04/02/10

TEM O SER HUMANO RESPONSABILIDADES PERANTE DEUS?

Se o homem tem "naturalmente" uma alma imortal, ele é forçado a ter um destino eterno em algum lugar - seja em um lugar de recompensa ou castigo. Isto indica que todos são responsáveis perante Deus. Em contraste a isto, nós mostramos como a Bíblia ensina que, por natureza, o homem é como os animais, sem qualquer imortalidade inerente. Contudo, para alguns homens é oferecida a perspectiva da vida eterna no Reino de Deus. Deveria ser evidente que nem todos que já viveram irão ressuscitar; como os animais, o homem vive e morre, para se decompor no pó. Entretanto, como vai haver um julgamento, com alguns sendo condenados e outros recompensados com a vida eterna, nós temos que concluir que haverá uma certa categoria entre a humanidade, quanto aos que ressuscitarão para serem julgados e recompensados.
Se alguém será ressuscitado ou não depende de ser considerado responsável no julgamento. A base do nosso julgamento será como respondemos ao conhecimento da palavra de Deus. Cristo explicou: "Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue: a própria palavra que tenho proferido, essa há de julgá-lo no último dia" (João 12:48). Aqueles que não conheceram ou entenderam a palavra de Cristo, e por isso não têm oportunidade de aceitá-lo ou rejeitá-lo, não serão responsáveis no julgamento. "Todos os que sem lei (sem conhecer a lei de Deus) pecaram, sem lei também perecerão, e todos os que sob a lei pecaram (i.e. conhecendo-a), pela lei serão julgados" (Rm. 2:12). Assim, aqueles que não conhecerem os requisitos de Deus vão perecer como os animais; enquanto que aqueles que conhecendo, quebraram a lei de Deus, precisam ser julgados, e por isso ressuscitados para enfrentar o julgamento.
À vista de Deus "o pecado não é imputado não havendo lei"; "pecado é a transgressão da lei (de Deus)"; "pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm. 5:13; 1 João 3:4; Rm. 3:20). Sem conhecer as leis de Deus como revelada na Sua Palavra, "o pecado não é imputado" a uma pessoa, e por isso ela não será julgada ou ressuscitada. Aqueles que não conhecem a Palavra de Deus irão, assim, permanecer mortos, como irão os animais e as plantas, visto que eles estão na mesma posição. "Homem...sem entendimento, é semelhante aos animais que perecem" (Sl. 49:20). "Como ovelhas são destinados à sepultura" (Sl. 49:14).
Ter o conhecimento dos caminhos de Deus nos faz responsáveis perante Ele, com relação às nossas ações, e para isto precisamos ser ressuscitados e comparecer perante o trono do juízo. Deste modo deve-se entender que não é somente o justo ou aqueles batizados que vão ressurgir, mas todos que são responsáveis perante Deus, devido ao seu conhecimento dEle. Este tema é freqüentemente repetido nas Escrituras:-
- João 15:22 mostra que o conhecimento da Palavra traz responsabilidade: "Se eu (Jesus) não tivesse vindo e falado a eles, eles não teriam pecado: mas agora eles não têm desculpa ("cobertura") do seu pecado". Romanos 1:20-21 igualmente diz que o conhecimento de Deus deixa o homem "inescusável".
- "Todo aquele que ouve o Pai, e aprende dele...eu (Cristo) o ressuscitarei no último dia" (João 6:44,45).
- Deus somente "faz vista grossa" das ações daqueles que são genuinamente ignorantes dos seus caminhos. Ele observa e espera uma resposta daqueles que conhecem os Seus caminhos, (Atos 17:30).
- "O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que não a soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado (por exemplo, permanecendo morto). A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito se lhe pedirá" (Lucas 12:47,48) - e quanto mais Deus?
- "Aquele, pois, que sabe o bem que deve fazer e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17).
- A responsabilidade especial de Israel perante Deus estava relacionada com as Suas revelações de Si mesmo a este povo (Amós 3:2).
- Por causa desta doutrina da responsabilidade, "melhor lhes fora (aqueles que acabam se afastando de Deus) não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2 Pe. 2:21). Outras passagens relevantes incluem: João 9:41; 3:19; 1 Tm. 1:13; Os. 4:14; Dt. 1:39.
O conhecimento de Deus nos faz responsáveis perante o trono do juízo, decorrendo que aqueles sem conhecimento não ressuscitarão, uma vez que eles não precisam ser julgados, e que a sua falta de conhecimento os faz "como os animais que perecem" (Sl. 49:20). Existem muitas indicações de que nem todos que já viveram vão ressuscitar:
- As pessoas da antiga nação da Babilônia "não acordarão" após a sua morte porque ignoravam a verdade de Deus (Jr. 51:39; Is. 43:17).
- Isaías encorajou a si mesmo: "Ó Senhor nosso Deus (de Israel), outros senhores têm tido domínio sobre nós (por exemplo os filisteus e babilônios)...Morrendo eles, não tornarão a viver (de novo); falecendo, não ressuscitarão...apagaste toda a sua memória". (Is. 26: .13,14). Observe a ênfase tripla aqui quanto a não serem ressuscitados: "Não tornarão a viver (de novo)...não ressuscitarão...apagaste toda a sua memória". Em contraste, Israel tem a perspectiva da ressurreição por conta do seu conhecimento do Deus verdadeiro: "Os teus mortos (de Israel) viverão, ...a terra lançará de si os mortos" (Is. 26:19).
