bem demonstra a insegurança das afirmações doutrinárias das “testemunhas”. Ali fazem pesada carga contra o evolucionismo. Combatem a chamada “selecção natural das espécies”, e dizem que todas as raças provieram de um casal original. E para justificarem a argumentação neste ponto, na página 81, escrevem textualmente: “A Geologia mostra que as formas complexas de vida apareceram subitamente numa grande variedade de famílias, como seria o caso da Criação”. Se confessam que as formas de vida surgiram subitamente na Criação, então como harmonizar esta declaração com a outra declaração de que cada “dia” da Criação teve a duração de 7.000 anos? Isto em bom português chama-se contradição!
9. Outra questão importante. O mandamento do sábado, que subtilmente a ele ser refere como um dia solar de 24 horas, reporta-se à Criação. “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo descansou.” Não tem lógica, seria mesmo absurdo guardar um dia de 24 horas como memorial de seis dias de 7.000 anos. Notemos especialmente que em Lev. 23:32 se diz que o sábado devia ser guardado “duma tarde a outra tarde”. E ali se emprega a mesma palavra hebraica usada em Génesis 1 para “tarde” em cada dia da Criação.
Conclui-se que a teoria sem cabimento da Criação em 42.000 anos é mais uma fantasia entre as tantas outras que constituem a dogmática ou engenharia religiosa desta seita.
“Pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aprecem.” Hebreus 11.3.
Graças a Deus que é assim!

10/09/10

RAZÕES PARA OBSERVAR O SÁBADO

Introdução: Vamos tratar de um assunto relevante, o Sábado. Um estudo cuidadoso a este respeito, tanto do ponto de vista doutrinário como histórico deixará bem claro que o dever do homem de guardar o Sábado permanece enquanto ele existir sobre a terra.
A palavra “Sábado” vem do hebraico “shabath”, significa: desistir, cessar, acabar, pausa, interromper, donde vem a idéia de descanso. Logo depois que se completou a grande obra da criação, foi instituído o Sábado (Gn. 2:1-3), e, por causa da sua origem divina, é dia que se deve santificar perpetuamente.

I- A INSTITUIÇÃO DO SÁBADO – GÊNESIS 2:1-3
O Sábado foi instituído no fim da Criação. No fim da semana da Criação, quando os três reinos (mineral, vegetal e animal), tinham saído com absoluta perfeição da mão do Criador, Deus estabeleceu o Sábado. A observância do Sábado não era desconhecida antes da entrega da lei no Sinai, como supõem muitos cristãos. Ela não é uma instituição privativa dos judeus. O Sábado é uma instituição que existe desde a Criação.
O Sábado foi abençoado e santificado por Deus. Após haver concluído todo o trabalho da criação, Deus descansou no sétimo dia e lhe conferiu a benção e a santificação, dois atributos que nenhum outro dia da semana possui. O Criador descansou não porque estivesse cansado, mas para dar exemplo ao homem criado (Is. 40:28). Deus o separou dos demais dias para nele o homem também santificar o Seu nome. Santo ou santificado quer dizer: separado para o fim do que é santo.

II- O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO

O Sábado foi observado por Abraão, o pai da fé (Gn. 26:5). Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a experiência de Abraão é apresentada como grande exemplo de justiça pela fé em Cristo (Gl. 3:6-14). Abraão obedeceu, porém, às leis de Deus. A observância do Sábado não era uma experiência legalista para ele. Constituía uma benção, pois era um ato de fé no seu Criador.
O Sábado foi observado antes de ser dada a lei no Monte Sinai (Êx. 16:4,5,16-30). Os israelitas foram lembrados do Sábado antes da entrega dos Dez Mandamentos no Sinai. Eles deviam colher uma porção dobrada de maná no sexto dia, a fim de santificar o Sábado do sétimo dia. O período de escravidão no Egito (400 anos) interrompera a prática de sua observância religiosa. Depois do Êxodo, o Senhor reapresentou o Sábado. Note atentamente as palavras “prova” e “lei” no verso 4. Elas indicam claramente a existência da lei e do Sábado como prova de lealdade antes do Sinai.
A observância do Sábado foi incluída no quarto mandamento da Lei de Deus (Êx. 20:8-11). Quando Deus entregou Sua lei na forma escrita, incluiu o Sábado como o dia de repouso. Entre os dez mandamentos só no quarto pode-se identificar o Criador do Universo. É o centro da Lei e sinal entre Deus e o Seu povo (Êx. 31:12-17; Ez. 20:12,20). Entre os Dez Mandamentos, o 4º é o mais citado pelos escritores sagrados, demonstrando isto que Deus teve o cuidado de sempre lembrar ao homem o seu dever de santificá-lo.

III- CRISTO E O SÁBADO
1 - O Sábado foi observado por Jesus em seu ministério terreno (Lc. 4:14-16,31): A visita de Jesus à sinagoga da cidade em que Ele residiu ocorreu no fim de uma série de pregações e ensinos aos sábados. Em regra, tanto a presença de Jesus como a de Paulo, numa sinagoga, indicam a observância do Sábado. O “costume” (gr. Nomos: observância conforme a lei) de Jesus era freqüentar, regularmente, a sinagoga aos sábados, enfatiza o escritor Lucas.

2 - O Sábado, e todos os demais mandamentos, foram defendidos por Jesus (Mt. 5:17-20): Jesus respondeu as acusações farisaicas de que estava destruindo a lei e os profetas (as duas partes mais importantes do Antigo Testamento), dizendo que não veio para abolir a Lei ou os Profetas. Ele não veio para abolir, mas para cumprir. Cumprir não significa apenas levar a efeito as predições, mas a realização da intenção da Lei e dos profetas. Dessa forma ele reafirma que num só “i” (iota: letra menor do alfabeto grego) nem um só “til” (um pequeno acento que formava parte de uma letra hebraica) passariam, mas que a lei toda iria ser cumprida.

3 - Jesus reafirmou a verdadeira instituição do Sábado (Mc. 2:23-28): Os rabis haviam publicado, no Talmude, uma lista de 39 grandes trabalhos proibidos no Sábado. Cada um desses trabalhos se dividia em outros menores, que também eram proibidos. Colher, debulhar e joeirar faziam parte dessa lista. Foi por isso que os fariseus acusaram a Jesus de não reprimir Seus discípulos. Então Jesus disse: “O Sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado.” O Sábado foi estabelecido para ser uma bênção, benefício, não um fardo. Por esta razão, Jesus, que instituiu o Sábado, não o cobriu de muitas ordens negativas e positivas. Ele expôs um princípio que todo indivíduo deve interpretar por si mesmo. O preceito positivo de Cristo para a observância do sábado é o seguinte: “é lícito fazer bem aos sábados” (Mt. 12:12). A ocasião em que Ele proferiu estas palavras foi durante a cura, no Sábado, do homem da mão ressequida.

IV- OS APÓSTOLOS E O SÁBADO
1 - O Sábado foi observado pelos seguidores de Jesus após sua morte (Lc. 23:54-56): “Preparação” é a palavra judaica para Sexta-feira. Nessa época do ano, o Sábado começava, aproximadamente, às 18 horas. As mulheres prepararam as especiarias e ungüentos, substâncias aromáticas usadas para ungir o corpo dos mortos, antes do Sábado, enquanto esperavam uma primeira oportunidade para uma visita ao túmulo. Porém, “no Sábado repousaram conforme o mandamento”. Como Mateus relata que a primeira visita deu-se ao pôr-do-sol no dia de Sábado (Mt. 28:1), entende-se que o verdadeiro Sábado bíblico é o período de vinte e quatro horas do pôr-do-sol da Sexta- feira ao pôr-do-sol do Sábado (Lv. 23:32; Ne. 13:19; Mc. 1:21).

2 - O Sábado foi observado pelos Apóstolos em Antioquia (Atos 13:14,15; 42-44): Essas reuniões de Sábado ocorreram durante um período de dez anos (cerca de 45 a 55 d.C.). Por que Lucas relatou todas essas reuniões que os apóstolos realizaram no Sábado, sem dizer uma só palavra sobre alguma mudança com relação ao Sábado? Por certo, se houvesse algum conselho inspirado para prestar culto noutro dia, ou para não prestar culto em dia algum, Lucas teria mencionado isso.

3 - O Sábado era observado mesmo onde não havia Igreja (Atos 16:12-15): Em Filipos, Paulo e seus auxiliares guardaram o Sábado “junto do rio”. Eles não foram lá porque o lugar era conveniente para se encontrarem com judeu; e, sim, porque nesse local lhes “pareceu haver um lugar de oração”. O relato demonstra que os apóstolos observaram o Sábado como dia de oração e testemunho.

4 - O Sábado foi também observado em Tessalônica e Corinto (Atos 17:1,2; 18:1,4,11): Alguns cristãos crêem que Paulo ia às sinagogas no dia de Sábado só porque podia encontrar ali uma assistência de judeus dispostos a ouvir o evangelho. Sem dúvida, Paulo usava as sinagogas como centro evangelístico; mas ele guardava o Sábado, quer fosse a sinagoga, quer não.

V- TIRANDO DÚVIDAS SOBRE O SÁBADO
1 - Diferença entre o Sábado moral e os Sábados cerimoniais (Ez. 20:12,20; Os. 2:11): As Escrituras Sagradas fazem referência clara a dois sábados. A saber: o Sábado moral e o Sábado cerimonial. Um é o Sábado do sétimo dia da semana. O outro ocorria em datas fixas do ano, como se fosse um feriado nacional, visto que em hebraico não existe um termo para a expressão “feriado”, pois a própria palavra “shabath” significa cessar, pausa (veja Êx. 5:4,5, onde se usa a mesma palavra no original), denotando, portanto, um descanso religioso (como os que temos no Brasil). Assim é que, em forma ampla, “shabath” assinalava certos dias de festa instituídos por quando se exigia a pausa do trabalho, mas que necessariamente não caíam no dia da semana cognominado Sábado (Lv. 16:29-31). Esses Sábados cerimoniais eram em número de sete. Eles tinham uma finalidade: “Eram sombras das coisas futuras” (Hb. 10:1).

Esses festivais sabáticos eram os seguintes:
Páscoa – 15º dia do primeiro mês;
Festa dos Pães Asmos – 21º dia do primeiro mês;
Festa das Primícias (Pentecostes) – 6º dia do terceiro mês;
Memória da Jubilação (Festa das Trombetas) – 1º dia do sétimo mês;
Dia da Expiação – 10º dia do sétimo mês;
1º Dia da Festa dos Tabernáculos – 15º dia do sétimo mês;
Último Dia da Festa dos Tabernáculos – 22º dia do sétimo mês.
2 - O Sábado que foi abolido por Deus (Cl. 2:14-17): Como já dissemos anteriormente, todos aqueles sábados cerimoniais apontavam para um futuro, ou seja para Cristo, sendo dessa forma cravados na cruz do calvário, uma vez que já tinham cumprido o seu propósito profético.

3 - A instituição do Domingo como dia de guarda (Dn. 7:25): Na primeira parte do quarto século, Constantino, o imperador romano, se tornou cristão. Ele ainda era pagão quando decretou que os escritórios do governo, cortes e as oficinas dos artesãos deveriam fechar no primeiro dia da semana, "o venerável dia do Sol", como era chamado. E foi naquele mesmo século que o Concílio de Laodicéia (321 d.C.) expressou a preferência pelo domingo. Uma vez que muitos cristãos tinham sido adoradores do Sol antes de sua conversão ao cristianismo (os adoradores do Sol guardavam o primeiro dia da semana há séculos), tornar o domingo um costume cristão seria uma vantagem para a igreja.

Assim, por vários séculos, ambos os dias foram observados lado a lado. De fato, essa prática paralela continuou até o século VI com o verdadeiro sábado sendo observado em muitas áreas do mundo cristão. Mas com o paganismo se infiltrando na igreja, sob a influência tanto da popularidade como da perseguição, o domingo foi enfatizado cada vez mais, e o sábado cada vez menos. Os escritos dos pais da igreja primitiva nos contam a história. Eles traçaram o caminho da apostasia. Eles registraram as práticas da igreja primitiva. Nenhum escritor eclesiástico dos primeiros três séculos atribuiu a origem da observância do domingo a Cristo nem aos apóstolos.

- Augusto Neander, um dos principais historiadores da era cristã, escreveu: “O festival do domingo, como todos os outros festivais, era apenas uma ordenança humana, e estava longe da intenção dos apóstolos estabelecer um mandamento divino a esse respeito. Não era intenção deles nem da igreja apostólica primitiva transferir as leis do sábado para o Domingo”
(A História da Religião e da Igreja Cristã, pág. 186).

Bibliografia
01 - [ ] A Bíblia: Palavra de Deus ou de Homem? São Paulo: STVBT. 1989.
02 - [ ] A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. São Paulo: STVBT. 1968.
03 - A BÍBLIA Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1991.
04 - A BÍBLIA Vida Nova. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1980.
05 - BÍBLIA de Estudo Pentecostal. São Paulo: CPAD, 1995.
06 - BÍBLIA Scofield. 2ª ed. São Paulo: IBR, 1986.
07 - BITTENCOURT, Benedito de Paula. Problemas de Uma Igreja Local. Rio de Janeiro: JUERP. 1986.
08 - BROW, Colim (ed.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1989.
09 - CHAEFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. São Paulo: IBR. 1986.
10 - CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia vl. 5. 3ª ed. São Paulo: Candeia.
11 - _______________. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo vl 1-6. São Paulo: Candeia.
12 - COFFMAN, Carl. Triunfo no Presente e Glória no Futuro. 3º Trim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 1989.
13 - COMENTÁRIO bíblico Broadman. 3ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1987. v. 8 a 12.
14 - COMENTÁRIO bíblico Moody. 4ª Ed. São Paulo: IBR, 1990. v. 4 e 5.
15 - CONRADO, Naor G. Cristo, O Único Caminho. 2º Trim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 1990.
16 - CRABTREE, Asa Routh. Teologia do Velho Testamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991.
17 - DUSILEK, Darci. A nova Vida em Cristo. 24ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1995.
18 - [ ]. É Esta Vida Tudo o Que Há? São Paulo: STVBT. 1975.
19 - ESTUDO Perspicaz das Escrituras. Vl. 1 e 2. São Paulo: STVBT. 1990.
20 - FILHO, Caio Fábio de Araújo. Mensagem ao Homem do Século XX. 3ª ed. Niterói: Vinde. 1991.
21 - FILHO, Carlos Ribeiro Caldas. Os Dez Mandamentos. vl. 34. Manhumirim: Didaquê, 1996.
22 - ___________________. Sofrimento e Esperança. vl. 31. Manhumirim: Didaquê, 1995.
23 - FILHO, Isaltino Gomes C. Gênesis I: capítulos 1-11. 2ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1992
24 - ___________________. Malaquias Nosso Contemporâneo. 2ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1994.
25 - FOSTER, George. O Poder Restaurador do Perdão. Venda Nova: Betânia, 1993.
26 - GARDNER, E. Clinton. Fé Bíblica e Ética Social. 2ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1982.
27 - GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do N.T. Grego/Português. São Paulo: Vida Nova. 1984.
28 - GONZALEZ, Lourenço. Assim Diz o Senhor. 4ª Ed. São Paulo: ADOS, 1990.
29 - HOLANDA, Aurélio Buarque Ferreira de. Médio Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
30 - KIESLER, Herbert. A Carta aos Romanos. 4º Trim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 1990.
31 - KORNFIELD, David. Implantando Grupos Familiares. São Paulo: Sepal,1995.
32 - LIMA, Delcyr de Souza. Êxodo II: capítulos 20-40. Rio de Janeiro: JUERP, 1994.
33 - MCALISTER, Roberto. As Dimensões da Fé Cristã. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Carisma. 1982.
34 - MENDES, Genésio. Doutrinal. 6ª Ed. São Paulo: A Voz do Cenáculo. 1993.
35 - ________________. Lições Bíblicas. 3º Trim. São Paulo: A Voz do Cenáculo. 1991.
36 - MENDES, Genésio. et al. Luz Para o Teu Caminho. 3ª Ed. São Paulo: DECR. 1987.
37 - MENDONÇA, Ezequiel V. de. Evangelho & Doutrina Passo a Passo. Votuporanga: São Bento. 1995.
38 - MILNE, Bruce. Estudando as Doutrinas da Bíblia. 3ª Ed. São Paulo: ABU. 1993.
39 - OLIVEIRA, Valdeci Nunes de. O Ministério da Última Semana. São Paulo: DECR, 1996.
40 - PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. 12ª Ed. São Paulo: Vida. 1987.
41 - RAMOS, Estível et al. Lições Bíblicas. 4º Trim. São Paulo: A Voz do Cenáculo. 1997.
42 - RICE, George E. I Pedro – Viva Esperança. 3º Tim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1992.
43 - RIGGS, Ralph M. O Espírito Santo. 3ª Ed. São Paulo: Vida,1988.
44 - ROPS, Henri Daniel. A Vida Diária nos Tempos de Jesus. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1986.
45 - SANTOS, Enéias Manoel dos. Lições Bíblicas. 4º Trim. São Paulo: A Voz do Cenáculo. 1987.
46 - SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel. São Paulo: Vida Nova, 1986.
47 - SHELDON, Jean. Convite Para o Reino. 1º Trim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 1990.
48 - SIZEMORE, Denver. Doutrina Cristã. Brasília- DF: FTCB. 1991.
49 - SPANGLER, J. Robert. et al. Deus Revela Seu Amor. 4º Trim. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 1988.
50 - SPERANDIO, Ismail. Integração na Vida Cristã. 4ª Ed. São Paulo: SEPAL, 1993.
51 - THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. 3ª Ed. São Paulo: IBR. 1994.
52 - TOGNINI, Enéias. O Período Interbíblico. 5ª Ed. São Paulo: Louvores do Coração. 1980.
53 - VIRKLER, Henry A. Hermenêutica, Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo: Vida. 1987.

09/09/10

“ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO”

Nos manuscritos originais, como no texto de Lucas 23:43: “Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”, não havia pontuação como hoje. Nem tinha o “que”, partícula que complica o entendimento do texto. Os textos eram escritos sem pontuação e geralmente com as palavras todas ligadas, assim (já transliterado): “kaieipenautôamensoilegosemeronmetemoueseentôparadeisô.” Em português: “Edisseaaeleemverdadeatidigohojeestaráscomigonoparaíso”. Separando-se as palavras: “E disse a ele em verdade a ti digo hoje estarás comigo no paraíso”.
O entendimento do texto depende do lugar em que colocarmos a pontuação, especialmente m relação ao advérbio de tempo “hoje”. Vejamos as duas possibilidades de pontuação:
1. “E disse a ele: Em verdade a ti digo, hoje estarás comigo no paraíso.” Por essa maneira de pontuar, colocando-se a vírgula antes de “hoje”, o texto quer dizer que foi prometido ao ladrão arrependido que naquela mesma Sexta-feira ele estaria com Jesus no paraíso. Essa tradução, porém, vai contra os ensinos da própria Bíblia quanto ao momento da recompensa, que, para os justos, será na ocasião da segunda vinda de Cristo (Mt. 25:31-34; 1ª Tes. 4:16) e, para os ímpios, após o Milénio (Ap. 20:5,7-9), e não quando se morre.
2. “E disse a ele: Em verdade a ti digo hoje, estarás comigo no paraíso.” Essa maneira de traduzir, combinando o advérbio de tempo “hoje” com o verbo “digo”, está de acordo com outras expressões bíblicas similares como, por exemplo, “Eu te ordeno hoje (ver Êx. 34:11; Dt. 4:40, etc.). além dessa concordância gramatical, essa maneira de traduzir o texto está de acordo com o ensino bíblico de que a recompensa para os justos será dada na segunda vinda de Cristo, e para os ímpios, após o Milénio, e não por ocasião da morte (como visto no parágrafo anterior). Traduzindo assim o texto, a promessa ao ladrão arrependido teria sido de que ele estaria no paraíso quando Jesus “viesse no Seu reino” (Lucas 23:42) e não ao morrer naquela Sexta-feira da crucificação.
A opção, na primeira maneira de traduzir o texto, apresenta um problema: teria Jesus mentido ao ladrão arrependido, visto que Ele não foi ao paraíso naquela Sexta-feira? No Domingo pela manhã, Jesus disse a Maria Madalena: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai” (João 20:17). Ora, se Jesus, no domingo de madrugada, não tinha ainda ido ap paraíso, como teria estado nesse lugar, na Sexta-feira, com o ladrão arrependido? O Novo Testamento é claro em dizer que Jesus é Deus, e “é impossível que Deus minta” (Heb. 6:18).
A opção, no segundo modo de se traduzir o texto, está de acordo com outras expressões bíblicas, nas quais aparece o advérbio de tempo “hoje” com verbos similares a “digo”, como “ordeno”, “falo”; está de acordo com o ensino bíblico de que a recompensa não é dada quando se morre, mas por ocasião da segunda vinda de Cristo (para os justos) e após o Milénio (para os ímpios); além de estar de acordo com o próprio pedido do ladrão: “Lembra-Te de mim quando entrares no Teu reino” (Lc. 23:42).
Com a promessa feita ao ladrão, Jesus estava a dizer-lhe: “Estou a dizer-te hoje, agora: Morre tranquilo! Descansa confiando no que te estou a dizer hoje: Vais estar comigo no paraíso.”
Essa mesma promessa pertence a todo aquele que enfrenta o “vale da sombra da morte”. Um dia Jesus virá e ressuscitará todo aquele que fez d´Ele o seu Salvador e morreu confiando n´Ele, que é a “ressurreição e a vida” (João 22:25). Não é uma doce e confortadora promessa?

Ozeas C. Moura
Doutorado em Teologia Bíblica

01/09/10

O QUE SE PODE DIZER SOBRE OS ANJOS?

É compreensivel que haja uma escala ascendente da vida, desde o homem subindo para Deus, tanto como há uma escala descendente da vida, do homem para baixo. Uma contemplação da vastidão e da maravilha deste universo pode bem levantar a pergunta: É o homem a única criatura que "tem uma mente apreciar e contemplar este favor de Deus" e para louvá-Lo por isso? Sem a Bíblia seriamos deixados em cega conjetura, mais, nela, temos clara revelação de uma ordem de seres acima do homem, de ordens e graus existentes e ascendentes, chamados anjos.
I. A NATUREZA DOS ANJOS
1. SÃO SERES CRIADOS.
No Salmos 148:1-5 os anjos estão entre as entidades exortadas a louvarem o Senhor na base que "Ele mandou e eles foram criados". Que os anjos foram seres criados está bem provado em Colossenses 1:16, que diz: "Porque n´Ele foram criados todas as coisas, nos céus e sobre a terra, visíveis e invisíveis, quer sejam tronos ou domínios ou principalidades ou potestades".
2. ELES SÃO ESPIRITOS PUROS.
Não queremos dizer aqui que todos os anjos são sem pecado; porque, como veremos mais tarde, alguns são maus. O que queremos dizer é que a natureza dos anjos é espírito não misturado com materialidade. Os anjos não possuem corpos como parte do seu ser, mesmo que ainda assumam corpos para a execução de certos propósitos de Deus, como em Génesis 19. Afirmamos que os anjos são espíritos puros porque, em Hebreus 1:14, são chamados espíritos. O homem não é nunca designado assim. Cristo disse que "um espírito não tem carne e ossos" (Lucas 24:39).
3. ELES CONSTITUEM UMA ORDEM DE CRIATURAS MAIS ELEVADAS QUE O HOMEM.
Do homem se diz que ele foi feito "um pouco menor do que os anjos" (Hebreus 2:7). Dos anjos se diz serem maiores do que o homem em poder (2 Pedro 2:11). O seu poder superior está implicado também em Mateus 26:53; 28:2; 2 Tessalonicenses 1:7. Contudo, os anjos são servos ministrantes dos crentes (Hebreus 1:14) e pelos crentes serão julgados (1 Coríntios 6:3). Este último fato parecia indicar que o homem, ainda que agora inferior em natureza aos anjos será depois, no seu estado glorificado, como um troféu da graça redentora de Deus, exaltado com Cristo bem acima dos anjos (Efésios 1:20,21; Filipenses 2:6-9).
4. ELES NÃO TÊM SEXO.
Mateus 22:30 declara-se que os anjos não casam, o que os prova sem sexo. "Filhos de Deus" em Génesis 6:2 não são anjos, mas descendentes de Sete: os verdadeiros adoradores de Deus, como diferençados dos descendentes de Caim.
5. ELES SÃO IMORTAIS.
Judas 6 declara que os anjos não podem morrer, o que significa que eles não podem cessar de existir.
II. CLASSES DE ANJOS
Os anjos consistem em anjos eleitos e anjos decaídos. As seguintes passagens aludem a estas duas classes e as seguintes:
"Conjuro-te diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo e dos anjos eleitos que, sem prejuízo algum guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade" (1 Timóteo 5:21).
"Deus não poupou os anjos quando eles pecaram, mas os lançou no inferno, entregou-os às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo" (2 Pedro 2:4).
"Mas aos anjos que não guardaram sua principalidade, mas deixaram sua própria habitação, reservou debaixo da escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia" (Judas 6).
Os anjos eleitos são aqueles a quem Deus escolheu para conservar em santidade. Os outros, permitiu que caíssem, e para eles não se proveu nenhuma redenção. Não será difícil de compreender que Deus terá usado de toda a misericórdia e tempo para que estes reconsiderassem e, se arrependessem de tão grande mal.
III. ORGANIZAÇÃO, ORDENS E GRAUS ENTRE OS ANJOS
Em Judas 9 temos Miguel mencionado como um arcanjo. Vide Também 1 Tessalonicenses 4:16. "Arcanjo" significa o chefe dos anjos. Gabriel também parece ocupar um lugar relativamente alto entre os anjos. Vide Daniel 8:16; 9:16,21; Lucas 1:19.
A menção de tronos, domínios, principalidades e potestades entre as coisas invisíveis, em Colossenses 1:16, implica graus e organização entre os anjos. E em Efésios 1:21 e 3:10 temos a menção de regime, autoridade, potestade e domínio nos lugares celestiais. Das ordens nomeadas em Colossenses 1:16, E. C. Dargan, no seu comentário, representa "tronos" como "sendo o mais elevado, próximo a Deus e assim chamados, tanto por estarem perto de Deus e sustentarem o trono de Deus como por sentarem eles mesmos sobre tronos aproximando-se mais perto de Deus em glória e dignidade; depois "domínios", ou senhorios, aqueles que exercem poder ou senhorio sobre os inferiores ou homens; depois "principalidades", ou "principados", os de dignidade principesca; finalmente, "potestades", ou autoridades, aqueles que exercem poder ou autoridade sobre a ordem angélica mais baixa, logo acima do homem".
Consideramos mais satisfatório observar os "querubins" de Génesis, Êxodo e Ezequiel, com os quais identificaríamos também os "serafins" de Isaias e as criaturas viventes do Apocalipse, não como seres atuais senão como aparências simbólicas, ilustrando verdades da atividade e do governo divino. As criaturas viventes do Apocalipse parece simbolizarem o louvor da criação inferior de Deus por causa deles serem "livrados do cativeiro da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Romanos 8:21). Os vinte e quatro anciãos associados às criaturas viventes parecem representar a humanidade redimida. E bom é notar que as criaturas viventes não se incluem entre aqueles redimidos para Deus. Essas, como representativas da criação inferior dando louvor a Deus, cumprem o Salmos 145:10, que diz: "Todas as Tuas obras Te louvarão, ó Senhor".
IV. OS ANJOS NÃO SÃO PARA SEREM LOUVADOS
"E quando ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrava estas coisas, para o adorar: e ele disse-me: "Olha não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos os profetas e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus" (Apoc. 22:8,9).
Isto está também condenado em Colossenses 2:18.
V. O EMPREGO DOS ANJOS
1. DE ANJOS SANTOS.
(1) Eles louvam ao Senhor e cumprem os Seus mandamentos.
Salmos 103:20; 148:2.
(2) Eles regozijam-se com a salvação dos homens.
Lucas 15:7,10
(3) Eles ministram aos herdeiros da salvação.
Hebreus 1:14; 1 Reis 19:5-8; Daniel 6:22; Salmos 34:7; 91:11,12; Atos 12:8-11.
(4) Eles são mensageiros de Deus aos homens.
Génesis 19:1-13; Números 23:25; Mateus 1:20; 2:13,19,20; Lucas 1:11-13-19; Atos 8:26; 10:3-6; 27:23,24.
(5) Eles executam o propósito de Deus.
2 Samuel 24:16; 2 Reis 19:25; 2 Crónicas 32:21; Salmos 35:5,6; Mateus 13:41,42; 13:49,50; 24:31; Atos 12:23; Apocalipse 7:1,2; 9:15; 15:1.
(6) Eles deram a Lei.
Atos 7:53; Gálatas 3:19; Hebreus 2:2.
(7) Eles ministraram a Cristo.
Mateus 4:11; Lucas 22:43.
(8) Eles acompanharão Cristo na Sua segunda vinda.
Mateus 25:31,32; 2 Tessalonicenses 1:7,8.
(9) Eles estão presentes nos cultos da igreja.
1 Coríntios 11:10.
(10) Eles têm grande interesse na verdade divina e aprendem por meio da igreja.
1 Pedro 1:12; Efésios 3:10.
Não há nada supra para mostrar que há uma intervenção constante de anjos entre Deus e o homem. Eles não foram constituídos mediadores entre Deus e o homem. A sua intervenção é ocasional e excepcional; a sua atividade está sujeita à ordem e permissão de Deus.
Mas é evidente que o crente comum não tem ligado importância suficiente ao ministério dos anjos. Todavia, a noção de um anjo da guarda especial para cada individuo não encontra fundamento na Escritura. Diz J. P. Boyce:
"Guiados por fábulas rabínicas e guiados pelas ideias peculiares da filosofia oriental, alguns têm concebido que sobre cada pessoa nesta vida um anjo vigia para guardá-la e protegê-la do mal. Esta teoria de anjo da guarda tem sido sustentada de várias formas. Uns confinaram sua presença aos bons; outros a estenderam também aos ímpios; alguns supuseram dois em vez de um anjo, – um bom e outro mau. Do mesmo modo a teoria tem sido sustentada de anjos da guarda sobre nações; uns limitando-a a boas nações, outros estendendo-a a todas. Que tais ideias existiam entre os judeus e que prevaleceram também entre os cristãos primitivos, pode admitir-se; mas autoridade escriturística para elas falta" (Abstract of Systematic Theology, pág. 179).
Há, realmente, apenas duas passagens que sugerem mesmo esta doutrina de um anjo da guarda para cada individuo, que são Mateus 18:10 e Atos 12:15. Sobre Mateus 18:10 diz John A. Broadus: "Não há garantia suficiente aqui para a noção popular de "anjos da guarda", um anjo especialmente designado para cada individuo; diz-se simplesmente, de crentes como uma classe, que há anjos que são seus anjos, mas nada há aqui ou noutro lugar que mostre ter um anjo o cargo especial de um crente". (Commentary on Mathew).
Em Atos 12:15 diz H. B. Hackett: "Foi crença comum entre os judeus, diz Lightfoot, que cada individuo tem um anjo da guarda e que este anjo pode assumir uma aparência visível semelhante à da pessoa cujo destino lhe é cometido. Esta idéia aparece aqui, não como uma doutrina das Escrituras senão como uma opinião popular que não é afirmada nem negada" (Comentary on Acts). Sobre esta passagem Broadus também diz: "Os discípulos que estavam orando por Pedro durante sua prisão, quando a menina insistiu em que Pedro estava à porta, saltaram logo a conclusão que Pedro fora executado e o que se dizia ser ele era "seu anjo" (Atos 12:15), segundo a noção que o anjo da guarda de um homem estava apto a aparecer com a sua forma e sua voz aos amigos logo após sua morte; mas as ideias desses discípulos estavam erróneas em muitos pontos e não são autoridade para nós a menos que inspirada".
Encerramos o assunto com mais este comento de Broadus: "Não pode ser positivamente assegurado que a ideia de anjos da guarda seja um erro, mas não há passagem que prove ser verdadeira e as passagens que podiam meramente ser entendidas dessa maneira não bastam como base de uma doutrina".
2. DOS ANJOS MAUS.
A obra dos anjos maus será considerada mais extensivamente no próximo capítulo, o qual trata de Satanás, seu regente e guia. Basta dizer aqui que os espíritos ou anjos maus combatem contra Deus e Seus santos. Vê-se isto em Efésios 6:12 e na possessão demoníaca nos primeiros tempos do Novo Testamento.
Quanto à possessão demoníaca, precisa de ser dito que o que se regista é claríssimo e decisivo para admitir-se uma simples acomodação da parte de Cristo e dos apóstolos às noções populares mas erróneas dos judeus. É muito provável, contudo, que a possessão demoníaca foi mais comum no tempo do ministério terreno de Cristo do que agora. Isso podemos ver segundo o arquivo, que era mais prevalecente no princípio do que nos últimos tempos do Novo Testamento, ainda que não fosse inteiramente ausente nos últimos tempos do Novo Testamento (Atos 16:16-18); e provavelmente não é ausente hoje. Alguns médicos hoje crêem que algumas experiências e acções dos loucos são melhor explicadas pela suposição de a mente do paciente estar sob o controle de um poder estranho. J. P. Boyce dá uma boa razão da maior prevalência de possessão demoníaca nos tempos do ministério terreno de Cristo: "A grande batalha estava para se ferir entre Cristo e Satanás e liberdade incomum foi sem dúvida concedida ao Diabo e seus ajudantes".

02/08/10

SEPULTAMENTO OU CREMAÇÃO?

Por George W Reid
Um dos membros mais velhos de nossa família nos disse que, quando morrer, gostaria de ser cremado em vez de sepultado. O pedido gerou uma grande discussão entre nós. Todos somos cristãos. Tem a Bíblia alguma orientação sobre esse assunto tão delicado?
Os adventistas do sétimo dia nunca tomaram uma posição sobre cremação, porque nossa compreensão bíblica acerca da morte e ressurreição faz com que o assunto perca sua importância (veja Jó 19:27; Daniel 12:2; Lucas 24:39). Contrários à idéia de uma dicotomia entre corpo e alma, afirmamos que o ser humano tem uma existência física tanto antes da morte como na ressurreição. O Deus que nos criou no princípio é igualmente capaz de nos recriar das cinzas da incineração, ou do pó que resulta do lento processo da decomposição. Todas substâncias orgânicas retornam a seus elementos básicos. A única diferença é sobre quanto tempo isso leva.
Na verdade, não defendemos a idéia de que na ressurreição o novo ser será composto das mesmas células e átomos que antes lhe formavam o corpo. As células morrem e os átomos se dispersam, e a restauração de uma pessoa não consiste apenas na reunião e reestruturação dos átomos, mas na expressão do poder criativo de Deus, não importando quais átomos estejam envolvidos (Salmo 104:29-30). Sabemos que cada ser vivo é um conduto por onde novos átomos entram enquanto que os velhos se dispersam, de modo que, numa escala maior, em 10 anos cada pessoa será composta por átomos inteiramente diferentes.
A pessoa que morre permanece na mente de Deus e, por meio de Seu poder criador, Ele haverá de restaurar-lhe a vida segundo Sua vontade, num novo corpo isento dos efeitos os pecado (I Coríntios 15:52). Na ressurreição, o Criador não depende de elementos previamente existentes.
Alguns dentre nós têm usado Amos 2:1 para se opor à prática da cremação. O profeta afirma que Deus Se irou contra Moabe “porque queimou os ossos do rei de Edom, até os reduzir a cal” (ARA). O principal problema de interpretação nesse texto é a frase “até os reduzir a cal”, que reflete com precisão o texto hebraico. O substantivo sid não significa “cinzas” mas “cal”. A cal era usada para rebocar paredes e pedras. Alguns têm sugerido que, nesse caso em particular, os ossos foram queimados ou calcinados para se obter cal. Seja como for, não há dúvida de que Moabe está sendo reprovado por causa de seu desprezo para com restos mortais humanos. Portanto, o profeta está se referindo a um ato de ódio e vingança que resultou no desrespeito para com a dignidade humana. Isso não é o que chamaríamos de cremação.
Cremação, propriamente falando, poderia ser um ato de piedade. Em I Samuel 31:11-13 lemos como os israelitas tomaram o corpo de Saul e seus filhos “do muro de Bete-Seã e os levaram para Jabes, onde os queimaram” (NVI). Esse não foi um ato de vingança, mas uma maneira adequada de pôr fim à humilhação de um corpo humano, nesse caso, o do primeiro rei de Israel.
Para alguns cristãos, a questão do sepultamento em lugar da cremação é muito importante. Eles notam que a cremação é adotada em países como Índia e China, cuja cultura predominante não é cristã. Na verdade, esses países superpopulosos já enfrentaram há muito tempo o dilema de poucas terras férteis e a necessidade de cemitérios, introduzindo em sua religião a noção da cremação, compreendida em termos de uma espécie de purificação pelo poder do fogo. Do ponto de vista científico, esse método oferece vantagens relacionadas com a prevenção de infecções. É fato que na tradição judaica os mortos eram consistentemente sepultados, costume esse que foi incluído nos cânones católicos e assim perpetuados na comunidade cristã. Mas, quando analisado à luz de nossa compreensão acerca de como Deus age, a cremação não representaria nenhum problema.
Hoje em dia, cerca de 50% das pessoas que morrem nos Estados Unidos são cremadas, principalmente por causa dos altos custos envolvidos num sepultamento. A cremação, em geral, não custa mais de 10% do valor de um sepultamento. Em relação a esse assunto, os adventistas permitem que seus membros sigam a consciência, e pelas razões acima citadas será difícil adotarmos uma posição oficial a respeito.
George W Reid (Th D. pelo South-western Baptist Theological Seminary) atuou por 20 anos como diretor do Biblical Research Institute da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.

14/07/10

COMO OBTER PAZ E ALEGRIA?

Int. Actos 16:30

* Esta é sem duvida a pergunta mais importante que um ser humano pode fazer: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar ?”

* A verdade porém, de uma ou outra forma, todas as pessoas, são levadas a esta grande questão:
- Porque não tenho paz ?
- Que vazio é este que tenho no peito ?
- Porque razão me falta sempre qualquer coisa para ser plenamente feliz ?

* De facto o carcereiro fez a pergunta que todo o ser humano mais cedo ou mais tarde se colocará.

* E isto porque todos nós, no mais profundo do nosso coração desejamos estar bem com Deus, fazer amizade com O Criador do Céu e da Terra.

* Que devo fazer para me salvar ?

1. Raptada e o preço do resgate.

* A nossa situação é em tudo semelhante à daquela jovem de 20 anos, herdeira de um multimilionario da Flórida. Esta jovem foi vitima de um crime horrendo.

* Na noite 17 de Dezembro de 1968, Barbara Mackle passava a noite num hotel com a sua mãe.
* Às 4,11’ da manhã, ouviu vozes à porta, de repente alguém bate à porta dizendo-se policia. Anunciava que o namorado de Barbara tinha tido um grave acidente.

* Ela teve um pressentimento que o que aquele homem dizia não correspondia à verdade. Porém não foi suficientemente rapida para impedir a sua mãe de abrir a porta.

* Um homem de grande porte fisico entrou acompanhado de um outro invidividuo vestido de rapariga. Ele tinha uma arma. Taparam o nariz da mãe com um lenço embebido em cloroformio, portanto um liquido anestésico, esta adormeceu imediatamente.

* A jovem levada a alta velocidade num automovel. Foi enterrada viva numa caixa forrada a contra-placado. Dentro encontrava-se um ventilador que ligado a uma bateria fazia circular o ar. Depois de lhe deixarem comida e agua, e algumas instruções para sobrviver, os raptores fecharam a caixa e enterraram-na a cerca de dois metros de profundidade, tapada com terra ficou completamente sepultada.

* Barbara contou mais tarde o que tinha passado, dizia no entanto que era indescritivel o que tinha sofrido a nivel emocional.

* Conta que quando começou a ouvir as pazadas de terra a cairem em cima da caixa, disse: “Eu gritava e continuei a gritar, depois parei e comecei a ver se ouvia alguma coisa, era um silencio completo, pensei então, que eles tinha desistido, pouco a pouco comecei a empurrar a tampa e foi então que verifiquei que estava estava realmente enterrada e abandonada. Estava histérica e gritava, depois fiquei em silencio esperando uma resposta. Mas nada, só o silencio.

* Durante este tempo o pai da Barbara, um milionario, soube o que se tinha passado com a sua filha, ela tinha sido raptada, estava prisioneira, sã e salva, mas enterrada viva dentro de uma caixa, pouco maior que um caixão, só seria solta em troca de um milhão de dolares.

* Foram-lhe dados pormenores como ele devia proceder para pagar o resgate. Se ele falhasse estava em causa a vida da vida da sua própria filha.

* Barbara esteve três dias e meio enterrrada. Cada dia ela sentia-se mais débil. A luz da bateria começou a perder intensidade bem como o ventilador. A um certo momento a luz foi cortada e ela conta que a escuridão ela total. Trevas, as mãos encostadas aos olhos e não as via.

** Há cerca de 6.000 anos um impostor bateu à porta deste mundo e foi recebido pelos nossos primeiros pais, Adão e Eva deram-lhe autorização para entrar.

* Foi admitido graças a um argumento mentiroso, falacioso. Ele disse que vinha trazer ajuda. Afirmou que o seu plano abriria os olhos, os tornaria mais inteligentes.

* Sem duvida que o fruto proibido era agradavel à vista e certamente fazia subir a agua à boca.

* Mas a beleza do pecado era exclusivamente exterior. Essa beleza dissimulava um veneno mortal.

* O plano de Satanás teve êxito. As suas propostas foram aceites. O homem abriu a porta completamente e o raptor entrou pela porta, não pela porta principal, que é a do coração. Mas pela porta das traseiras que é a porta dos desejos, da cobiça.

* Por isso diz o apostolo Paulo: Rom. 5:12.

* O pecado separa o home e a mulher de Deus e do lar que tão amorosamente se lhes tinha oferecido, o Éden.

* Tornaram-se escravos de Satanás.

* Paulo explicou essa experiencia ao seu filho espiritual Timoteo da seguinte maneira: 2ºTim. 2:26.

* O homem tinha colocado todas as suas expectativas no Diabo. Esperava muito, mas não recebeu nada. Foi Isaias que o disse: Is. 52:3.

* O homem esperou receber muito e não recebeu nada ! Quando pensamos vender qualquer coisa, esperamos receber o equivalente ou até mais do valor da coisa vendida.

* No tempo de Isaias e ainda hoje, há quem penhore certos valores, até que a vida se recomponha e poder recuperar a coisa penhorada. Mas Deus diz: “Por nada fostes vendidos, e sem dinheiro (prata) sereis resgatados”.

* Isaias diz que não somente o homem não recebeu nada em troca de se ter vendido ao Diabo, mas não têm nem nunca poderá obter os meios de se libertaar.

* Barbara, enterrada viva num tumulo secreto, não podia fazer nada para obter o resgate exigido pelos seus raptores, ela não podia pagar a sua vida a sua liberdade.

* Toda a humanidade se encontra na mesma condição.

* Leiam-me comigo o que diz o Salmista 49:8.
* O que diz São Paulo, Rom. 3:23; 6:23.

* A vida do homem foi colocada em penhora por causa da cobiça, do pecado e não pode ser resgatada, o ser humano não pode reaver o que é seu por meios próprios.

* Porque a vida só pode ser resgatada com o mesmo valor: VIDA.

* Dado que todos penhoraram a vida. Não há vida, não há preço para a vida.

2. Alguém pode pagar o resgate.

* Mas a Biblia proclama a Boa Nova. Alguém pôde pagar o resgate ! O Unico que o podia fazer, fê-lo cheio de amor, mas pagando um preço infino: Jesus Cristo, O UNICO.

* Certamente as palavras mais sublimes que descrevem este resgate, foram ditas por Isaías, o profeta: Is. 44:21,22.

* Um grito de alegria se ouve: Jesus salva, e “Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Act. 4:12

* Muitas pessoas não compreendem, muitos não entendem porque razão só Jesus pôde resgatar:

- Porque não um ser de um outro mundo que não tenha pecado ?
- Ou um santo anjo ?
- Ou mesmo o Espirito Santo ?

* Porque razão Jesus é o Unico que pôde pagar o preço e ser realmente o Salvador da Familia humana ?

* A resposta está num texto já lido: Isaías 44:21,22 “Eu te formei...eu te remi”.

* Estas duas declarações vão a par, são inseparáveis. Elas explicam porque Cristo, e somente Ele, pode salvar.

* Jesus é o Unico Salvador porque Ele é o Unico Criador.

* Não nos podemos salvar porque não nos fizemos a nós próprios, e pela mesma razão nenhum homem ou mulher pode salvar o seu irmão.

* O Criador assume a responsabilidade das faltas das criaturas que Ele formou. Por direito ela deviam ser imputadas exclusivamente ao homem: Galatas 6:7.

* Esta é a justiça, e se Deus a exercesse sem misericoridia, não tinhamos porque nos lamentar, ou a quem criticar senão a nós próprios.

* A minha mãe tinha o habito de citar um velho provérbio: “ Assim como fizeres a cama, assim nela te deitarás.”

* Mas Deus é amor, e o amor vai para além das exigencias e da justiça: citar João 3:16.

* Realmente queridos irmãos quando pensamos na maneira como o homem tem tratado Deus e os seus próprios semelhantes, como se tem destruido a si mesmo, vemos claramente que não foi a justiça, mas o amor, e o amor unicamente que fêz com que o Filho de Deus, deixasse o trono da Glória para vir a este vale de dôr, de lagrimas, de tragédia e de morte, para salvar o homem caído.

* Por isso gosto muito de ler São João 1:10,14.

* No horizonte da humanidade só duas possibilidades se apresentavam: 1) Cristo podia deixar morrer o homem nos seus pecados, 2) ou então descer sobre a terra como um de entre nós, viver sem pecado, e morrer pelas suas transgressões. Ele decidiu pela segunda alternativa.

“Ele foi tratado como nós o mereciamos afim que nós sejamos tratados como Ele o merece. Ele foi condenado pelos nossos pecados, dos quais não participou, afim que sejamos justificados pela Sua justiça, à qual não tinhamos nenhum direito. Ele sofreu a nossa morte, para que nós possamos receber a vida que está nEle.”
Testemunhos para a Igreja vol. 1, p. 265 (frances).

3. Um resgate ilimitado.

* Voltemos à historia da Barbara Mackle. Um telefonema de um dos raptores informou o pai que uma mensagem datilografada tinha sido escondida na sua propriedade, essa mensagem dava todas as indicações em relação ao dinheiro e como se procederia à libertação da jovem. Eis o que dizia a mensagem:
“ Estimado senhor, temos a vossa filha em nosso poder, ela será liberta em troca de um resgtate de um milhão de dolares. Ela está sã e salva, ainda que se encontre numa posição extremamente penosa...numa caixa enterrada no meio de um terreno deserto e impossivel de encontrar. Ela tem alimentos e agua para 7 dias, depois desta data a energia que lhe fornece ar e luz será curtada...depois mencionavam os valores das notas e a data...etc.
Depois de ter tudo pronto, deve anunciar em varios jornais a seguinte mensagem: querida, rogo-te que voltes para casa...etc.

Entretanto a policia soube do que se estava a passar, e na altura em que o pai depositava o dinheiro no lugar combinado a policai apareceu. Mas a unica coisa que conseguiu foi interceptar o dinheiro.

Eles telefonaram para um pastor de uma igreja evangelica...e finalemente as coisas foram feitas como eles exigiam e ela foi liberta. Que alegria !

* A palavra resgate aparece varias vezes no Novo Testamento: Mat. 20:28; Marc.10:45; 1ºTim.2:6.

* O resgate da menina foi em troca de dinheiro. O resgate do ser humano, foi muito mais elevado: 1Ped. 1:18,19. “Sabendo que não foi com coisas corruptiveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, a qual por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o preciosos sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha.”

* O sangue de Cristo, tão precioso em consequencia da Sua vida sem pecado, é o resgate suficiente para todos, suficiente para todas as épocas do passado, do presente e do futuro.

* Quando Paulo e Silas na prisão oravam e cantavam hinos a Deus, “ e os outros presos os escutavam.”

* Quando veio um terremoto tão grande que os alicerces do carcere se moveram.

* Quando o carcereiro viu as portas das prisões se abriam e os grilhões de todoscaiam.

* Temendo que os prisioneiros fugissem, temendo pela sua vida. Tirou a espada e quis matar-se.

* Ele que estava numa posição de força estava agora numa posição de fraqueza.

* Deus amava Paulo e Silas, mas tinha um grande amor por aquele carcereiro. Deus ama aqueles que se consideram seguros.

* Deus ama aqueles que tem tudo para se sentirem seguros.

* Mas Deus na Sua misericordia, permite que estes homens caiam na fraqueza real que é a fraqueza humana, para poder dizer: “ Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo.” Act. 16:31.

* O carcereiro teve fé. Quer dizer aceitou o sacrificio de Jesus. Teve consciencia que não há segurança sem Jesus.

Experiencia: Um grande evangelista ilustrava o que é a fé, contando a sua própria experiencia. Ele quando menino gostava de seguir o seu pai por toda a parte, uma vez era noite e não havia luz, o pai desceu os degraus que levavam à cave.
- Pai acende a luz para eu descer.
- Nâo filho, salta na direcção da minha voz e eu seguro-te.
O menino não distinguia nada no escuro, tinha medo.
- Não te preocupes, salta, eu estou aqui e seguro-te, não precisas de me ver. Basta que saltes e eu seguro-te. Eu vejo-te.
Então o menino, perguntou:
- Paizinho, estás pronto ?
¬¬- Claro que sim. Salta !
O menino fechou os olhos e saltou. O pai segurou-o fortemente.

* Se o menino tivesse ficado no alto da escada, a raciocinar será que o meu pai está lá ? Será que ele cuidará de mim ? Será que ele terá suficiente força ?

* Ainda hoje lá estaria. Mas nunca teria aprendido o que significa confiança, nunca teria tido uma relação de amor profundo como teve ao confiar plenamente no seu pai.

* A salvação é uma operação de resgate. Todos conhecemos ou temos ouvido falar em operações de resgate.

*Experiência pessoal: Não há muito tempo aventurei-me a nadar sem olhar a distância, dava braçadas vigorosas a maré estava a descer e rápidamente distanciei-me da praia umas centenas de metros. Quando tentei regressar percebi que não tinha forças, comecei a boiar de costas para recuperar energia suficiente para combater o ímpeto do mar que me levava para mais longe. Todos os meus esforços resultavam em perda de força e distanciar-me da praia cada vez mais. Eu sentia orgulho, a minha família estava na praia eu nadava bem e não queria cair na humilhação de pedir socorro. Assim, continuei a lutar até que sem forças mal me sustinha à superfície. Decidi que não era momento apropriado para manter aquela atitude e comecei a fazer gestos desesperados. Em poucos minutos 4 nadadores-salvadores rodearam-me e trouxeram-me para terra firme. Estava finalmente resgatado, não salvo, mas na condição para ser salvo. Foi necessário algumas manobras para que a água que eu tinha engolido saísse, outras manobras de reanimação, massagens cardíacas. Finalmente, estava salvo.

* O que é resgatado é-lhe exigido fé. É o que salva que dirige os movimentos.

* Confia porque se meteu em apuros que não pode sair sem ajuda, a confiança é atitude correcta de quem se arrepende e não há salvação sem genuino arrependimento.

* Arrependimento é um sentimento de mágoa por se ter ofendido Deus.

* Arrependimento é o reconhecimento de ter transgrdido a Santa Lei de Deus, tal como foi escrita pelo Seu próprio Dedo.

* Arrependimento é a consciencia de se ter valorizado o ego, os seus desejos em detrimento da vontade soberana de Deus.

* Arrependimento é um desejo profundo de querer que Deus reine no céu e na terra.

* Arrependimento é viver com Jesus e para Jesus. Galatas 2:20.

Conclusão: O que significa que o arrependimento dá-nos uma esperança segura na salvação.

* No presente partilhamos do ambiente poluido contaminado por um Inimigo em revolta contra Deus.

* Mas nesta esperança vivemos a certeza que em breve e finalmente seremos libertados !

* Barbara Mackle pode dar-nos uma ideia, imaginemos o seu sentimento quando foi liberta e pode abraçar a sua mãe e o seu pai ?

* Ela tinha estado na sepultura, ela experimentou a morte psiquica e emocional.

* Que sentiremos quando enfim formos libertados desta prisão escura que é o pecado ?

* Quando o resgate foi pago. O FBI, recebeu um telefonena anonimo, a dizer onde se encontrava a jovem.

* De repente Barbara começou a ouvir barulho sobre a caixa prisão. Ela disse: “ Retive a respiração... era verdade, alguém estava ali para me salvar”

* A Policia telefonou para os pais, dizendo que a filha tinha estado prisioneira a mil Kms de distancia, mas agora estava salva.

* A unica coisa que os pais puderam dizer foi: “Deus vos abençoe, Deus vos abençoe !”
* Como será o dia da vitória final, Jesus em Glória, que se aproxima para nos libertar. Quais seão os nossos sentimentos, quando ouvirmos a trombeta de Deus e a voz de Jesus a chamar os mortos ?

* Que glória será ver o Sol da Justiça ?

* Ver Aquele Ser tão amado que veio a este mundo para nos resgatar ?

* Todos gritaremos: Isaias 25:9