06/10/10

CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRINDADE

Ao crermos que Jesus é Deus, fazemos profissão de fé trinitária. E a doutrina da Trindade é verdadeira, não porque a possamos entender, mas porque é um facto da Revelação. E isto, para nós, os que cremos, é suficiente. Não conseguimos entender a origem do mal, o facto de Lúcifer ter-se tornado Satanás, a miraculosa operação do Espírito Santo e tantos outros assuntos. Mas constituem matéria da Revelação divina, e basta!
É infantilidade rejeitar a doutrina da Trindade sob a alegação de não existir este termo nas Escrituras. No livro divino também não se encontram palavras como Bíblia, Milénio, Teocracia e outras que igualmente não rejeitamos, porque o que se busca nas Escrituras são factos e não nomenclatura. Outro contra-senso é rejeitar a doutrina, porque nos parece mistério. Deus é mistério (Is. 45:15). Com Trindade ou sem ela, Deus é mistério. Cristo é mistério (Col. 1:26). Aceitemos com humildade a revelação das Escrituras sem precisarmos negar e distorcer as declarações límpidas e inequívocas da Bíblia relacionadas com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Seria loucura estabelecer diferença entre “segredo” e “mistério”, considerando o primeiro como algo ainda não conhecido e o último como coisa que não pode ser entendida. Um dos mais famosos dicionaristas do mundo, T. Barnhart, define deste modo: “Mistério: segredo, alguma coisa oculta ou desconhecida”. E também: “Segredo: alguma coisa secreta ou oculta; mistério.”
A Divindade Se constitui em TRÊS PESSOAS, todas eternas, todas iguais, todas divinas, permanecendo UMA em essência, em propósito, em acção. Melhor dito, a TRINDADE é o organismo da Divindade, é o meio pelo qual Se manifesta e existe em relação ao homem.
A negação da Trindade advém num primeiro tempo de um grande erro: ter criado o conceito de pessoas divinas como se tem o conceito de pessoas humanas.
“Em Teologia, como em qualquer outra ciência, há necessidade absoluta de alguns termos técnicos. Quando dizemos que há três pessoas distintas na Divindade, não queremos, com isso, dizer que cada uma delas é tão separada da outra, como um ser humano está separado de todos os demais. Embora se diga que Se amam, Se ouvem, orem uns aos outros, enviem uns aos outros, testifiquem uns dos outros, não são, no entanto, independentes entre si; porque, como já dissemos, a auto-existência e independência são propriedades, não das pessoas individuais, mas do Deus Triúno.” L. Boettner, The Trinity, p. 59.
Deixamos a seguinte citação:
“O Consolador que Cristo prometeu enviar depois de ascender ao Céu, é o Espírito em toda a plenitude da Divindade, tornando manifesto o poder da graça divina a todos quantos recebem e crêem em Cristo como um Salvador pessoal. Há três pessoas vivas pertencentes à Trindade celeste; em nome destes três grandes poderes - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - os que recebem a Cristo por fé viva são baptizados, e esses poderes cooperarão com os súbitos obedientes do Céu em seus esforços para viver a nova vida em Cristo.” Special Testimonies, Série B, Nº 7, págs. 62 e 63.
Em segundo lugar, a negação da Trindade, vem da exploração dos textos que falam da subordinação do Filho ao Pai. Contudo Cristo – que é Deus – foi homem também. Daí o dizer-se que a Sua natureza é teantrópica (divina e humana). Esta subordinação não é de essência, mas de ordem e operação. Cada uma das Pessoas divinas tem a Sua esfera de actividade. “como se fora uma sociedade bem organizada”.
Outro factor da negação da doutrina é a pretensa ignorância, mas na verdade deliberada má fé de certos escritores arianos, supondo que cremos em três deuses. Por exemplo, no livro “Seja Deus Verdadeiro”, p. 97 lemos o seguinte sobre a doutrina da Trindade:
“Em resumo, a doutrina consiste em dizer-se que há três deuses em um.”
Esta é, quando muito, uma conclusão que os jeovistas (e todos os que não crêem na Trindade) querem extrair; nunca, porém, a crença cristã. Nunca isto foi escrito ou admitido por um cristão. Em tempo algum. É inteiramente gratuita a acusação de triteísmo que nos é feita, ao passo que nós podemos acusar os senhores jeovistas/etc de biteísmo. Ao afirmarem que Jeová é Deus Todo-poderoso e Cristo um deus poderoso, estão crendo em dois deuses! Um Deus maior gerando um deus menor: portanto dois deuses, não importa a categoria que procuram dar-lhes.
Na Divindade encontramos, por assim dizer, uma forma de Personalidade sui generis, sem termos de comparação, totalmente diferente da que se encontra no homem. A Revelação assegura que cada uma das Pessoas da Trindade possui in totó, numericamente, a mesma substância. Eis os textos: Col. 2:9 “Porque n´Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”; João 14:11 “Crede-Me que Eu estou no Pai, e o Pai em mim”; João 10:30 “Eu e o Pai somos UM”. Mesmo estando na terra, encarnado, Jesus estava como Deus na terra e como Deus também no Céu. João 1:18 “O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer”. Jesus falava a Nicodemos, e empregava o tempo presente do verbo. Há traduções que consignam que João 3:13 “Ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do Céu, o Filho do homem que está no céu (Matos Soares, Figueiredo, Almeida Antiga e outras).
É verdade que pela razão jamais chegaremos à compreensão integral da Trindade, mas os que “andam por fé e não por visão à compreensão integral da Trindade, mas os que “andam por fé e não por visão” aceitam o que a Revelação apresenta.
Jesus Cristo é Deus porque as Escrituras expressamente O designam como Deus. Enumeremos os principais textos:
1) João 1:2
2) Mat. 1.23
3) Is. 9:6
4) Rom. 9:5
5) Luc. 23:40
6) João 20:28
7) Tito 2:13
8) Heb. 1:8
9) 1ª João 5:20
10) 2ª Pedro 1:1
11) João 1:18
12) Tito 1:3
13) João 10:33.
A Fórmula Baptismal
O mais citado texto trinitário é, sem dúvida, Mateus 28:19: “Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em NOME do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Há a menção clara das três Pessoas da Divindade, porém a palavra “nome” na forma singular. Não diz: “baptizando-os nos nomes do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Também diz: “no nome do Pai, e no nome do Filho, e no nome do Espírito Santo”, para destacá-los como três Seres separados. Nada disso. Ao contrário, reúne os três dentro de um Nome único. Para os discípulos que ouviram a Grande Comissão, o único sentido que apreenderam foi o de que, dali por diante, Jeová passaria a ser conhecido pelo novo Nome: do Pai, do Filho, e do Espírito Santo.
Uma Saudação Paulina
Em 2ª Cor. 13:13 temos o registo da bênção apostólica para uso litúrgico nas igrejas, assim redigida: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com todos vós!” Não diz: “A graça, o amor, e a comunhão de Deus seja com todos vós”. As três Pessoas de Deus são reunidas e a elas se atribuem bênçãos redentoras.
Outros Apóstolos Mencionam a Trindade
Lemos em 1ª Pedro 1:2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo.” As três Pessoas surgem juntas em expressões de esperança cristã, porém a referência é a um só Deus.
Em Judas: “20 Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, 21 conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.”
Um texto Impugnado
Proclamam os jeovistas tratar-se de uma interpolação o que se lê na Versão Almeida antiga, em 1ª João 5:7 “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.” Não necessitamos desse texto para provar o que se acha sobejamente revelado em outros passos. Diremos apenas que o texto impugnado é citado por antigos escritores, dentre eles Itácio, no século IV; Presciliano, noano 385 A.D., e Virgílio Tapsensis no século V, como autênticos
Outro texto Impugnado
Há versões em 1ª Tim. 3:16 que consignam “Deus foi manifestado em carne”. Uma nota à margem no “The Emphatic Diaglott” esclarece: “Quase todos os antigos manuscritos, e todas a versões dizem ´Aquele que foi manifestado´em lugar de ´Deus´ neste versículo, isto tem sido aprovado”. Não é exacto. Embora traduções e revisões recentes tenham aceite a versão “Aquele que”, não se segue que “quase todos os antigos manuscritos e todas as versões” a registem. A palavra “Deus” neste texto encontra-se em quatro dos poucos manuscritos unciais ainda existentes. Encontra-se em 260 dos manuscritos cursivos, e há 262. encontra-se em 30 exemplares dos apóstolos, nas Versões Harcleana Georgiana e Slavónica, e nos seguintes dos Santos Padres; no III século, Dionísio de Alexandria. No de Tarso, Gregório de Nissa (22 vezes), Crisóstomo (3 vezes). No V século: em Cirilo de Alexnadria (2 vezes), Teodureto de Chipre (4 vezes), Eutálio, e Macddónio. No VI século em Severo de Antioquia. No VIII século: em João Damasceno, Epifânio de Catana, Teodoro Studita, Osménio, Teofilacto, e Eutimio. Estes dados forma extraídos do “The Revision Revised” do erudito Burgon, que escreveu exaustivo trabalho sobre o assunto.
O “Plural de Majestade”
Os que se recusam a admitir uma união das três Pessoas na Trindade apela para uma fórmula cómoda denominada “plural de majestade”, diante do facto de o nome divino Elohim ser plural, e de passagens bíblicas em que Deus fala no plural, como “Façamos o homem”, “desçamos”, “vejamos”, “Eis que o homem é como um de nós”, “quem irá por nós?” Ora isto é invenção humana, pois as Escrituras não autorizam a invenção deste modus loquendi a que denominam “plural e majestade”. Atribui-se esta invenção a Gesénio que de uma feita apresentou esta ideia de que o plural era apenas a maneira de Deus se apresentar na Sua majestade senhorial, à moda dos monarcas antigos. Descobriu-se, no entanto, que tese de Gesénio era falsa, porquanto ficou provado que nenhum monarca se utilizou deste sistema. Faraó, nenhum monarca persa, e de nenhum outro reino antigo jamais falaram em nome seu e dos outros. Mas os jeovistas aceitam esta lenda. Em Gén. 41:44, por exemplo, diz Faraó: “Eu sou Faraó...” “tu estarás sobre a minha casa”. Nada de plural de majestade. A verdade é que quando a Bíblia usa o plural da primeira pessoa, quando devíamos esperar o singular, é que alguma realidade está em jogo. o plural envolve pluralidade de Pessoas na Divindade. O próprio Cristo empregou o plural. Em João 3:11 “Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho.” Ainda em Mateus 3:15, no baptismo: “Assim nos convém cumprir toda a justiça.” E nos versos seguintes ouve-se a voz do Pai, e se vê o Espírito Santo eram forma de pomba. As três pessoas Se manifestam. Se, como querem os jeovistas, se trata de plural de majestade, então Cristo é o mesmo Jeová, ou o Elohim, porque Eles também usaram o plural de majestade!
Mais um exemplo: “A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o apresentaremos?” Mar. 4:30. Quando o apóstolo Paulo escreve: “...a tribulação que nos sobreveio na Ásia, acima das nossas forças” (2ª Cor. 1:8), ou “quisemos ir até vós...contudo Satanás nos barrou o caminho” (1^Tes. 2:18), estava associando consigo os companheiros de viagem, de tribulação e de trabalho. Por isso emprega o pronome “nós”. Não há por onde justificar o uso na antiguidade do pluralis majestatis, uso que, na verdade, não existia. O que há, de facto, é pluralidade de Pessoas.
E isto prova a existência da Trindade!

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