- Falando sobre o povo de Israel, nos é dito que no retorno de Cristo, "muitos dos que dormem no pó da terra ressurgirão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e o desprezo eterno" (Dn. 12:2). Assim "muitos", mas não todos, dos judeus serão ressuscitados, devido a sua responsabilidade para com Deus como seu povo escolhido. Aqueles que forem totalmente ignorantes do seu Deus verdadeiro "cairão, e não se levantarão mais", visto que eles são incapazes de encontrar "a palavra do Senhor" (Amós 8:12,14).
AGORA APRENDEMOS QUE:
1. O conhecimento da Palavra de Deus traz responsabilidade perante Ele.
2. Somente os responsáveis ressuscitarão e serão julgados.
3. Aqueles que não conhecem o Deus verdadeiro irão, assim, permanecer mortos como os animais.
As implicações destas conclusões batem forte no orgulho humano e o que, naturalmente, nós preferíamos acreditar: os milhões de pessoas, tanto agora como ao longo da história, que têm estado ignorantes quanto a verdade do Evangelho; os doentes mentais severos, que são incapazes de compreender a mensagem da Bíblia; bebês e crianças pequenas que morreram antes de ter idade suficiente para entender o Evangelho; todos estes grupos se incluem na categoria daqueles que não tiveram o verdadeiro conhecimento de Deus, e por isso não são responsáveis perante Ele. Isto significa que eles não ressuscitarão, apesar do status espiritual dos seus pais. Isto corre completamente a contragosto do humanismo e todos os nossos desejos e sentimentos naturais; entretanto, uma humildade à verdade final da Palavra de Deus, acoplada a uma igualmente modesta opinião sobre a nossa própria natureza, vão nos levar a aceitar esta realidade. Um exame sincero dos fatos da experiência humana, mesmo sem a direção da Escritura, também vão levar à conclusão de que não pode haver esperança da vida futura para os grupos mencionados acima.
Nosso questionamento dos caminhos de Deus nestes assuntos está grosseiramente fora de ordem: "Ó homem, quem és tu, que a Deus replicas?" (Rm. 9:20). Podemos admitir incompreensão, mas nunca devemos acusar Deus de injustiça ou iniquidade. A suposição de que Deus pode ser, de algum modo, não amoroso ou errado, abre a horrível possibilidade de um Deus todo-poderoso, Pai e Criador que trata Suas criaturas de um modo não razoável e injusto. A leitura do relato do rei Davi perdendo o seu filho, ainda bebê, pode ajudar; 2 Sm. 12:15-24 relata como Davi orou muito pela criança enquanto ela vivia, mas ele aceitou realisticamente a definição da sua morte: "Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque pensava: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Mas agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar?.. Ela não voltará para mim". Então Davi confortou sua esposa, e teve outro filho tão cedo quanto possível.
Finalmente, deve-se dizer que muitas pessoas, ao captar este princípio de responsabilidade para com Deus, sentem que não querem ter mais conhecimento dEle, para o caso de se tornarem responsáveis perante Ele e serem julgadas. Em algum grau é possível que estas pessoas já sejam responsáveis perante Deus, visto que o seu conhecimento da Palavra de Deus os faz conscientes do fato de que Deus está trabalhando nas suas vidas, oferecendo-lhes um relacionamento real com Ele. Sempre deve ser lembrado que "Deus É amor", Ele "não quer que ninguém se perca", e "deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (1 João 4:8; 2 Pedro 3:9; João 3:16). Deus quer que estejamos no Seu Reino.
Tal honra e privilégio inevitavelmente traz responsabilidades. Entretanto, estas não estão planejadas para serem pesadas ou onerosas demais para nós; se realmente amamos a Deus, nós vamos apreciar o fato de que sua oferta de salvação não é uma recompensa automática por certas obras, mas um desejo amoroso da Sua parte para fazer tudo que Ele pode para Seus filhos, para lhes assegurar uma vida eterna de felicidade, pela sua consideração ao Seu caráter maravilhoso.
À medida que valorizarmos e ouvirmos o chamado de Deus para nós através da Sua Palavra, vamos entender que enquanto andamos entre as multidões, Deus está nos vendo com uma intensidade especial, buscando ansiosamente sinais da nossa resposta ao Seu amor, em vez de esperar que falhemos ao viver de acordo com nossas responsabilidades. Aquele olhar de amor nunca está fora de nós; nunca podemos esquecer ou desfazer o nosso conhecimento dEle para perdoar a carne, livres da responsabilidade perante Deus. Em vez disso, nós podemos e devemos nos alegrar na proximidade especial que temos com Deus, e assim acreditar na grandeza do seu amor; que sempre busquemos conhecer mais dEle em vez de menos. Nosso amor pelos caminhos de Deus e desejo de conhecê-lo, para que possamos, com mais precisão, copiá-lo, devem exceder nosso temor natural da Sua suprema santidade.

Sem comentários: